Sobre o Divórcio e Novo Casamento (1)

11 de dezembro de 2017

Eu sempre faço verificações sobre meu textos na Internet e, para minha curiosa atenção, alguém postou um link com um texto meu, preservando meu nome, inclusive, e ele está disponível em:

Divórcio e Novo Casamento, Uma Visão Realista – Prof. Jean Alves Cabral

E este artigo é, uma manifestação bem ampla de minha parte sobre este assunto.

Mas, não repetirei o que escrevi neste texto longo (em forma de estudo) e sim, uma breve consideração sobre uma manifestação que é clássica e com a qual discordo em parte e, sazona por muitos lugares.

Sim, uma coisa é respeitarmos a manifestação do pastor “a” ou “b” e outra é sermos tolos que aceitam tudo a qualquer momento, só porque foi dito por tais representantes do establisment religioso em nossa microcultura.

Quero apontar como elemento de análise o sermão proferido pelo nobre Pastor Paulo Junior, que aqui vou indicar e que é de foro público:

 

Por razões pessoais, e especialmente por pesquisar este tema há alguns anos, me posiciono contrário à muitos aspectos defendidos por ele nesta manifestação – mas, não em tudo.

A principal linha que defendo é  a de que “cada um de nós dará conta de si mesmo diante de Deus” (Romanos 14:12) e, não compete a ministério pastoral algum definir a salvação e nem o juízo para quem quer que seja. Especialmente no quesito casamento.

Todos nós temos o direito de aceitar ou discordar de uma determinada situação, o que não podemos é querer impor a todo custo o que achamos ser correto para as outras pessoas – elas devem ser deixadas livres para seguirem suas vidas e, em seguida, e neste ponto vem o mais difícil: permitir-se à elas o pleno direito de viverem sem qualquer sombra de bullying.

Mas, isto seria pauta para outro texto!

O que não admito é a intolerância que discursos como estes criam, quando, de modo bem claro, há inconsistências argumentativas e “fios desencapados” nitidamente manifestos.

Vejamos alguns!

(1) O que Deus juntou não separe o homem. Ok. Não há que se discordar de uma frase clara de Cristo. Mas, perguntar não ofende, certo? Então, pergunto:
– Mas e o que Deus não juntou, quem mantém colado?

(2) Outra questão na mesma linha de consideração desta última pergunta:

– Qual a Igreja que define este “o que Deus juntou”? Vale a Igreja Católica Romana ou só a deste Pastor? Vou abrir a questão com mais cuidado. Um homem se casa com uma mulher no altar católico que os evangélicos chamarão – por razões notórias na área teológico-histórica e religiosa, como um altar idólatra e paganizado – o trabalho sacerdotal do padre pagão (nesta hipótese) é válido para celebrar o casamento? Se sim, então Deus está com tal sacerdote unindo o casal? Mas, Deus opera no altar cheio de ídolos? Se não, seria correto considerar todos os casamentos católicos como casamentos celebrados no altar do diabo e, por isto mesmo todas as pessoas casadas sob este ministério estariam sujeitas a uma espécie de “falso matrimônio”?

O cuidado com esta questão que acabo de erguer coloca em cena uma outra questão delicadíssima que apontará para a afirmação sobre qual é a Igreja que de fato representa Cristo e o Reino de Deus neste mundo e uma nova janela de discussões se imporá.

(3) Outra consideração que não pode passar inócua:
– Se o critério divino para o casamento é uma inflexibilidade que pode exterminar a possibilidade de salvação de alguém, caso o sujeito se case outras vezes (pós-divórcio), que critério moral tem Deus (nesta proposta interpretativa do vídeo) que, neste caso, faz acepção de pessoas, dando a Davi com suas 30 mulheres uma posição de relevância espiritual, inclusive inspiração de Salmos e, por outro lado, amaldiçoa os pobres mortais da atualidade colocando-os numa situação de lixo moral se tiverem um segundo ou terceiro casamento? Qual a coerência divina nestes casos?

Outra questão:

(4) A abordagem demanda reflexão cuidadosa e não uma teologia inflexível. Por quê? Porque a avida das pessoas não se decide em púlpitos, nem em igrejas e nem na sua ou minha opinião. É tema que possui séria cautela. E vou apontar um último ponto para a justa reflexão. Em Romanos 13 se declara que as autoridades, são constituídas por Deus e que devemos ser sujeitos à estas autoridades. Então, o Juiz de Paz celebra meu casamento de acordo com a Lei Brasileira e todo mundo diz: “santo é!” – “tá amarrado e ninguém pode desfazer!”. “Deus juntou!”.

