A Grande Crise do Ser e do Ter e a Resposta de Deus.

30 de outubro de 2017

Nós somos Santuários de Deus! (1ª Coríntios 3:16-17; Hebreus 3:5-6).

Conhecer as causas das enfermidades físicas que assolam a humanidade é muito importante para o desenvolvimento científico e bem-estar de todos. No entanto, curá-las de acordo com os padrões naturais é ainda mais.[1]

1) Por Que Estabelecer Uma Base Moral?

Por que devemos falar sobre base moral e sentido da vida num livro sobre Educação Alimentar? Há uma célebre citação bíblica que nos dá uma ideia da relação íntima que existe entre o sentido da vida e o que comemos.

O episódio é realmente bem conhecido de todos nós. O tentador está diante do Cristo e Este chegou ao quadragésimo dia sem comer num deserto. Seu corpo físico anseia por alimento material como qualquer ser humano no seu limite de resistência física desejaria profusamente. O tentador declara então com ênfase: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”.[2] – Era a hora de um sério e objetivo confronto entre o representante do mal e o Príncipe do bem!

O que responde Cristo?

Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.[3]

Que extraordinária diferença para o caso de Adão e Eva que diante do mesmo tentador milhares de anos antes, cedem aos seus sofismas e procedem aleivosamente:

Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu e deu a seu marido, e ele também comeu.[4]

Estas palavras abrem nosso entendimento para compreendermos a grande relação que há entre a alimentação e o nosso sentido existencial. Segundo a Bíblia, no grande conflito com nossos primeiros pais e com Cristo, todo o esforço do tentador começa em algo que eles deveriam ou não comer, ou seja, a primeira escolha moral que uma pessoa deve fazer está diretamente relacionada com o domínio próprio, temperança e saúde.

Com certeza, a questão alimentar faz parte da base de toda a disputa sobre nossas vidas e tem repercussões no plano espiritual. Uma pessoa intoxicada não pode sequer pensar, quiçá entender as grandes questões que envolvem o destino de suas almas.

De todas as lições a serem aprendidas da primeira grande tentação de nosso Senhor, nenhuma é mais importante do que a que diz respeito ao controle dos apetites e paixões. Em todos os séculos, as tentações mais atraentes à natureza física têm sido mais bem-sucedidas para corromper e degradar a humanidade.[5]

2) O Problema de Ser e Ter.

Na resposta de Cristo ao tentador vem também em pauta a discussão sobre ser e ter!

O pão, das palavras de Cristo representa o nosso sentido de ter, o físico, o material, a quantidade e os desejos da carne. A Palavra de Deus representa o nosso sentido de ser, o espiritual, emocional e intelectual, a qualidade e os anseios pela transcendência.

E Deus é Quem viabiliza a satisfação dos dois contextos em perfeito equilíbrio como podemos ver neste exemplo escriturístico:

Todos esperam de Ti que lhes dês o sustento a seu tempo. Tu lhos dás, e eles o recolhem; abres a Tua mão e eles se fartam de bens. Escondes o Teu rosto e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem e voltam para o seu pó. Envias o Teu fôlego e são criados; e assim renovas a face da Terra.[6]

Quando Cristo declara que não é só de pão que vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus, Ele está indicando o grande problema de toda a espécie humana: a desnutrição moral (falta da palavra de Deus) e a desnutrição física (falta de adequada educação alimentar). Ele está dizendo que não podemos negligenciar nenhuma das duas para podermos ficar vivos com boa qualidade existencial. O tema ali é qualidade de vida!

E é exatamente por causa da desnutrição nestes dois aspectos que surgem as duas únicas enfermidades que verdadeiramente afligem a vida humana: a vacuidade existencial e a intoxicação orgânica.

Segundo as pesquisas[7] produzidas pelos Institutos de análise da quantidade de vida, o cidadão brasileiro vive em média 73 anos. Já a Bíblia, fundamento de toda a doutrina e cultura cristã, nos sugere vida até 70 ou 80 anos[8].

