O Que é Abominação Diante de Deus?

18 de setembro de 2017
  1. Introdução.

Este documento objetiva apresentar aos que desejam uma pesquisa contributiva e não conclusiva, acerca da pauta: “O Que é Abominação Diante de Deus?”

É fruto de uma abordagem que reúne uma compreensão conquistada por analogias diversas no estudo da Bíblia ao longo de 34 anos de vivências e pesquisas diversas e que se reveste de uma aplicabilidade particular na interpretação de diversas situações e fenômenos a vida.

Não foi feito com objetivo de contestar este ou aquele projeto, doutrina ou mesmo comportamento de quem quer que seja; antes, como ficará claro, é mensagem pastoral e portanto, uma mensagem de autoridade, calçada na Palavra de Deus e na voz pastoral que tenho em mim desde que para tanto fui constituído professor e capelão de vidas!

Espero que haja sensibilidade naqueles que querem entender um pouco das Escrituras e sejam abençoados por estas palavras.

Este documento poderá ser baixado em PDF. Clique aqui: O Que é Abominação Diante de Deus ?

Prof. Jean Alves Cabral

  1. O Que é Abominação Diante de Deus?

A Maldição se causa não se cumpre. (Provérbios 26:2)

O que significa a palavra “abominação” ou “abominável”? Em qualquer Dicionário da Língua Portuguesa, vamos ler:

Detestável, execrável, odioso. Que excita a aversão. Muito mau. Repulsa violenta. Sentimento de desprezo ou horror. Indignação profunda.

Na Bíblia encontramos uma definição bem explícita sobre o que é exatamente abominação ou abominável diante de Deus. Mas, é claro que já sabemos (por causa do Dicionário) que o sentido exato de abominação é a de que, diante de Deus, existem coisas que são detestáveis, execráveis, odiosas, aversivas, muito más, repulsivas, desprezíveis, horrorosas e indignas – e que a Sua Pessoa não pode aceitar sob hipótese alguma!

A face do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarraigar da Terra a memória deles. (Salmo 34:16).

Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos atentos às suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal (1ª Pedro 3:12).

O que queremos delinear neste estudo é: o que significa, sob o ponto de vista espiritual, à luz da Bíblia Sagrada, diante de Deus, uma coisa abominável?

Como esta coisa nos afeta e por que devemos evitá-la de forma definitiva?

(2.1.) Abominável é Algo que Deus Odeia.

Em Jeremias 44 foi enviada ao povo de Israel uma mensagem da parte do Senhor porque estava acontecendo uma determinada situação e, por tal condição a nação estava indo por um caminho não autorizado pelo Senhor. Não nos prenderemos as particularidades do incidente, mas no verso 4 está escrito:

E Eu vos enviei todos os Meus servos, os profetas, madrugando foram enviados a dizer: “Ora, não façais esta coisa abominável que Eu odeio” (Jeremias 44:4).

Se lermos o contexto veremos que tal “coisa” era a idolatria. Mas, o que mais nos interessa neste momento aqui é que “algo que Deus odeia é denominado abominação.

Que coisas, a título de exemplo, Deus odeia?

E nenhum de vós pense mal contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas coisas são coisas que Eu odeio – diz o Senhor. (Zacarias 8:17).

O temor do Senhor é odiar o mal, a soberba, a arrogância, a boca perversa e o mau caminho, os quais eu odeio. (Provérbios 8:13).

(2.2.) Existem Abominações Fundamentais e Práticas Consequentes Destas.

Não queremos aqui dizer que existem graduações para o mal, mas queremos afirmar e provar que existe sim um conjunto de atos que são considerados abominações primárias e outras que são consequência destas abominações fundamentais.

Podemos ver isto na explicação de Cristo acerca deste assunto que foi tratado assim:

Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. (Mateus 15:19).

Ora, o que significa esta explicação de Cristo?

De tudo que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. (Provérbios 4:23)

Este “coração” mencionado nestes dois versos deve ser entendido como “a fonte de onde brota toda a nossa decisão, o nosso poder interior de escolha, a nossa inclinação existencial e a nossa intenção verdadeira e mais profunda”.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jeremias 17:9).

Todos os caminhos do homem lhe parecem direito, mas o Senhor pesa o espírito. (Provérbios 16:2).

Aqui já temos uma clara definição do princípio de que existe uma “fonte alimentadora” em nosso ser interior que nos impulsiona para praticarmos o mal. Nós vivemos com uma eterna sabotagem contra nós mesmos, vivemos sempre mentindo para nós mesmos, escolhemos sempre o mal.

A nossa natureza é perversa. Está claro que práticas tais como adultério, furtos, blasfêmias, enfim, qualquer que seja a coisa ruim que venhamos a praticar, representa apenas um reflexo do que somos na essência real da nossa existência, a saber: uma abominação!

As palavras sagradas são fortes e incisivas demais para haver qualquer dúvida:

(1) “todos os caminhos do homem lhe  parecem direito;

(2) “o coração é perverso”;

(3) “do coração procedem os maus pensamentos”.

A teoria de que “todo homem é bom” foi defendida de maneira ampla pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau e diz literalmente o seguinte:

O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe”. Este texto foi publicado em 1755 sob o título de “Discurso Sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade Entre os Homens” (Discours sur l’origine et les fondements de l’inégalité parmi les hommes).

Esta teoria parte da premissa de que todo ser humano “nasce bom” e que dependendo de como for conduzido educacionalmente pelo Estado, pela Família e pela Sociedade, em termos de condições básicas de educação formal, ética e moral, sua consciência fica moldada de tal forma que ele poderá vencer os estágios da ignorância, formando um saber com habilidade intelectual suficiente para entender e “recordar-se de seu saber“, utilizando assim, de si próprio numa espécie de poder imanente oriundo desta educação primária, um despertamento em si e de si mesmo (“conhece-te a ti mesmo” – da maiêutica socrática), estimulando-se desta forma à investigação reconstrutiva para se chegar a uma opinião mais próxima da verdade, da origem da razão e da existência, expelindo o erro do pensamento autodestrutivo.

Esta teoria, ainda que interessante aos ouvidos humanistas (o homem, pelo homem, com o homem, para o homem) – está total e completamente fora da Doutrina Bíblica, pelo que lemos de forma absoluta:

Eis que Deus não confia nos seus anjos e nem os Céus são puros aos Seus olhos, quanto mais  o homem que é abominável e corrupto, e bebe o pecado como se fosse água. (Jó 15:15-16).

O perverso é abominável ao Senhor (Provérbios 3:32).

Diz o louco no seu coração: “não existe Deus!” – têm-se corrompido e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem. Deus olhou desde os Céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus; desviaram-se todos e juntos se tornaram abomináveis; não há quem faça o bem, não, não há sequer um. (Salmo 53:1-3).