  • Mas, e quando esta mesma autoridade (Juiz de Paz), com base na mesma Lei (Lei Brasileira), permite o Divórcio (pela autoridade que Deus instituiu na Nação diante de Si) – então não vale nada?

Estas provocações estou trazendo para a justa reflexão porque acredito que todo discurso legalista, maniqueísta, manipulativo e tendencioso deve ser enfrentado com raciocínios claros!

Deus tem sido “pintado” como o duríssimo juiz em tempos onde a graça tem abundado mais que em qualquer outra época! E digo isto não por pretexto de justificativa para mil e um divórcios e outros casamentos – mas, porque o resgate das vidas deveria vir antes de qualquer norma de ética denominacional imposta a certa comunidade.

Porém, vejamos bem:

(5) Em Deuteronômio 24:1-4, Deus autoriza por meio de Moisés que houvesse divórcio em Israel e com ele a mulher poderia casar-se novamente. Isto é a Torah! A Lei de Deus, pela qual se pode aferir o significado de pecado (1ª João 3:4; Romanos 3:20; 4:15-17) – mas, daí A INTERPRETAÇÃO escolhida pelo nobre Pastor, que junta versos bíblicos que atendem à sua intenção explicativa, impõem uma espécie de SENTENÇA que parece infalível, inflexível, indiscutível, intocável – porém, os grandes nomes da Bíblia, que estão já garantidos na sua salvação por testemunho das Escrituras, inclusive muitos deles citados como heróis da fé, tiveram mais de uma esposa e nem por isto estavam sob domínio do Satanás e nem são considerados como sujeitos que devem ser maltratados e perseguidos pelas denominações que servem a este tipo de teologia defendida por este Pastor que representa muitos outros da mesma linha.

Eu defendo que haja divórcio como uma base da vida social? Não.

Porém, há hoje uma considerável carga de divórcios e milhões de pessoas são atingidas por ele. O que a Igreja tem feito pela preservação dos casamentos? É aí onde entram minhas provocações: que Igreja? Onde o casamento é válido? Quem define isto é o Papa ou as comissões das centenas de evangélicas? (Para vermos a abrangência dos divórcios:

(conferir: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/brasil-alcanca-a-maior-taxa-de-divorcio-dos-ultimos-26-anos-9szdzdv8sv55ridijb022yn2m)

(6) Por fim, eu fico aqui analisando que por séculos, as mulheres foram forçadas a casarem com os homens que seus pais escolhiam. Não tinham direito a nada em termos de escolher e nem de poderem amar de verdade – mas, sufocadas em seus desejos pessoais, lançadas num esquema de serem usadas sexualmente por homens que muitas vezes consideravam nojentos e, no entanto, eram obrigadas a aceitar EXATAMENTE POR CAUSA DESTA CONVERSA DE QUE “O QUE DEUS JUNTOU NÃO SE SEPARA” – e, a pergunta-chave é: Deus juntou isto? Ou seja, Deus apoia forçar mulheres e isto é a santidade do casamento por milhares de anos de jugo da Igreja Institucionalizada?

Conclusão

São reflexões. Não são ataques.
Porque há milhares de pessoas que querem reconstruir suas vidas ao lado de Cristo, mas a inflexibilidade teológica impede esta aproximação e, exatamente por isto, a única maneira de se obter a salvação na vida pessoal que é pela comunhão com Cristo e não com pastores e igrejas (João 15:1-5) é impedida por:

(1) constrangimento contra o divorciado que se casou novamente;
(2) perseguição ideológico-religiosa com sermões deste tipo aí acima como se fossem o sinete da intocabilidade teológica;
(3) impedimento de participação na vida comunitária porque o sujeito se torna uma espécie de Caim marcado na testa como um criminoso amaldiçoado por uma congregação cheia de fofocas sobre a vida alheia; e,
(4) ninguém tem qualquer interesse em estabilizar a vida da pessoa que está nesta situação, mas a proposta é: (a) destruir sua situação atual, (b) obrigá-lo a uma vida de solidão quando não é bom que pessoa alguma viva só, (c) fazê-la imergir na vida social da Igreja da mesma forma que os socialistas e comunistas fazem com seus asseclas e desenvolver assim na pessoa um bocado de psicoses e neuroses, (d) tornar o sujeito uma pessoa cheia de uma enorme carga sexual suprimida por uma impostação religiosa que é errônea, falha e válida apenas para certo circuito de pessoas que aceitam se sujeitar a este jugo.

Pr. Jean Alves Cabral
www.espiritual.professorjean.com

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