Considerações Sobre a Salvação.

1 de Janeiro de 2018

Ai dos filhos rebeldes, diz o Senhor, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem, com uma cobertura, mas não do meu Espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado. (Isaías 30:1).

Tenho compreendido a mensagem da salvação na perspectiva cristã, da seguinte forma:

  • A Pessoa de Deus Pai é Suprema e Soberana em todos os sentidos e aspectos que podemos imaginar e ainda em outros que nem sabemos que existem (Efésios 4:6; 1ª Coríntios 8:6). Em decorrência deste fato que inicia a compreensão de todas as coisas espirituais (Efésios 1:3; 1ª Pedro 1:3), tenho como claro que Deus Pai é o Espírito Supremo de Toda a Vida (João 4:21-24; Romanos 8:14) e seu Caráter manifesta-Se na Sua Lei (Salmo 119:142, 152), entendida a “Lei” como a Soberana Vontade do Pai (Salmo 119:44, 92, 97, 174) e não apenas os Dez Mandamentos (Isaías 8:20; Deuteronômio 4:10-14; Salmo 119:129, 144, 152).
  • O grande reclamo da Lei de Deus é cem por cento (100%) de obediência aos seus valores e princípios (Romanos 2:23; Tiago 2:10), porque a Sua Justiça é uma Justiça perfeita e em nenhuma circunstância pode ser dividida ou diminuída (Salmo 119:142, 152), porque fazê-lo seria quebrar o absoluto poder do Pai (Salmo 89:14; 119:142, 152).
  • Nenhum mortal descendente de Adão e Eva (Romanos 3:23; 5:12), sob qualquer hipótese, tem condições de se apresentar diante de Deus o Pai, com a Justiça perfeita que foi exposta no item anterior (Romanos 3:23; 1ª Timóteo 1:15). Todos nós somos pecadores iníquos (Salmo 51:5; Salmo 106:6), amantes do pecado por natureza e pervertidos por natureza terrena (Jó 15:14-16; Isaías 64:6-7; Romanos 8:6).
  • Então nos encontramos cara a cara com Deus e nada temos para apresentar (Gálatas 2:17; Salmo 116:12). O salário do pecado é a morte eterna (Romanos 6:16, 23), porque assim como a Lei exige Justiça Perfeita, a Injustiça deve ser tratada com Perfeita Ação Aniquilatória (Salmo 106:6, 43), com Perfeito Extermínio do Iníquo (Apocalipse 20: 14; 21: 8).
  • Ocorre, entretanto, que Cristo apresenta-se em nosso lugar diante da Justiça (Isaías 53; 1ª João 1:7 e 2:2; Tito 3:6; 2ª Pedro 3:18) e oferece o que nenhum de nós pode oferecer: a Justiça Perfeita (Romanos 5:15-21); isto é 100% de obediência, 100% de fidelidade aos reclamos do caráter de Deus “sem conhecer pecado”, mas “feito como se fosse o próprio pecado” para ser substituto de todos os pecadores (2ª Coríntios 5:18-21; 1ª Timóteo 2:3-6; Hebreus 4:14-15; 9:28). Em troca desta oferta, Cristo leva sobre Si 100% de nossas Injustiças e todos os nossos pecados (1ª Timóteo 2:5; Hebreus 12:24; 9:15). Esta é a doutrina da “substituição” que, na Justiça Humana não se aceita, mas que no Tribunal Divino pode ser invocada para a salvação do pecador (1ª João 2:1-2; 2ª Coríntios 5:18-21; Romanos 5:5-11; 1ª Timóteo 2:3-6).
  • Independentemente de qualquer intromissão humana, sem qualquer envolvimento humano (João 17:24, Hebreus 10:12-13) – todo processo de perdão para o ser humano foi resolvido entre Deus Pai e Seu Filho (João 17:3, 5, 18, 25). Este acordo é denominado teologicamente de “conselho ou aliança de paz ou conselho eterno” (Zacarias 6:12-13; Jeremias 23:18; Salmo 33:11; 100:5; Atos 20:27; Isaías 11:2; 28:29; Miquéias 4:12). Toda a espécie humana está declarada como perdoada e sem condenação (2ª Pedro 3:9; João 3:16-18; 2ª Coríntios 5:18-21), somos considerados limpos e justificados pelo que Jesus fez diante do Universo (2ª Coríntios 5:14, 18-21; Romanos 5:1; 8:1) e, desta forma somos considerados perdoados de todos os nossos pecados e da própria natureza iníqua de modo completo (Romanos 