Por esta razão é oportuno que perguntemos: como viveremos este curto período de tempo? Em crise existencial? Intoxicados fisicamente? Possuímos qualidade de vida?

O filósofo espanhol George Santayana declarou: “entre o ventre materno e o túmulo, resta-nos viver intensamente o intervalo”; ou ainda de forma mais contundente: “que a vida vale a pena ser vivida é a mais necessária das admissões e, não sendo tal admitido, a mais impossível das conclusões”[9]; tenho acrescentado: “cuidemos, pois, com a intensidade e com os valores que praticamos neste intervalo para não acelerarmos a chegada do túmulo”.

Ora, não precisamos ser profundos observadores e especialistas em crítica social, para verificarmos que a população vive dias inglórios! São adenopatias, doenças cardíacas, reumatismo e cefaléia; são cáries dentárias, dispnéias, gastrites e doenças emocionais. A lista da Classificação Internacional de Patologia identifica mais de três mil moléstias.

A vida, ou o intervalo entre o ventre materno e o túmulo, tem sido muito ruim em nosso tempo! De onde vem esta infelicidade e deprimente condição física e moral? Compreendemos que está na perda das referências morais e na falta da Educação Sobre Saúde! E entendemos que a orientação apostólica sobre o tema: “saúde e qualidade de vida”; na formação da Igreja Cristã Primitiva, é iluminadora e fornece embasamento conceitual suficiente para entendermos como podemos sair desta situação trágica.

Eis alguns dos fundamentos desta visão primitiva que deve ser resgatada:

E o próprio Deus de paz vos santifique (eduque) completamente; e o vosso corpo, alma e espírito sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor.[10]

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos, como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este Mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.[11]

Não sabeis que o vosso corpo é Santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o Santuário de Deus, Deus o destruirá, porque sagrado é o Santuário de Deus, que sois vós.[12]

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.[13]

Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas e que tenhas saúde, assim como vai bem tua alma.[14]

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e vida em abundância.[15]

Amarás, pois, ao Senhor Teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. (…) Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há maior mandamento do que esses.[16]

Longe da imensa disputa teológica que está sendo levada a efeito em nossos dias em diversos cenários e conjunturas, notamos a simplicidade de uma proposta que se demonstra perfeitamente compatível com o melhor conhecimento da fisiologia médica que dispomos, e que evidencia que a visão holística (integralista) que tanto se fala hoje, já era tema resolvido na comunidade cristã primitiva, como vimos nos versos enunciados aqui.

A positiva Educação Alimentar e uma correta Educação Moral só podem ser conquistadas a partir desta visão superior que considera-nos Santuários Espirituais. Hoje, nossos desafios são: o individualismo que prega uma independência irresponsável; a libertação de entraves para a educação solidária; e o desafio de promover uma Educação Alimentar que seja eficiente na casa das pessoas.

E é oportuno dizer que a crise é tão imensa que temos visto surgir um novo tipo de ser humano; eu o chamo de mega-esquizofrênico! São pessoas que vivem entre a fantasia de que seus problemas materiais se resolverão com religião[17], programação neurolingüística ou aderindo a filosofias niilistas e, ao mesmo tempo, estão enfiadas em estresse, angústia, desordenamento mental, histeria, síndrome do pânico, arritmias e disritmias cardíacas insolúveis.

Refletem o fato de que a crise do ser e do ter nunca foi tão drástica na sociedade! Chega ao absurdo de religiões que estão no “mercado” com propostas tribalistas da época dos totens animistas, com copos d’água e objetos (tipo amuletos) que poderão dar as pessoas saúde e salvação, como se a fé fosse um poder humano e não um dos dons de Deus como lemos em Efésios 2:8-9.

Ora, saúde é questão de fisiologia corporal, não é questão pertinente ao misticismo!

3) As Duas Únicas Enfermidades Humanas.