Com estas palavras concorda o apóstolo ao escrever sob inspiração divina:

Pois está escrito: não há um justo sequer; não há ninguém que entenda, não há ninguém que busque a Deus; todos se extraviaram e juntos se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto. Com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés  são ligeiros para derramar sangue; em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. (…) Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. (Romanos 3:10-18, 23).

Então temos fechada esta questão na Palavra de Deus!

Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus! (Romanos 3:23).

Eis que em iniquidade eu fui formado e em pecado me concebeu a minha mãe. (Salmo 51:50).

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? (Jeremias 17.9).

A verdadeira e principal “abominação” humana é o coração iníquo que todos nós temos; sim, eu mesmo, enquanto escrevo estas linhas, sou igual a qualquer um que está lendo as mesmas, ou seja: abominável e destituído da glória de Deus, por natureza ímpia. Por natureza carnal e nascida de minha mãe, igual a todos os demais seres humanos, por mais famosos e laureados que possam ser e idolatrados por toda a Humanidade, sim, todos, sem exceção, somos destituídos da glória de Deus e somos, por essência primeva: iníquos!

Se muitos que são religiosos se acham grande coisa, por conta de sua religião e de seus rituais religiosos, ou mesmo porque defendem esta ou aquela doutrina que reputam ser a chave para as suas distinções em qualquer segmento da vida, a Bíblia nos dá uma enorme martelada na cabeça dizendo enfaticamente:

Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos  corações;  porque  o  que  entre  os  homens  é  elevado,  perante  Deus  é abominação. (Lucas 16:15).

Porque assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria; nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, se glorie nisto: em Me conhecer e entender que Eu Sou o Senhor; que faço beneficência, juízo e justiça na Terra; porque destas coisas Me agrado! (Jeremias 9:23-24).

O salmista Davi sentencia conclusivamente este ponto ao dizer:

Porque eu conheço a minha iniquidade, as minhas transgressões estão sempre diante de mim. Contra Ti, contra Ti somente pequei e fiz o que é mal à Tua vista; para que tenhas razão quando falares e puro quando me julgares. Eis que em iniquidade fui formado e em pecado me concebeu a minha mãe. (Salmo 51:3-5).

Desta forma sabemos que os nossos “pecados”, que são “atos externos no falar e proceder” não são a nossa desgraça – são apenas o reflexo da nossa realidade interior que, sob todos os aspectos aqui já identificados na Bíblia, é perversa, abominável e iníqua.

Longe de parecer pessimista, mas firme na posição realista referente à nossa verdadeira condição (que é igualmente a minha!), ainda prescrevo a sentença do Apóstolo João:

Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (1ª João 1:8).

Este aspecto de nossas considerações deve ser muito bem fixado na mente de quem se aproxima da verdade bíblica, porque os seres humanos (eu estou entre eles é claro!) entendem que são grande coisa em seu orgulho e egolatria. Mas, como vimos aqui, “não há um só que não peque” e isto inclui qualquer pessoa, seja ela quem for, desde o Papa da Igreja Católica até o bebê recém nascido, desde o Dalai  Lama até o mendigo  ali  da praça, desde  o mais  notável  dos artistas de televisão até o melhor professor – não há quem não peque!

A Bíblia deixou claro igualmente aqui que “nascemos em pecado”, não na concepção católico-romana de um “pecado original”, mas na natureza de nossa própria essência que iníqua. Falamos aqui de uma natureza geneticamente programada para pecar e ser má.

Um bebê recém nascido não pode ter um pecado porque ele não tem noção de ética e de escolhas morais, mas ele é egocêntrico. Nada pode ser mais egocêntrico que um bebê. A natureza dele clama por uma veneração ininterrupta. Às vezes até dormindo quer ser um pequenino “deus”, adorado, mimado e adulado!

Esta estrutura fica melhor entendida quando vemos Cristo dizer que devemos “nascer de novo” (João 3:3-5). Mas, é em Provérbios que esta maldição de nossa natureza fica bem delineada:

Porque sete abominações há no seu coração (Provérbios 26:25).

Os homens maus não entendem o que é justo, mas os que buscam o Senhor entendem tudo. (Provérbios 28:5).

É óbvio que quem deseja buscar ao Senhor e o faz está numa condição diferenciada. O que será objeto de nossas considerações mais adiante é esta questão de que podemos nos ver livres desta nossa natureza ruim e egocêntrica, perversa e iníqua.

Não são nossos pecados que nos afligem, mas a nossa natureza que se inclina para pecar é que alimenta os atos e palavras más. Nossos pensamentos são por natureza pecaminosos e é nesta dimensão que devemos ver destruída a nossa natureza. Tal o maior de todos os temas na Bíblia: como se salva um ser humano de sua própria natureza pecaminosa?

Estas seis coisas o Senhor odeia e a sétima a sua alma abomina: (1) Olhos altivos, (2) Língua mentirosa, (3) mãos que derramam sangue inocente, (4) coração que maquina pensamentos perversos, (5) pés que se apressam a correr para o mal, (6) testemunha falsa que profere mentiras, e, (7) o que semeia contendas entre irmãos. (Provérbios 6:16-19).

Jamais houve, com exceção única da Pessoa de Cristo, qualquer humano que não tenha vivido uma única destas coisas, ainda que na intenção da alma! Não existe esta coisa de “nascemos bons e a sociedade nos altera”.

Com a absoluta e exclusiva exceção de Cristo, não há mortal que tendo ficado irado nesta vida, não tenha desejado um só destes pontos!

O que desvia seus ouvidos de ouvir a Lei (Torah) até a sua oração será abominável. (Provérbios 28:9).

O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o Seu contentamento. O caminho do ímpio é abominável ao Senhor, mas o que segue a justiça Ele ama. (Provérbios 15:8-9)

Em Isaías 1:13, Deus declara que “não  suporta a iniquidade” e que todos os cultos, obediências e ações exteriores de iníquos eram uma maldição  diante dEle! Isto revela-nos uma nova profundidade nas relações sobre a Divindade com a espécie humana.

A única coisa que jamais podemos imaginar que podemos fazer é  fazer alguma coisa para agradar a Deus, fazendo-a de nosso exterior para nosso interior – isto é uma enorme estupidez e idiotice. Deus não é algum “tolo” que possa ser enganado, isto é uma situação ridícula.

Porventura não esquadrinhará Deus isso? Pois Ele sabe os segredos do coração (Salmo 44:21).

No momento em que perdemos de vista que somos “seres humanos que bebem o pecado como se fosse água” (Jó 15:15-16), neste exato momento nos tornamos abomináveis! Ter compreensão sobre isto é uma excelente condição, porque é melhor saber qual a nossa doença antes que ela nos mate sem sabermos porque estamos perecendo, não?

Insistirei, porém: esta não é uma mensagem de desânimo!

