Da Importância de Disputar as Escrituras.

25 de dezembro de 2017

Lendo as Escrituras eu encontrei a seguinte exposição repetida em algumas passagens:

E falava ousadamente no nome do Senhor Jesus. Falava e disputava também contra os gregos, mas eles procuravam matá-lo. (Atos 9:29)

De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos, e todos os dias na praça com os que se apresentavam. (Atos 17:17)

E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos. (Atos 18:4)

E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus. (Atos 18:19)

E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilicia e da Ásia, e disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava. (Atos 6:9-10)

E ouviram os apóstolos, e os irmãos que estavam na Judéia, que também os gentios tinham recebido a palavra de Deus. E, subindo Pedro a Jerusalém, disputavam com ele os que eram da circuncisão (Atos 11:1-2).

A Igreja foi fundada em disputas intelectualizadas de argumentos sobre as Escrituras e sobre o entendimento decorrente de suas bases. Isto é absolutamente fato! Apenas uma sujeito que nada sabe acerca da Bíblia e da sua função contestaria este argumento definitivo e histórico.

A situação é tão ampla que há até mesmo passagem que prova que até Anjos disputaram com base nas Escrituras. Onde está isto?

Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. (Judas 1:9).

Há um bocado de gente sem preparo algum que entra na Internet, não estuda nada, não lê nada, não tem profundidade em coisa alguma; é fruto de uma educação pobre e oriunda do socioconstrutivismo materialista dialético, e pensa que tem inteligência constituída para demandar acerca de algum assunto sério e profundo. Isto é simplesmente irritante!

O Prof. Olavo de Carvalho em palestra proferida na OAB-São Paulo[1] afirmou que isto é definitivamente uma das coisas mais irritantes para qualquer intelectual, porque o sujeito que nos interpela não leu nada sobre o assunto, não domina coisa alguma, mas é um palpiteiro e ainda posa de grande figura!

Na falta de argumento, estas personalidades vazias, fracas e sem vergonha na cara, saem com o quê mesmo? Nada. Obviamente porque não possuem nada para oferecer, fruto de sua inércia e incapacidade para um debate intelectual com amplitude de entendimentos que justifique a sua pretensão de ser alguma coisa.

Normalmente apelam para ataques pessoais ao proponente da pauta. Pretendem um ataque à pessoa e nada sai de sério e bem produzido sobre o assunto em tela. Notemos bem: Sobre o tema? Nada. Sobre a pessoa que apresentou o tema? Imprecações e maldições!

Está escrito:

Não cuideis que vim trazer a paz a terra; não vim trazer paz, mas espada; porque Eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra. (Mateus 10:34-35).

O próprio Cristo afirma que veio para provocar as consciências à uma cena de debates e de conflitos, mas há quem pense que a vida da Igreja é um lugar de serena musicalidade e dominação de um clero covarde que só pensa em dinheiro e arrota o tempo todo que é grande coisa, que ninguém pode contestar coisa alguma, porque seriam seus dignitários: semideuses, figuras investidas de “poder” e ressuscitando a imagem do “feiticeiro, do guru, do pajé, do mago” – se impõem à todos os cenários e à todas as pessoas como se fossem inatacáveis.

Imbecilizados, os membros que se sujeitam a este tipo de cena e de atitude, merecem de fato serem escravos, capachos e párias que servem para engordar o bucho de seus mestres até que estes infelizes morram de doença ou velhos, como qualquer outro ser humano – muito embora os seguidores, cegos não percebam isto.

Ora, há heresias no mundo da Igreja? Sim. E o que disse o apóstolo sobre isto?

E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós. (1ª Coríntios 11:19).

Mas como o Vaticano lidou com isto antes de ser humilhado pelo General Berthier, que em 1798, sob as ordens de Napoleão Bonaparte, entrou em Roma, pegou o Papa da época e colocou-o a ferros? O Vaticano matou, pilhou, esmigalhou, torturou, estourou miolos, encarcerou, ferrou, exterminou da Terra – todos os que ousaram “pensar”, “falar” ou mesmo “ler”. O povo comum não teve, por mais de mil anos, qualquer direito ao ensino público como o conhecemos hoje. O feudalismo, aliado da Igreja e dos poderosos que por lá se firmaram e dominaram foram uma desgraça para a Humanidade e, só não foi pior, porque Deus criou uma resistência dentro da Igreja: os heréticos!

Quem eles representam? Os que ousam dizer: “eu discordo desta doutrina tal e tal!”.

Temos que parar com esta coisa de:

  • Agir como moleques que preferem se atacar quando uma questão séria que nos contraria é apresentada – por mais dura que ela seja;
  • Temos que ter a sobriedade de dizer: “onde está o seu documento de exposição temática inteiro?” e receber o material que ataca o que dizemos que cremos; e,
  • Estudar o material com a seriedade de quem enfrenta um problema pessoal e respondê-lo, se para derrubá-lo (“ok”?), mas, se for realmente bom e puder nos tirar “escamas dos olhos” e pudermos ver o que nos parecia nebuloso? E se nos ajudar a entender as coisas sob uma nova luz?

Acaso não é exatamente esta a covardia que não aceitamos possuir quando resolvemos nos tornar membros de qualquer confissão religiosa que se apresentou diante de nós?

Acaso a vergonha na cara não exige que tenhamos a identidade, a dignidade, a coerência e a transparência de sermos pessoas com boa intenção e com atitudes de bem?