Dissemos que a vacuidade existencial e a intoxicação orgânica são as duas únicas enfermidades. O que os apóstolos propuseram foi que esta condição estará resolvida no momento em que as pessoas entenderem que são Santuários Espirituais. Duas citações de renomados estudiosos brasileiros, Márcio Bontempo e José Giovanetti, ampliam a questão:

Fato digno de nota é a condição do sangue no homem moderno, muito ácido, bastante viscoso, pobre em oxigênio, carregado de toxinas e excesso de gorduras, remédios e minerais como cálcio e sódio. (…) Perdeu-se também a noção de que a presença de toxinas, geralmente acumulativas, leva a uma intoxicação lenta e progressiva e à diminuição da capacidade orgânica, agindo principalmente no sistema imunológico ou de defesa e nos sutis mecanismos de auto-regulação e compensação, perturbando profundamente o metabolismo intermediário, tão importante para o equilíbrio homeostático.[18]

O fim do século XX e o início de um novo milênio revelam-nos uma série de transformações jamais vistas na História da Humanidade. A Civilização Ocidental neste fim de milênio, afirma-se como o modelo da primeira Civilização Universal, impondo ao resto do Mundo sua maneira de organizar a sociedade, seu estilo de vida e seus valores. Esse modelo de viver se expressa no chamado projeto da modernidade que, tendo-se iniciado no final do século XVIII, enfrenta, hoje, sua mais profunda crise. O modo de ser que surge da crise instalada a partir dos anos 60 (1960), vem sendo denominado de vida ‘pós-moderna’. Ora, os problemas que os homens contemporâneos estão vivendo, são diferentes dos que vivia até então, isto é, a profundidade da crise gerou um tipo de questão que o homem já se havia colocado no passado, mas que não havia enfrentado com tanta dificuldade (…), ou seja, um sentimento de vazio interior e de absurdidade da vida, uma incapacidade de sentir as coisas e os seres. Os pacientes não sofrem mais de sintomas fixos, mas de desordens vagas e difusas; a patologia mental obedece à lei do tempo, na qual a tendência é a redução da rigidez, como a liquefação das referências estáveis. (…) A era contemporânea apresenta como sintoma mais significativo dos problemas existenciais do homem pós-moderno o vazio emotivo, que se manifesta na impossibilidade de sentir a vida, e na perda da substância dos valores, isto é, no esvaziamento do significado das coisas.[19]

O tipo mega-esquizofrênico está se tornando uma imensa maioria que permanece intransigente consigo mesma nesta situação. E está assim porque vive vazia existencialmente e intoxicada organicamente. Não consegue buscar a Deus com inteligência e, desesperada lança-se em busca de deuses absolutamente inúteis; com destaque para o ateísmo racionalista; a toxicomania; as diversas formas de terapias alternativas sem embasamento científico; e, o mais terrível de todos os novos deuses: o discurso religioso fanático de que nossas moléstias podem ser simplesmente retiradas de nós mediante rituais religiosos e psicológicos, desconsiderando o estilo de vida dietético que escolhemos adotar.

Este último problema está alastrando-se em centenas de religiões que usam técnicas nazistas de discurso público, com gritarias e indução psicológica para analfabetos funcionais que não conseguem ler nem mesmo um manual sobre um produto qualquer. A este modelo eu apresento minha indignação pessoal porque tem servido de meio de lucro de uma nova elite diabólica: o religioso capitalista! É absurdo que milhares de pessoas sem preparo para crítica educativa e teológica sejam enganadas como tem acontecido. Carregados de sangue tóxico, são levadas por métodos mesquinhos de puro sensacionalismo religioso a acreditar que o ritualismo curandeirista irá curar suas moléstias, sem que seja necessária uma séria Educação Alimentar; ora, não é de admirar que tais pessoas não saiam do quadro de acidose sangüínea permanente e não parem de vir em busca desta tal cura milagrosa quase que todos os dias; afinal não possuem Educação Moral mesmo![20]

Já não é tempo do Estado e da Igreja colocarem um ponto final neste descaso para com a Educação Alimentar e para com a Educação Moral?