A questão neste ponto de nosso estudo é que nossa natureza deve ser muito bem compreendida, porque só iremos valorizar o que Deus pode fazer por nós quando entendermos o tamanho da desgraça que nos tornamos pela ação da iniquidade em nós!

Sei que há diversas implicações nesta questão. Muitas pessoas possuem perguntas que envolvem a Justiça de Deus, principalmente aqueles que “pensam poder exigir de Deus uma explicação acerca da miséria do Mundo” – do tipo: “como pode ser justo este Deus que deixa uma criança nascer deformada?”

Atribuem em seguida o erro de julgamento ao nosso tipo de entendimento, argumentam que Deus é um ser perfeito demais para poder permitir uma situação de miséria como esta que vemos na Terra.

Mas, o objetivo maior de tais argumentos é sempre o de defender três pontos cruciais para o egocentrismo que verte na alma dos seres humanos:

  • Justificar a própria intenção de preservação do egocentrismo – precisam tais argumentadores de uma religião que lhes diga que são “deuses”, “espíritos em uma experiência humana”;
  • Anular a unidade textual e estrutural da Bíblia – ou seja, vão jogar na lata de lixo tudo que estiver na Bíblia que não justifique a sua própria definição egocêntrica de religião correta; e,
  • Vão continuar sendo  os  mesmos  iníquos  de  sempre,  os  mesmos pecadores de sempre e, para se protegerem desta afirmativa, irão se encher de ídolos, defendendo personalidades que usarão como parede psíquica de alinhamento de suas arguições  – tais como Chico Xavier, Dalai Lama, Buda, Lao-Tsé, Gandhi, Padre Cícero, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, dentre muitos outros – e, nesta defesa por seus ídolos,  dirão  que  estão  em  evolução,  enquanto  continuam  no  mesmo plano que já foi enunciado pela Bíblia, ou seja, são iníquos tanto como eu e qualquer ou

Já vi manifestações absurdas em que as pessoas falam de outras pessoas mortas como se fossem divindades perfeitas e vidas dignas de serem seguidas quando, na verdade, a Bíblia mata isto dizendo claramente:

O sacrifício dos ímpios já é abominação; quanto mais oferecendo-o com má intenção! (Provérbios 21:27).

Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Romanos 3:23)

E, para concluirmos este bloco,  falo aqui como um dos piores pecadores que  eu  conheço,  aliás,  o  maior  que  eu  conheço  de  verdade,  não  adianta ficarmos irados, com raiva destas verdades que aqui apresento, nem eu e nem você que está lendo. Esta ira apenas consolida a nossa verdade sobre a natureza iníqua que temos em nós mesmos!

Peço licença a todos que estão lendo este material para entenderem que eu (Jean) só discordo da Bíblia inteira em um único ponto. É em 1ª Timóteo 1:15, quando Paulo de Tarso, que não tinha como me conhecer escreveu algo que eu, sinceramente, sou maior do que ele, notai:

Esta declaração é fiel e digna de plena aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. (1ª Timóteo 1:15).

Os fatos apontam nesta direção:

O homem ímpio endurece o seu rosto; mas o reto considera o seu caminho. Não há sabedoria, nem inteligência, nem conselho contra o Senhor. (Provérbios 21:29-30).

A despeito de nossa situação deplorável, em nossa natureza pecaminosa, um meio foi providenciado para podermos nos livrar desta natureza ímpia!

A promessa é alvissareira e abre uma enorme porta de salvação para todos os que quiserem:

Em seis angústias te livrará, e na sétima o mal não te tocará: (1) na fome te livrará da morte; (2) na guerra, da violência da espada; (3) do açoite da língua estarás coberto e não temerás a sua assolação quando vier; (4) da desolação e da fome te rirás, e os animais da Terra não temerás, porque até com as pedras do campo terás o teu acordo e as feras do campo serão pacíficas contigo; (5) e saberás que a tua casa está em paz e visitarás a tua habitação e não pecarás; (6) também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva do campo; e quando chegar a velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo. Eis que isto já o havemos inquirido e assim é; ouve-o e medita nisso para teu bem. (Jó 4:19-27).

 (2.3.) Por Que Deus Estabeleceu Esta Questão da Abominação Primária?

Uma vez que “é do coração que procedem os maus pensamentos” e considerando que “nosso pensamento é continuamente mau”, porque na verdade a nossa natureza é a de quem foi “concebido na iniquidade desde o ventre da mãe” – qual de nós pode se erguer e dizer na cara de qualquer outro ser humano: eu sou grande? eu sou exaltado? eu sou poderoso? eu sou um deus? eu sou qualquer coisa que seja digna de qualquer honra?

Nossa única posição de defesa está na humildade de espírito e fora desta perspectiva somos absolutamente nada!

A palavra “abominação” ressurge, pois, com grande força neste ponto!

Abominação é ao Senhor todo o altivo de coração; não ficará impune mesmo de mãos postas. (Salmo 101:5).

Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a sua altivez será humilhada; e só o Senhor será exaltado naquele dia. Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido. (…) E a arrogância do homem será humilhada, e a sua altivez se abaterá, e só o Senhor será exaltado naquele dia. (Isaías 2:11-12,17).

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda (Provérbios 16:18).

Ainda a guisa de esclarecimento bíblico da questão, as opiniões humanas, tais como a de Jean-Jacques Rousseau, que não foram nascidas da comunhão do Espírito, mas de um humanismo carnal, a Bíblia não deixa dúvidas de que todas as teorias provenientes dos que não se submetem ao Senhor são nada mais e nada menos que impiedade e tolice.

Pela altivez do seu rosto o ímpio não busca a Deus; todas as suas cogitações são que não há Deus. (Salmo 10:4).

Na sua transgressão o ímpio diz no íntimo do seu coração: Não há temor de Deus perante os meus olhos! (Salmo 36:1).

O caminho do ímpio é abominável ao Senhor, mas ao que segue a justiça Ele ama. (Provérbios 15:9).

O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao Senhor (Provérbios 17:15).

Os homens que se enchem de altivez de suas próprias opiniões e que não se humilham diante do Senhor, são apenas e simplesmente “ímpios”, esta atitude, em si mesma, é a que os torna ímpios.

São posicionamentos do tipo: “a Bíblia é uma lenda”, “não acredito nas Escrituras”, “elas estão cheias de falhas”, “há outras opiniões que devem ser colocadas no mesmo nível da Bíblia” – e coisas do mesmo tipo, são a raiz de toda a possibilidade de adultério mental que torna a pessoa que porta tal natureza de pensamento um “ímpio”, um “abominável” não diante de mim, não diante dos homens, mas diante do Deus Eterno, segundo as Escrituras!

Ora, o apóstolo Paulo deixou bem claro que a Palavra de Deus, a Bíblia deve ser encarada como “armas espirituais da nossa milícia”, que não são carnais, mas poderosas em Deus para destruição de fortalezas, destruindo conselhos e “toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando todo pensamento cativo à obediência do Senhor” (2ª Coríntios 4:3-5).