Há temas que levam anos, décadas para serem esclarecidos na mente de um indivíduo – para outros é percebido com a velocidade de um raio. Mas, ambos precisam estudar a coisa toda e encará-la com a seriedade de sujeitos “homens” e não “meninos buchudos”!

Sou um homem de 48 anos e passei a vida toda carregado de livros, sim, caixas e mais caixas de livros, textos, escritos, manuscritos; a vida intelectual tem sido a minha trajetória permanente – nunca fugi de um bom debate e nunca considerei a suposta doutrina louca, como uma coisa inferior, por “preconceito”, porque sempre entendi que tinha que dominar aquilo que me parecia sem lógica e um desafio – mas, vejo hoje, na Internet e em outros ambientes, incluindo a Igreja, um bocado de gente com um choro infantiloide de covardia, com uma canalhice sem medida para fugir do bom debate – ora porque estes amaldiçoados não calam a boca e ficam quietos? Por que simplesmente não se deletam do Facebook, não se excluem da Igreja e não vão para o raio que os parta?

Os apóstolos criaram uma imensa estrutura de salvação “disputando” em toda parte, de casa-em-casa, nas sinagogas, diz-se que por causa desta postura de “sujeitos homens” eles terminaram a vida da seguinte forma:

Tiago, filho de Zebedeu, foi o primeiro a morrer. Foi decapitado à espada por ordem do rei Herodes Agripa I, em 44 da nossa era.

André, irmão de Pedro, foi crucificado em Ática na Ásia Menor. Continuou admoestando seus algozes até exalar o seu último suspiro.

Tiago, filho de Alfeu, foi lançado do pináculo do templo de Jerusalém e, a seguir, apedrejado até morrer.

Mateus, ex-coletor de impostos, pregou por quinze anos na Palestina indo depois para Etiópia, onde foi morto à espada.

Bartolomeu pregou na Arábia, estendendo sua pregação até a Índia. Alguns afirmam que ele foi amarrado a um saco e lançado ao mar, enquanto outros asseguram que ele foi esfolado.

Simão, o cananeu, foi executado na Pérsia por ordem do imperador Trajano. Foi martirizado até expirar.

Tomé, o que duvidou da aparição do Cristo ressurreto, veio a ser um dos maiores pregadores. Viajou muitíssimo, pregando nas regiões da Parta, Média, Pérsia chegando até a Índia. Foi morto atravessado por uma lança na cidade de
Coromandel.

Judas Tadeu, irmão de Tiago, morreu cravado de flechas.

Filipe morreu na Ásia menor enforcado num pilar do templo em Hierápolis.

Pedro morreu crucificado no ano 67 dC com idade de 75 anos. A tradição diz que ele pediu para ser crucificado de cabeça para abaixo porque se achou indigno de morrer como seu Mestre e Senhor.

João, irmão de Tiago, foi exilado na ilha de Patmos por ordem do imperador Domiciano. Morreu aos cem anos de idade, sendo o único dos apóstolos que teve morte natural. Segundo a tradição foi lançado num tacho de azeite fervendo de onde saiu ileso.

O historiador da Igreja, Irineu, disse no primeiro século que “o sangue dos mártires (os discípulos de Jesus) foi a semente da Igreja”.

Daí vem uma galera e diz: “calem-se hereges?”

Ora, nem mesmo toda a horda de demônios dos infernos será suficiente para calar um servo de Cristo que está cheio de amores pela Palavra e deseja testemunhar de suas revelações encontradas na leitura da mesma. E quem tiver ouvidos para ouvir que ouça, quem não quiser, que não escute – mas calar os servos de Deus? É ridículo!

Fui treinado desde os meus 13 anos de idade e sigo até agora no modelo da velha escola em que, como já apontei e fundamentei (Atos 6:9; 9:29; 11:2; 17:17; 18:4; 18:19) temos que DISPUTAR AS ESCRITURAS para averiguar a veracidade das afirmações teológicas.

Quem acha que já tem toda a verdade doutrinária é um tolo, um bobalhão e envergonha em linha direta a memória dos apóstolos e do próprio Senhor, porque nunca vimos Cristo fugir de um bom debate com os judeus. Nossa tarefa é “examinar as Escrituras porque julgamos ter nelas a vida eterna” (João 5:39) e, por elas vamos avançar sempre nos tesouros que são “lâmpada para nossos pés e luz para nossos caminhos” (Salmo 119:105).

Com estas palavras concluo dizendo: aconteça o que acontecer, nobres estudiosos, fidalgos do Reino de Deus e membros da denominação religiosa (ou não) seja qual for – o centro de todas as coisas é Cristo e está escrito que: “decidi nada saber entre vós senão a Cristo e este crucificado” (1ª Coríntios 2:2).

Se nossos estudos e pesquisas nos ajudam a ter uma clara percepção de que ele é nosso Salvador, Mediador e centro de toda a nossa busca para chegarmos à meta suprema que é o Pai, bem está! Mas, se for apenas orgulho dogmático e religioso, somos os piores seres humanos que já existiram e somos inúteis em todos os sentidos.

Todavia, é claro, apenas quem está imbuído do espírito de 1ª Coríntios 1 e 2 poderá conquistar esta percepção.

_______________________

[1] Ordem dos Advogados do Brasil = OAB / de São Paulo.

Nenhum Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pular para a barra de ferramentas