4) Como Nossa Alimentação Afeta Nossos Pensamentos.

Ainda dentro do contexto de que “não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, uma explicação deve ser dada sobre a relação da alimentação com nossa capacidade de percepção sobre o sentido da vida.

Vejamos bem, a percepção do sentido da vida se dá dentro de nosso cérebro, onde se manifestam nossas faculdades emocionais, racionais e espirituais. O funcionamento adequado do cérebro é condição sine qua non para que qualquer um de nós possa viver com normalidade. Este é um tema que dispensa maiores esclarecimentos, pois é sabido universalmente que disfunções no cérebro são perceptíveis no autocontrole geral humano. Nenhuma pessoa “pensa com o pé ou com as mãos”!

Muito bem, chamamos vossa atenção agora para o fato igualmente conhecido, de que o cérebro só pode funcionar com sangue. Ora, sendo assim, não resta a menor dúvida de que a qualidade de nosso sangue afeta diretamente a qualidade dos nossos pensamentos. Iremos enfocar muito esta posição em nosso trabalho porque ao nosso ver, é incontestável; bastando para tanto observar um alcoólatra cujo sangue é altamente ácido!

Segundo o Dr. Deepak Chopra:

Na verdade, qualquer insatisfação precisa se transformar fisicamente, porque todos os nossos pensamentos se transformam em substâncias químicas. Quando você está feliz, essas substâncias de seu cérebro atravessam o corpo todo, anunciando a todas as células sua felicidade. Ao ouvirem a mensagem, as células também ficam “felizes”, isto é, passam a funcionar melhor e alteram seus próprios processos químicos. Porém, quando você está deprimido, acontece o contrário. Sua tristeza é distribuída quimicamente a cada célula, causando, por exemplo, um infarto e enfraquecendo seu sistema imunológico. Tudo o que pensamos e fazemos se origina no interior do corpo mecânico quântico e depois atinge a superfície da vida.[21]

É por isto que afirma a Escritura:

O coração alegre serve de bom remédio; mas o espírito abatido seca os ossos.[22] A ansiedade no coração do homem o abate; mas uma boa palavra o alegra.[23] O coração alegre aformoseia o rosto; mas pela dor do coração o espírito se abate. (…) Todos os dias do aflito são maus; mas o coração contente tem um banquete contínuo.[24]

Dar atenção a relação que existe entre percepção moral e alimentação é um tema intrigante e novo para muitos, mas, com certeza um tema forte em suas colocações e seriedade.

Intemperança de qualquer espécie embota os órgãos perceptivos, enfraquecendo tanto as energias cerebrais, que as coisas eternas não são apreciadas, mas consideradas comuns. As mais elevadas faculdades da mente, destinadas a elevados desígnios, são postas em servidão às paixões inferiores. Se nossos hábitos físicos não são corretos, nossas faculdades mentais e morais não podem ser fortes; pois existe grande afinidade entre o físico e o moral.[25]

A relação entre a qualidade de nosso sangue e a qualidade do funcionamento de nosso cérebro foi bem marcada pelo emérito Dr. Eduardo Alfonso, ex-catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Madrid quando fala sobre a energia nêurica que circula em nosso Sistema Nervoso:

O produto da digestão (quimo), é absorvido no intestino delgado e passa ao sistema entérico, que desemboca pelo canal torácico no sistema venoso. Deste modo temos já o material transformado, em pleno domínio do sistema cárdio-toráxico. O sangue entérico é levado pela circulação aos pulmões donde se estabelece um câmbio osmótico através da membrana de seus alvéolos; fixando o sangue no oxigênio do ar (presente na hemoglobina dos glóbulos vermelhos, que se transforma em oxi-hemoglobina) e expulsando toxinas das combustões orgânicas. Logo, o coração manda ao sangue oxigenado e vitalizado a todos os âmbitos orgânicos, eliminando os resíduos não absorvidos, quer pela urina ou pelo suor. (…) Sintetizando: o sistema torácico sublima o produto da digestão queimando com o oxigênio do ar, os produtos nutritivos. Seu elemento vivificador é a eletricidade, que converte o oxigênio molecular em oxigênio atômico, muito mais ativo. Chega do sangue ao sistema craniano (ou encefálico) pelas artérias e o plasma linfático aos ventrículos cerebrais desde a periferia do encéfalo, por todos os espaços sub-aracnoideos. E no centro do aparato encefálico, os produtos da combustão dos primitivos materiais nutritivos, se fixam em compostos nitrogenados (lecitinas, neuroglobulinas, etc.), de grande poder emissivo de energia nêurica. As escórias desta função se eliminam pelo aparato genital, e os materiais sublimados marcham desde o ventrículo médio pelo talo da hipófise e pelo quarto ventrículo, convertidos em matéria em estado radiante (energético).[26]

Esta breve enunciação de um tema de tão grande abrangência pode e deve ser compreendida por toda a população do nosso país e do Mundo; porque a qualidade de nossa vida depende da atitude que cada um de nós tomar em relação a este conhecimento. Um dos grandes expoentes desta posição no Brasil é o Dr. Durval Stockler de Lima que declara:

Eu estava convencido que toda doença tem uma causa, e que nós construímos o estado de doença assim como o da saúde. Princípios e leis devem ser seguidos se quisermos ser sadios. E estes princípios e estas leis, nós os encontramos observando a Natureza, estudando nosso corpo e relacionando tudo com a ordem do Universo. Precisava de um ponto de partida, e este encontrei em frases e pensamentos esparsos. O Dr. Tom Douglas Spies, numa reunião anual da American Medical Association, disse o seguinte: ‘Se tão somente conhecêssemos o bastante, todas as doenças poderiam ser evitadas e curadas pela nutrição apropriada… Se pudermos ajudar os tecidos a repararem-se a si mesmos, corrigindo suas próprias deficiências nutricionais, poderemos fazer a velhice esperar’. Outro médico americano, o Dr. George D. Crile, diretor da Crile Clinic, disse: ‘Não há morte natural. Todas as mortes das assim chamadas causas naturais são meramente o ponto final de uma progressiva saturação ácida’.

E para citar apenas mais uma autoridade médica, transcrevemos as palavras do famoso cirurgião inglês, Sir William Arbuthnot Lane: ‘Existe apenas uma doença – drenagem deficiente.’ E depois, falando numa recepção feita pelo corpo médico do Johns Hopkins Hospital and Medical College, disse, referindo-se ao câncer: ‘Ele é causado por venenos criados em nosso corpo através do alimento que comemos. … O que devemos então fazer, se queremos evitar o câncer, é comer pão de trigo integral, frutas e hortaliças cruas; primeiro, para que sejamos melhor nutridos, e segundo, para que melhor possamos eliminar os dejetos. … Temos estado a estudar os germes, quando deveríamos ter estado a estudar dieta e drenagem. … O Mundo tem estado na pista errada. A resposta tem estado conosco o tempo todo. Drene o corpo de seus venenos, alimente-o apropriadamente, e o milagre estará feito. Ninguém precisa ter câncer, contanto que se dê ao trabalho de evitá-lo.[27]

A “saturação ácida” é a própria intoxicação orgânica, a causa de todas as nossas desgraças físicas e que por extensão nos afeta terrivelmente na condição emocional pela disfunção que provoca na produção hormonal, inviabilizando assim pensamentos corretos.

O plano de que “temos estado a estudar os germes, quando deveríamos ter estado a estudar dieta e drenagem”, nos fortalece a convicção científica de que o profissional de saúde deve pensar assim: Drene o corpo de seus venenos, alimente-o apropriadamente, e o milagre estará feito.