Durante anos, tive a felicidade de preservar, na misericórdia divina, a minha mente, ainda que sendo um pecador, estando sempre ligada a visão espiritual que jamais me deixou fora desta perspectiva correta!

Mesmo me vendo e sabendo que tenho inclinações pecaminosas, igual a todos os demais seres humanos, a escolha e a decisão de jamais abdicar da busca pela vontade de Deus em Sua Santa Palavra me tem permitido um lenitivo, uma oportunidade de saber que há uma possibilidade de ser remido de minha natureza iníqua e de ser declarado “justo” pelo Senhor, sob certas condições  que, por Sua determinação soberana, me tornam um “homem perdoado” e “regenerado” .

Mas, uma pergunta muito importante surge aqui: por que Deus estabeleceu esta questão da abominação primária? Sim, porque Sua mensagem acerca do que é abominável estabelece este fundamento?

Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. (Mateus 15:19).

O que existe de tão errado em adulterar, em matar, em roubar, e praticar todas as coisas que a Bíblia declara serem ruins e ofensivas a Deus?

Uma das melhores explicações que encontramos está na exposição referente às razões pelas quais Deus determinou a invasão dos israelitas na Terra de Canaã e como Ele lida com esta questão da iniquidade desde os primórdios da humanidade, quer na posição dos indivíduos, quer na posição das nações.

Diz o texto sagrado:

Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno; para que bem te suceda a ti e a teus filhos depois de ti para sempre; quando fizeres o que for e reto diante dos olhos do Senhor teu Deus. Quando o Senhor teu Deus desarraigar de diante de ti as nações na terra aonde vais possuí-las, e as possuíres e habitares na sua terra, guarda-te que não te enlaces seguindo-as, depois que forem destruídas diante de ti, e que não perguntes acerca dos seus deuses dizendo: assim como serviram estas nações aos seus deuses, assim também farei eu’ – isto não farás ao Senhor teu Deus;  porque tudo o que é abominável ao Senhor, e que O aborrece, fizeram eles aos seus deuses, pois até queimaram seus próprios filhos e filhas aos seus deuses. (Deuteronômio 12:28-31).

Eis aqui a descrição exata das razões pelas quais Deus simplesmente determinou o extermínio completo e absoluto de todas as nações de Canaã pelas mãos de Israel no tempo de Moisés e Josué. Coisa semelhante Deus com certeza aprovou quando as Nações se uniram e exterminaram da Terra o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini!

Mas, onde está a lógica desta ação?

Alguém dirá: ora, é inadmissível que uma Nação pegue suas crianças e sacrifique no fogo em adoração a deuses!

Mas, quando a nossa sociedade oficialmente aprova o aborto, quando a nossa   sociedade oficialmente aprova o homossexualismo, quando a nossa sociedade aprova oficialmente os roubos de “colarinho branco”, quando a nossa sociedade adora e venera mortos e procura comunicação com defuntos, quando a nossa sociedade acha normal homens vestidos como as mulheres e as mulheres vestidas como os homens – isto não é uma aberração?

Não!  Dirão os defensores desta cultura demoníaca que predomina nas Nações paganizadas de nosso tempo! Mas, vejamos bem, quando lemos nas Escrituras o que tudo isto significa, vemos claramente que havia uma proibição quanto diversas práticas abomináveis daquela época e que agora se revestem de claríssima repetição e maldição idêntica.

  • Espiritismo – Era considerada coisa abominável e completamente inaceitável, com proibição absol A prática do que hoje se denomina na Era Contemporânea de “espiritismo” ou a “comunicação com os mortos”. Tal abominação era postada em grau de igualdade com o “assassinato de crianças” (Deuteronômio 12:31).

 “Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. Perfeito serás, como o Senhor teu Deus. Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o Senhor teu Deus não permitiu tal coisa.” (Deuteronômio 18: 9-14).

  • Homossexualismo – O homossexualismo, hoje tão defendido em passeatas enormes nas grandes cidades dos países do Ocidente, é simplesmente considerado outra aberração (abominação) do mesmo nível do assassinato de crianças (ver o texto acima). Tal prática é considerada como a aberração de se praticar sexo com animais e, qualquer que fizer qualquer uma destas coisas (homossexualismo, matar crianças ou sexo com animais) será eliminado do povo de Deus por Ele mesmo:

“E da tua descendência não darás nenhum para fazer passar pelo fogo perante Moloque; e não profanarás o nome de teu Deus. Eu sou o Senhor; Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é. Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é. Com nenhuma destas coisas vos contamineis; porque com todas estas coisas se contaminaram as nações que eu expulso de diante de vós. Por isso a terra está contaminada; e eu visito a sua iniquidade, e a terra vomita os seus moradores. Porém vós guardareis os meus estatutos e os meus juízos, e nenhuma destas abominações fareis, nem o natural, nem o estrangeiro que peregrina entre vós; Porque todas estas abominações fizeram os homens desta terra, que nela estavam antes de vós; e a terra foi contaminada. Para que a terra não vos vomite, havendo-a contaminado, como vomitou a nação que nela estava antes de vós. Porém, qualquer que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as fizerem serão extirpados do seu povo. Portanto guardareis o meu mandamento, não fazendo nenhuma das práticas abomináveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com elas. Eu sou o Senhor vosso Deus(Levítico 18:21-22).

Estes são alguns dos exemplos acerca de leis e estatutos, normas e procedimentos que eram fundamentais para que a vida social de Israel tivesse uma mínima base de sociabilidade voltada para a moralidade estabelecida por Deus.

O problema é admitir a soberania de Deus conforme está determinado:

O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos céus, e o Seu reino domina sobre tudo. (Salmos 103:19).

Aos que pensam que Deus era ou foi arbitrário, que não teve misericórdia, que não foi cândido e piedoso com as Nações que mandou destruir e eliminar da Terra naquela época – é importante verificar que, na verdade, quando Abraão, cerca de 400 anos antes foi orientado a ir para a Terra de Canaã, Deus já havia lhe prometido que somente a sua descendência iria entrar naquelas terras após 4 séculos por uma razão muito especial:

E a quarta geração tornará para cá, porque a medida da iniquidade dos amorreus ainda não está cheia (Gênesis 15:16).

O que havia nesta tal “medida da iniquidade”?

O que é esta medida?

Que significa isto de que somente depois desta medida ficar cheia e então haver o extermínio de nações e sociedades inteiras?

Uma coisa é certa, ainda que alguém possa achar meu discurso neste estudo contrário ao sistema vigente na atualidade, ainda que ache que estou dizendo coisas que são ofensivas a esta ou aquela estrutura social – de nada importa a oposição ao que estou dizendo, porque, se na verdade, existe esta tal medida da iniquidade (e creio que exista) – da parte do Criador Todo-Poderoso e, evidentemente ela não depende deste  mísero pedaço de argila que sou eu, ninguém, nem todas as Nações reunidas poderão deter o poder de Deus a este respeito.

Não há sabedoria, nem inteligência e nem conselho contra o Senhor (Provérbios 21:30).

O Senhor tem estabelecido o Seu trono nos céus, e o Seu reino domina sobre tudo. (Salmos 103:19).

Se Ele passar, aprisionar ou chamar a juízo, quem o impedirá? (Jó 11:10).

Ainda antes que houvesse dia, Eu Sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo Eu, quem Me impedirá? (Isaías 43:13).

Tal a verdade definitiva sobre esta questão!

Eu vejo por toda parte na Internet em livros e em discursos de “ditos” céticos, arrogantes em suas altivas confabulações acerca de que a Bíblia é coisa de otários e idiotas, que a Igreja de Deus é coisa de retardados manipulados, que a própria Pessoa de Deus Pai é uma besteira – mas, a verdade é que:

Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para fazer o mal. (Eclesiastes 8:11).

Se homossexuais, consultores de mortos, praticantes de zoofilia, e outras coisas mais (descritas como sérios pecados na Palavra de Deus), que podem ser facilmente identificadas na leitura da Bíblia, aborrecem o que estou apresentando neste texto, ainda que o Estado dê o direito pleno de qualquer um se dedicar a elas, as contas finais serão prestadas com Deus, assim como eu estou também sob a mesma forma de juízo divino e não em nada especial; porque todos nós, juntos, somos pecadores da mesma espécie e qualquer outra pessoa, seja ela da Igreja ou não, passará por este acerto de contas segundo ensina Romanos 14:12 e 2ª Coríntios 13:5-6!

Mas, quero sempre deixar muito claro que eu sou um amante do pecado por natureza. Os apologetas anti-conduta pagã, posam de baluartes de uma vida impoluta, quando já vimos que todos nós somos inúteis e abomináveis por natureza diante de Deus! (Romanos 3:23 e outros).

Muitos pregadores confundem o ódio de Deus ao pecado como se fosse ódio ao pecador! Há uma diferença crucial nisto aqui!

Estou muito seguro de que a conduta paganizada das pessoas que vivem dentro dos padrões de Canaã antes de ser restaurada (parcialmente) pela chegada de Israel sempre foram amadas de Deus e que a sua própria extinção naquelas terras, foi obra da misericórdia divina a não ser que alguém ache absolutamente normal que um pai e uma mãe peguem seus filhos e levem até o deus Moloque e matem as crianças lá num altar pegando fogo.

Não há níveis de maldade aqui, trata-se de uma questão de princípios! É neles que se pode entender qual a razão para serem tão ofensivas aquelas coisas mencionadas a pouco e outras que estão listadas na Bíblia  diante de Deus, o Criador!

Abominação ao Senhor são os perversos de coração, mas os de caminho sincero são o Seu deleite. (Provérbios 11:20).

Porque abominação diante do Senhor teu Deus é todo aquele que fizer isto: aquele que praticar injustiça! (Deuteronômio 25:16).

Não porás, pois, abominação na tua casa, para que não sejas anátema, assim como ela; de todo a detestarás e de todo a abominarás, porque anátema é. (Deuteronômio 7:26).

Não colocar em nossa “casa”, não “atrair tal coisa”, porque “de tudo que se deve guardar, guarda o teu pensamento (coração)” (Provérbios 4:23).

Uma nova palavra surge aqui, como uma espécie de sinônimo ou muito ligada a “abominação” – anátema.

O que significa?

Em qualquer Dicionário da Língua Portuguesa: “amaldiçoado, excomungado, condenado, iníquo, imundo, desprezível ou abominável”.

Assim, temos uma questão de autoridade e de direito e não de liberdade de escolha.

Repetirei: “não interessa aqui a liberdade de opinião de qualquer ser humano, anjo ou demônio” – a Palavra de Deus, a Suprema Autoridade do Universo está dizendo que, se qualquer um de nós adotar um comportamento que seja “abominável, amaldiçoado, ou do mesmo nível” será considerado “anátema”. E a base de toda desgraça, novamente é a escolha contra a soberania de Deus.

Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata! (1º Coríntios 16:22).

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. (João 3:17-18).

A mensagem de Deus para o mundo em que estamos é muitíssimo clara! Ou é Cristo numa relação direta e única de salvação, ou é a destruição da própria vida em uma maldição – e este ponto é inegociável.

Deus não dá a mínima para esta coisa de democracia, de liberdade de opinião ou mesmo de achismos ideológicos. Simplesmente a Sua Justiça funciona da seguinte forma:

Os pecadores de Sião se assombraram, o temor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? (Isaías 33:14).

Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus; a voz do qual moveu então a terra, mas agora anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu. E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam. Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; porque o nosso Deus é um fogo consumidor. (Hebreus 12:25-29).

Repetirei a frase fundamental: Muitos pregadores confundem o ódio de Deus ao pecado como se fosse ódio ao pecador! Para não ficar qualquer dúvida a este respeito neste meu texto apresento os princípios bíblicos que regem este ponto:

Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1ª João 4:20).

Carregai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo (Gálatas 6:2).

Quem disse que o comportamento homossexual é errado? Quem disse que roubar é errado? Quem foi que disse que homem vestido de mulher é errado? Quem foi que disse que consultar mortos é errado? Quem foi que disse que matar criancinhas é errado? Quem disse que devemos amar Jesus?

Não fui eu com absoluta certeza! Eu não escrevi a Bíblia!

A autoridade não é minha e nem tenho qualquer pretensão de ser o Legislador Universal! Aliás, seria ridículo sequer me imaginar como um “Legislador” com condições de impor aos homens e mulheres em todas as Eras da História terrestre o caminho do bem!

Por esta razão que Deus declara:

Lavai-vos e purificai-vos, tirai a maldade dos vossos atos de diante dos Meus olhos, cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo, ajudai o oprimido, fazei justiça ao órfão, tratai da causa das viúvas; então vinde e conversaremos, diz o Senhor, ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve, ainda que sejam vermelhos como carmesim, se tornarão como a alva lã, se quiserdes, comereis o bem desta terra, mas se não quiserdes e fordes rebeldes, sereis devorados pela espada, porque a boca do Senhor o disse. (Isaías 1:16-20).

Por este texto fica bem claro o que tem que acontecer com a nossa vida:

  • Primeiro, pararmos de fazer o mal – decidirmos isto é a fase básica e elementar da estrutura, é uma escolha existencial e final, diária e constante!
  • Segundo, praticarmos o bem – e, isto podemos fazer, associando-nos com a comunidade dos irmãos, participando de encontros de orações, de cânticos espirituais, de estudos da Bíblia, de aconselhamento espiritua
  • Terceiro, podemos à partir desta relação de convivência com o “mundo de Deus” ou “Reino de Deus”, termos uma conversa séria com Ele mesmo.