É um dever saber como preservar o corpo na melhor condição de saúde, e é dever sagrado viver à altura da luz que Deus graciosamente tem dado. Se fecharmos os olhos à luz pelo temor de ver os erros que nao desejamos abandonar, nossos pecados nao são por isto amenizados, mas agravados. Se a luz é evitada num caso, será desconsiderada noutro. Tão pecado é violar as leis de nosso ser, como quebrar um dos Dez Mandamentos, pois não podemos num caso como no outro deixar de quebrantar a lei de Deus. Não podemos amar o Senhor de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo nosso entendimento e com todas as nossas forças enquanto estivermos amando nosso apetite, nossos gostos, mais do que amamos o Senhor. Estamos diariamente reduzindo nossa força para glorificar a Deus, quando é certo que Ele reclama toda a nossa força, todo o nosso entendimento. Mediante nossos hábitos errôneos estamos debilitando o sustentáculo de nossa vida, e no entanto professando ser seguidores de Cristo (…), tendes uma obra que ninguém pode fazer por vós. Despertai de vossa letargia, e Cristo vos dará vida. Mudai vosso modo de viver, de comer e de beber, e vosso sistema de trabalho. Enquanto continuardes no caminho que tendes seguido por anos, não podereis discernir com clareza coisas eternas e sagradas. Vossas sensibilidades estão embotadas, e vosso intelecto obscurecido. Não tendes estado a crescer em graça e no conhecimento da verdade como é vosso privilégio. Não tendes crescido em espírito, mas aumentado em trevas.[28]

No meu dia-a-dia no Consultório de Terapias Naturais e Capelania tenho recebido pessoas que dizem: “eu não sei se posso deixar de comer coisas que gosto”; ou ainda: “terei de deixar os prazeres de minha mesa?”

Tenho respondido da seguinte forma sempre: “se você não tem qualquer alteração metabólica devidamente atestada por exames que demonstram claramente este fato e se está com as funções intestinais, renais, epiteliais e respiratórias em total normalidade, então está tudo bem” – mas, isto digo porque de fato é impossível que uma pessoa possa ter saúde verdadeira estando carregada de toxinas que os intestinos não liberaram do corpo.

A lógica é simples: como pode alguém pretender saúde se vive com o ventre carregado de restos de animais que estão em putrefação, que são cadáveres dentro de seus intestinos? Como pode alguém que recebe na corrente sangüínea toda sorte de gases tóxicos resultantes da decomposição orgânica de um porco ou de um boi dentro de seu ventre ser saudável?

Que pensamentos tem uma pessoa com este perfil?

Os patologistas e gastroenterologistas sabem que alimentos em estado de putrefação nos intestinos geram ácidos do tipo cadaverina, indol, escatol, indicana, muscarina, neurina, putrescina, septicina, amônia, ácido butírico, fenol, cresol, sepsina, botulina, dentre outras. Estes ácidos são os responsáveis pela presença de radicais livres em nossos tecidos, pela geração de tumores, doenças degenerativas de toda sorte e, sobretudo das anormalidades cerebrais que afetam todos os nossos pensamentos, emoções e percepções espirituais.

Isto é fato científico, é fato demonstrável agora mesmo em qualquer lugar onde haja uma pessoa com o ventre inchado pela presença de elevada quantidade de fezes. Ela é nomeadamente uma pessoa “enfezada” e seu comportamento é reflexo desta toxemia.

Ao buscarmos estabelecer a base moral da importância da Educação Alimentar para a sociedade, lembramos do axioma de Feuerbach: “você é o que come”; se este assunto não fosse tão sério, teria o tentador da Humanidade perseverado tanto neste aspecto?

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[1] COSTA, Luiz Carlos, Viva Melhor Com a Medicina Natural. Edições Vida Plena, Itaquaquecetuba, SP. 1997, p. 9.

[2] Mateus 4:3.