Mas, antes que alguém se pergunte: como vou fazer isto sendo eu mal e perverso como já ficou claro que sou?

Eis a maravilhosa resposta divina:

Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí. (Jeremias 31:3)

Porque o amor de Cristo nos constrange (2º Coríntios 5:14)

Dizei à Casa de Israel: ‘assim diz o Senhor Deus: NÃO É POR RESPEITO A VÓS QUE EU FAÇO ISTO, Ó CASA DE ISRAEL, MAS PELO MEU SANTO NOME, que profanastes entre as Nações para onde fostes. E eu santificarei o Meu Grande Nome, que foi profanado entre os gentios, o qual profanastes no meio deles; e  os gentios saberão que Eu Sou o Senhor – diz o Senhor Deus – quando for santificado aos seus olhos. E vos tomarei  dentre os gentios e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra. Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E DAR-VOS-EI UM CORAÇÃO NOVO E POREI DENTRO DE VÓS UM ESPÍRITO NOVO, E TIRAREI DA VOSSA CARNE O CORAÇÃO DE PEDRA E VOS DAREI UM CORAÇÃO DE CARNE. E POREI DENTRO DE VÓS O MEU ESPÍRITO E FAREI QUE ANDEIS NOS MEUS ESTATUTOS E GUARDEIS OS MEUS JUÍZOS OBSERVANDO-OS. E habitareis na Terra que eu dei a vossos pais e vós seres o Meu povo e eu serei o vosso Deus. E LIVRAR-VOS-EI DE TODAS AS VOSSAS IMUNDÍCIAS. (Ezequiel 36:22-25).

Confesso que me vi muito felicitado quando entendi estas palavras sagradas, sobretudo, na luz que foi dada ao apóstolo Paulo nos seus escritos aos Romanos e aos Gálatas! Uma mensagem para gentios e não exclusivamente para israelitas. Uma salvação para a espécie humana!

A minha alegria de que minha natureza podre e abominável, minha condição natural de anátema e de iníquo é, por esta profecia que se cumpriu completamente em Cristo (Yehoshua Mashiah) se consolida como uma benção inigualável!

A garantia de que posso ser liberto de minha natureza imunda é esta:

Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos e dos vossos feitos que não foram bons; E TEREI NOJO em vós mesmos das vossas iniquidades e das vossas abominações. Não é por amor de vós que Eu faço isto, diz o Senhor Deus, notório vos seja; envergonhai-vos, e confundi-vos por causa dos vossos caminhos ó Casa de Israel. (Ezequiel 36:31-32)

O problema central é sempre o mesmo: nossa escolha em rejeitar a autoridade e a soberania divina; a nossa rebelião em querer fazer do nosso jeito e de não aceitarmos sermos dominados, governados e liderados pelo Senhor!

A medida da iniquidade dos amorreus chegou a tal ponto que Deus os abominou e exterminou da Criação, mas e quanto a cada um de nós, como fica esta situação? Se escolhermos o caminho do abominável, do anátema e do iníquo seremos classificados como quem anda e vive dentro da seguinte perspectiva:

Põe sobre ele um ímpio, e Satanás esteja à sua direita. (Salmo 109:6)

 (2.4.) A Importância Imperativa da Lei de Deus, ou seja, da Torah.

É neste ponto onde entra em cena a “Torah”, ou “A Lei”.

Isto é de fundamental importância na compreensão das Escrituras Bíblicas, porque existe uma tendência de considerar a Torah uma coisa menor que o Novo Testamento, como se ela fosse uma publicação de segunda classe, um livro velho e cheio de coisas inúteis.

Somente ignorantes da realidade das Escrituras Bíblicas poderiam supor uma coisa destas!

Na verdade, sem a Torah, o próprio Cristo se torna uma lenda urbana, uma história mentirosa e sem qualquer valor.

A Torah é exatamente a base de toda a religião cristã ou evangélica, porque ela é constituída dos livros sagrados que preparam tudo em termos de entendimento do Evangelho. É tão essencial que o Novo Testamento todo é uma intensa manifestação apostólica em torno do fato maior e soberano de que o que a Torah falou e profetizou sobre Cristo foi confirmado!

Isto é elementar e fora desta compreensão não existe compreensão alguma de coisa nenhuma acerca da Bíblia ou da religião verdadeira do Deus verdadeiro. Somente imbecis no estudo das Escrituras ou religiosos de fundo de quintal, poderiam supor tal sandice!

O próprio Cristo deixou claro quando andava pela Terra que sem o exame cuidadoso das Escrituras não seria possível se entender a vida eterna e a salvação:

Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna e são elas que dão testemunho de Mim. (João 5:39).

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? (Marcos 12:24).

E disse-lhes: São estas as palavras que Vos disse estando ainda convosco: Que convinha que  se  cumprisse tudo  o  que  de  Mim  estava  escrito  na  Lei  de  Moisés, e nos profetas e nos Salmos. (Lucas 24:44)

Esta “Lei de Moisés, Profetas e Salmos” é exatamente a totalidade da “Torah”, ou “os livros sagrados”, “a Lei do Senhor”, “as Palavras de Deus”.

Muitas pessoas cometem um erro colossal em  imaginar que  onde  lemos  “a Lei” na Bíblia, estamos falando sempre dos “Dez Mandamentos” de Êxodo 20 ou Deuteronômio 5.

Isto é condição sine qua non para qualquer debate ou estudo sério da Bíblia. As  pessoas que confundem esta questão abrem uma dicotomia nas Escrituras que não podem garantir qualquer segurança na compreensão correta de suas palavras e da harmonia que sua orientação estabelece, ficamos sem qualquer segurança psíquica em relação aos fundamentos da religião do Deus de Israel e dos fundamentos dos textos que constroem toda a estrutura de compreensão espiritual.

A “Lei de Deus”, ou seja, “a Torah” é o fundamento onde toda a compreensão da lógica espiritual do nascimento, vida, obra, ensinos, ministério terrestre, morte, ressurreição, ministério celeste e segunda vinda de Cristo – se explicam e justificam!

Grupos pontuais, tais como os adventistas dos sétimo dia, denominação da qual eu fiz parte durante muitos anos, defendem uma posição dicotomizadora da Torah, separam os Dez Mandamentos das demais questões que estão listadas em seu Codex Moral, mas, podemos verificar com uma leitura objetiva dos textos na própria Bíblia, que “a Lei” não pode ser resumida em “Dez Mandamentos”, porque efetivamente existem muitas “leis e estatutos” que ainda hoje são absolutamente obrigatórios e não podem ser considerados diretamente associados com “os Dez Mandamentos”.

Quando estou em rodas de debate acerca desta questão as pessoas me perguntam: “dê-nos um exemplo?” – e tenho tido a felicidade de poder demonstrar com muitos pontos bem claros, tais como os que listei um pouco acima, na questão do homossexualismo, do espiritismo e do assassinato de crianças.

Então, os “filósofos” da religião dizem: “estas questões estão implícitas nos Dez Mandamentos”!

Mas, a verdade é que ao defenderem esta ideia sem fundamento, criam uma divisão “mágica” que não existe no texto sagrado.

Minha leitura deste tipo de argumento é sempre um xeque-mate no próprio argumento, senão vejamos:

  • Se as diversas sentenças morais espalhadas em toda a Bíblia são um reflexo dos grandes fundamentos dos Dez Mandamentos, então tudo é holístico e está interligado – correto?
  • Se alguém disser que não, então mata o próprio argumento anterior de que os Dez Mandamentos são o centro da articulação moral da Torah.
  • Assim sendo, por ser impossível negar a unidade e a holisticidade do conjunto moral de normas de leis estabelecidas na Torah, é correto dizermos que os Dez Mandamentos não são o centro de coisa nenhuma, mas Deus é o centro de onde emanam todas as normas morais e espirituais e que não pode haver graduações entre o texto dos Dez Mandamentos e de todas as determinações morais estabelecidas na Torah. Porque uma sentença moral expedida por Deus é parte “integrante” do Codex Moral Divino e não uma opção ética para a humanidade.
  • No texto dos Dez Mandamentos não está escrito literalmente: “não pode um homem fazer sexo com outro homem” – mas, nem por isto esta Lei divina pode ser desconsiderada e ela está envolta em toda a questão acerca do que é abominável e amaldiçoado diante de Deus exatamente na Torah, na Lei, nos escritos que fundamentam os apóstolos e profetas segundo se declara explicitamente em Efésios 2:20; 3:5; 2ª Pedro 3:2.
  • Tal fundamento é o que sustenta a base do argumento superior do Apóstolo Paulo ao falar da Lei que Deus implantou na Humanidade e pela qual todos serão julgados – tal Lei é “a Torah”, senão vejamos!

Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas. Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando  juntamente  a  sua  consciência,  e   os  seus  pensamentos,  quer acusando-os, quer defendendo-os; No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo (Yehoshua Mashiah), segundo o meu evangelho. (Romanos 2:9-16).

Eis aqui a verdade sobre a questão da intocabilidade da Torah!

Por extensão, não apenas os Dez Mandamentos são válidos nos dias atuais, mas centenas de outros preceitos morais e espirituais, que devem ser examinados nas Escrituras onde encontraremos a vida eterna (João 5:39; Salmos 119:105) e uma compreensão correta de Quem foi Cristo e o que Ele representa aqui e agora na nossa vida diante do Universo (João 5:39).

As palavras são contundentes:

  • O praticante do mal vai muito mal não importa se ele é judeu ou grego, crente ou ímpio – se o comportamento é em princípios do mal já é desgraçado em si e, tais somos nós sem aquela intervenção divina listada a pouco no texto de Ezequiel 36:22-25;
  • O contrário se verifica no homem do bem porque Deus não “faz acepção de pessoas”, isto é, a todos julga com imparcialidade (Efésios 6:9. Colossenses 3:25);
  • Então vem a compreensão plena do que tenho explicado com base em Romanos 2:9-16 – na forma de paráfrases:

“Se todos os que sem Lei (Torah) pecaram, sem Lei (Torah) perecerão; e todos os que sob a Lei  Torah) pecaram, pela Lei (Torah) serão  julgados. Porque os que ouvem a Lei (Torah) não são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei (Torah) hão de ser justificados”.

“Porque, quando os gentios (ímpios, anátemas, abomináveis), que não tem Lei (Torah), fazem naturalmente as coisas que são da Lei (Torah), não tendo eles Lei (Torah) para si mesmos são Lei (princípio de moralidade como o que se verifica na Torah); os quais mostram a obra da Lei (Torah) escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os (por obra espiritual e sobrenatural de Deus); no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho” isto é, segundo a Doutrina do Juízo ensinada pelos Apóstolos que aprenderam tal ensinamento diretamente de Cristo e que os filósofos e teóricos de mil e uma religiões nada aceitam ou entendem.

 (2.5.) Nossa Natureza Perversa – Entendendo Mais Ainda a Abominação Diante de Deus.

Pois bem, avançando na questão da abominação, abominável ou anátema – nossa grande opção nesta questão toda é a de investigar cuidadosamente o que seja “amaldiçoado por Deus” e escolher, mediante uma conduta firme e decidida, abandonar imediatamente!

Isto eu tenho que fazer e qualquer um que está lendo estas palavras deve fazê-lo!

Mas, entra em cena a questão da nossa natureza perversa que foi anteriormente comentada, ou seja, nós somos maus por natureza existencial carnal. Nascemos maus e não bons, somos por excelência um mar de iníquos.

Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal. (Jeremias 13:33).

Se dissermos que não temos pecado algum, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. (1ª João 1:8).

Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. (Isaías 59:2).

Eis que Deus não confia nos seus anjos e nem os Céus são puros aos Seus olhos, quanto mais o homem que é abominável e corrupto, e bebe o pecado como se fosse água. (Jó 15:15-16).

Como poderemos sair desta condição deplorável?

Sim, como poderemos conviver com a realidade de que Deus tem princípios morais supremos que devem ser guardados e que nos colocam dentro de Sua linha de ética e finalidade existencial, se ao mesmo tempo sabemos que somos incapazes de nos livrarmos da nossa condição iníqua, se o que desejamos sempre é exatamente o que a Lei (Torah) condena?

Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle. (Romanos 8:7-9).

Como vencer a inclinação natural que temos para o adultério, a mentira e tantas outras coisas que são terríveis diante de Deus e para as quais os devotos praticantes são considerados inimigos de Deus?

Inclusive os que se consideram grande coisa porque são membros da Igreja “a” ou “b”, são tão praticantes de tantas e tantas coisas que não conseguem vencer, e suas mentes sempre estão perturbadas. E consideram-se sempre dignos de julgar pecadores de todos os matizes e tipos, como se perfeitos e dignos de acusar fossem.

Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça. (João 7:24).

Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. (Mateus 7:1-5).

É por esta razão que sempre devemos ter primeiro o princípio da misericórdia que vem sempre antes de tudo ao lado da graça divina (Salmo 89:14). E o reto juízo + justiça, só pode haver quando se observa esta regra.

Como vermo-nos livres da natureza iníqua que nos leva a pecar?

O texto visto à pouco (Romanos 8:7-9) já apontou a direção para a solução desta questão profunda em seus amplos significados espirituais: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle!” (compare com Ezequiel 36:22-25).

Recentemente em uma discussão com um pretenso defensor da Lei (Torah) para nos salvar do dia do juízo, tive que suportar um interminável argumento de que os Dez Mandamentos eram a chave da moralidade bíblica e que havia na Escritura uma separação entre as leis morais e cerimoniais, depois, o defensor desta teoria argumentou que este e aquele mandamento é o mais importante[1] e que a Igreja verdadeira era aquela que defendia a importância da Lei de Deus (isto é, dos Dez Mandamentos) na Era atual.