[3] Mateus 4:4 (Ver Deuteronômio 8:3).

[4] Gênesis 2:6.

[5] WHITE, Ellen Gould. O Desejado de Todas as Nações. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 2000, p. 122.

[6] Salmo 104:27-30

[7] Veja-se www.ibge.gov.br

[8] Salmo 90:10-12.

[9] DURANT, Will. História da Filosofia. Editora Nova Cultural. São Paulo, SP. 2000, p. 459. (Citado em)

[10] 1ª Tessalonicenses 5:23.

[11] Romanos 12:1-2.

[12] 1ª Coríntios 3:16-17.

[13] 1ª Coríntios 10:31.

[14] 3ª João 1:2

[15] João 10:10

[16] Marcos 12:30-31.

[17] Antes que críticos quanto a expressão “religião” usada aqui digam que estou desviando a atenção da fé cristã, pretendo deixar claro que segundo o Evangelho, o Espírito de Deus é quem realiza a obra de convencimento do pecado, do juízo e da justiça e, a graça de Cristo é que salva, de sorte que a Igreja é, no máximo, um método divino para fazer fluir aqueles poderes que nos levam ao novo nascimento. A Igreja é a Escola, Cristo o Salvador.

[18] BONTEMPO, Márcio. Relatório Órion – Denúncia Médica. L&PM Editores. Porto Alegre, RS. 1985, p. 14-15.

[19] CASTRO, Dagmar Silva Pinto de. Existência e Saúde. Editora UMESP. São Bernardo do Campo, SP. 2002, p. 91-92. Texto de José Paulo Giovanetti, da Universidade Federal de Minas Gerais.

[20] Sobre a questão do descaso de algumas instituições religiosas sobre a Educação Alimentar e promessas de falsas curas: Como conhecemos a abrangência de nossas declarações, especialmente onde falta bom senso e inteligência devido ao fanatismo religioso, queremos declarar desde já o seguinte: (a) “Não vos enganeis, Deus não se deixa escarnecer; pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque quem semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas quem semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna” (Gálatas 6:7-8). (b) Não podemos deixar de esquecer igualmente que desde os dias do Antigo Testamento esta regra foi claramente conhecida dos fiéis, como podemos ver nestas palavras: “Servireis, pois, ao Senhor vosso Deus, e Ele abençoará o vosso pão e a vossa água; e tirará do meio de vós as vossas enfermidades” (Êxodo 23:25). (c) Este serviço era de obediência às Suas Leis: “Se ouvirdes atentamente a voz do Senhor teu Deus, e fizerdes o que é reto diante dos Seus olhos, e inclinares os ouvidos aos Seus mandamentos, e guardares todos os Seus estatutos, sobre ti não enviarei nenhuma das enfermidades que enviei sobre os egípcios; porque eu Sou o Senhor que te sara” (Êxodo 15:26); (d) Ainda para definir este assunto, evitando o argumento ignóbil de que Deus não usa o conhecimento médico para abençoar seus filhos, lembramos que: “Não vos enganeis meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em Quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:16-17). Cremos que a Educação Alimentar é também parte desta “boa dádiva”!

[21] CHOPRA, Deepak. “Saúde Perfeita”. Editora Best Seller. São Paulo, 2004, p. 126.

[22] Provérbios 17:22.

[23] Provérbios 12:25.

[24] Provérbios 15:13,15.

[25] WHITE, Ellen Gould. Temperança. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1999, p. 12-13.

[26] ALFONSO, Eduardo. Medicina Natural em Cuarenta Lecciones. Editora Kier, Buenos Aires. Argentina, 1992. p, 57-58. (Tradução livre).

[27] LIMA, Durval Stockler de. “Nutrição Orientada e os Remédios da Natureza”. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1985. Página 18. Grifos acrescentados.

[28] WHITE, Ellen Gould. Conselhos Sobre o Regime Alimentar. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 2002, p. 44-45.

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