Este legalista religioso, impertinente e chatérrimo, valeu-se de uma apologética conhecida e já consolidada de que “pecado é transgressão da Lei” (e é mesmo: 1ª João 3:4), afirmando que “onde não há Lei o pecado não é levado em conta” (e está certo: Romanos 3:20) – mas, todo o tempo valia-se destas citações para defender que a “Lei” aqui indicada seria, por hipótese absurda, somente os Dez Mandamentos e não a Torah com todas as suas determinações morais e espirituais.

Ele se esqueceu que não há no texto exato dos Dez Mandamentos em Êxodo 20 e Deuteronômio 5, nenhuma proibição de que um homem não pode se casar com a sua filha – isto ele só encontrará em outro trecho da Torah e, tal mandamento não pode ser colocado em inferioridade a qualquer um dos Dez Mandamentos (que são igualmente essenciais e de idêntico valor).

Depois de cerca de uns 45 minutos desta enorme conversa sem qualquer proveito para mim, mas que tenho que respeitar porque depois quero ser ouvido; eu lhe pedi que lesse o verso a seguir:

Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a Sua palavra não está em nós. (1ª João 1: 8-10).

Então impetrei este raciocínio, com as Escrituras nas mãos e creio que será suficiente para encerrar a querela acerca de como a Lei (Torah) deve ser entendida:

  • (Eu disse) – Amigo, você e toda a sua Igreja Denominacional entendem que esta passagem (1ª João 1: 8-10) é tão inspirada por Deus quanto os Dez Mandamentos?
  • (Ele respondeu) – Sim, é claro! Toda a Bíblia é inspirada por Deu
  • (Eu disse) – Você concorda que não há, sob qualquer hipótese, dentro de sua Igreja e fora dela, em qualquer lugar do Mundo, qualquer pessoa que possa dizer que não é pecadora segundo este texto explicita?
  • (Ele respondeu) – Concordo! Porque é claro que se alguém andar por aí dizendo que não é pecador, faz de Deus um mentiroso, como está claramente escrito neste texto!
  • (Eu disse) – Então admite que todas as pessoas são incapazes, de si mesmas, de guardar qualquer Lei de Deus, ainda que sejam os Dez Mandamentos (na sua visão) ou toda a Torah (na minha) e, é por isto mesmo que são chamadas de pecadoras carentes e precisam do perdão de Deus depois de confessarem esta incapacidade?
  • (Ele respondeu) – Concordo!
  • (Eu concluí) – Então a sua Igreja Denominacional e você tem que sair deste pedestal de superioridade, onde pensam que são melhores do que toda a espécie humana porque ficam por aí se dizendo defensores da proclamação da Lei que não pode ser abolida, e etc. – (prossegui dizendo) Isto é uma completa inutilidade argumentativa, porque na verdade, vocês são tão pecadores miseráveis como eu e qualquer outro de qualquer outra religião. O foco de vocês deveria ser o perdão de Deus diante de um Codex Moral que sendo válido com certeza jamais poderemos satisfazê-lo. Sim, porque se “pecado é transgressão da Lei” (e é) e ninguém pode se dizer “não ser pecador” – que jactância é esta de pretenderem ser “impecáveis” ou “perfeitos guardadores da Lei”, quando na verdade são pecadores e por isto mesmo transgressores da Lei? (prossegui dizendo) Enquanto sua enorme organização se concentra em defender o que até os gentios já sabem (que a vida deve ser governada por leis, veja-se Romanos 2:9-16), quem defenderá que somente recebendo o espírito de Cristo poderemos ser aceitos diante de Deus, não porque passamos a cumprir a Lei (seja ela a Torah ou os Dez Mandamentos), mas porque Cristo cumpriu e isto nos é imputado por Justiça diante do Universo?

Ele quis prosseguir no debate, mas eu encerrei esta discussão dizendo-lhe que não poderia avançar numa conversa inútil e que, ela se torna inútil para mim, na justa medida em que alguém pretende ser capaz de “cumprir ou guardar os dez mandamentos ou toda a Torah” por seu próprio esforço pessoal. Isto contraria totalmente a clara manifestação sobre nossa ética boa diante de Deus. Notemos:

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque SEM MIM NADA PODEIS FAZER. (João 15:1-5).

Senhor, Tu nos darás a paz, porque Tu És o que fizestes em nós todas as nossas obras (Isaías 26:12).

Porque Deus É o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade (Filipenses 2:13).

Eu já havia admitido que a Lei dos Dez Mandamentos que são um pedaço (importante é claro) de toda a Torah é válida como Código Moral, mas, que me considero um completo fracasso em tentar cumpri-la e que não tenho a menor possibilidade de satisfazer seus elevados princípios, de sorte que me concentraria em buscar e concentrar a minha mente na compreensão (João 15:1-5) de como posso receber o Espírito de Cristo e, como é possível tal Espírito, enfiado em minha mente e entranhas dos nervos mais profundos, levar-me a viver uma vida aceitável diante de Deus.

Isto não significava e nem significa que hoje mesmo eu vou sair por aí fazendo o mal, deliberadamente, nem que vou atender às minhas inclinações ruins, antes, significa que admito que sem a influência sobrenatural de Cristo eu estou completamente perdido e sem qualquer chance de viver uma vida limpa, justa, íntegra e honrada de fato e de direito.

Sem Ele estou perdido em mim mesmo, sem Cristo, “nada posso fazer” (João 15:1-5). E o primeiro passo para poder sair desta minha condição é admitir meu problema para mim mesmo e iniciar a busca pela libertação total e profunda acerca desta desgraça que é a minha abominação, minha maldição e minha miséria – a minha natureza iníqua!

É aqui que entra o estudo sobre “O Que é o Homem Espiritual?” – que será motivo de nossas considerações em outro estudo. Mas, esta nossa manifestação, neste documento, acredito, demonstrou claramente o que é abominação diante de Deus!

Eu termino este estudo afirmando àqueles que se servem de minha modesta contribuição aqui confiante de que a chave de todas as nossas misérias é a seguinte:

Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.

Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpem as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.

Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza.

Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tiago 4:6-10).

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Nota (referente a ponto acima comentado).

[1] Se o sujeito argumentante for um adventista do 7º dia, a sua fixação referente ao dia do sábado será a marca de uma longa necessidade de mostrar que todos os outros mandamentos são “segunda classe” e que este é o maior de todos os mandamentos. Este tipo de comportamento identifica alguém sem preparo algum para entender do que falamos neste trabalho ou mesmo o que significa a graça de Deus mediante a fé, ou mesmo a justificação pela fé ensinada em Romanos 5:1 e 8:1 (e outros). Mas, é outro tema.

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