6:1-14; 1ª João 1:7; 2:1-2; Romanos 5:15-21) porque Deus, nosso Pai, através de Cristo resolveu esta situação (2ª Coríntios 5:18-21, Salmo 85:10), por conseguinte, Cristo foi considerado amaldiçoado (Isaías 53; Gálatas 3:13) com a morte eterna e foi banido da existência mediante a morte eterna e total (1ª João 1:7; 2:1-2). Obviamente, Jesus não ficou preso na morte eterna mas ressuscitou “por causa do concerto ou aliança eterna” (Hebreus 13:20; Atos 4:10; 5:30; Romanos 4:24-25; 10:9; 1ª Coríntios 15:12-17), porque Ele mesmo, em Si, jamais pecou (2ª Coríntios 5:18-21; 1ª Timóteo 2:3-6; Hebreus 4:14-15; 9:28) e, esta é a maior prova deste fato, pois que, senão Ele jamais estaria vivo, mas teria sido tratado como um pecador e todo o plano de salvação estaria perdido e, por conseguinte, o Cristianismo deixa de ter qualquer significado. Se Jesus não está vivo, então Ele não ressuscitou e se Ele não ressuscitou, o Cristianismo é uma religião perdida e sem qualquer validade (1ª Coríntios 5:12-17).
  • Logo em seguida a esta clara compreensão (1ª Coríntios 1:18-24), entendo que a Justiça que Deus me atribui é uma Justiça Imputada(Romanos 5:1 e 8:1) e que eu a abraço mediante a fé (Efésios 2:8-10) em Sua Pessoa (João 14:6, 9; 17:3). Trata-se de uma sentença judicial nas cortes celestiais (2ª Coríntios 5:18-21) que Ele me concede (João 3:16) sem que eu possa fazer qualquer coisa a respeito a não ser agradecer (2ª Coríntios 5:18), porque ela é concedida como uma dádiva (Efésios 2:8-10) que eu jamais mereci ou tenho o direito de reclamar porque sou pecador, iníquo e por natureza adâmica perdido.
  • Esta é a grande obra de expiação de Cristo aplicada em minha vida (Gálatas 4:1-8). Tal Justiça Imputada é absoluta nos que se propõe me garantir, a saber perdão e propiciação pelos meus pecados (Romanos 8:1; 5:1; 1ª João 1:7; 2:1-2). Ela me vale 100% da possibilidade de não ser exterminado da Criação pela perdição eterna (Efésios 2:17-22; João 17:3; 5:24) e com ela sobre minha mente (1ª Coríntios 1:10; 2ª Coríntios 5:11), com ela nos meus pensamentos (2ª Coríntios 4:5-6), com ela na minha boca (Romanos 10:9) e com ela na minha vida toda à partir do momento que eu a confesso (2ª Coríntios 5:1-10), eu tenho garantido a vida eterna e todas as bênçãos que deveriam ser prerrogativas de Cristo(João 15:1-5), ao mesmo tempo que Ele leva sobre Si no madeiro as minhas desgraças e a minha morte eterna porque Ele foi aniquilado em meu lugar (Isaías 53; 2ª Coríntios 5:18-21).
    1. Nota 1: Esta é a Doutrina Central do Cristianismo (1ª Coríntios 2:1-5 ) – a Doutrina da Substituição (Hebreus 7:24-25)! Se uma pessoa não entende isto, ela não entende nada sobre Cristianismo Essencial (João 15:1-5).
    2. Nota 2: O Cristianismo não pode ser correto se a vivência ou a experiência da Igreja Cristã, seja ela de que confissão for não for calçada neste foco único e central (1ª João 1:3, 7; 2ª Coríntios 13:14; João 14:10-15; 17:6-11). O Cristianismo é fundado sobre a experiência que cada pessoa tem com a Pessoa de Jesus Cristo (Gálatas 2:20; Efésios 2:17-22), mas isto será uma impossibilidade se a pessoa não entender a razão da essencialidade que tem este viver em Cristo, ora tal base de entendimento está na Doutrina da Substituição (2ª Coríntios 5:18-21). Sem esta plataforma essencial, não existe Cristianismo nenhum, existe uma religião moral, social, ou um negócio meramente humano.
    3. Nota 3: O maior de todos os problemas de nossa geração cristianizada é que se ensina toda sorte de coisas sob todo tipo de fundamento, mas estes fundamentos são errôneos porque “ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Cristo Jesus” (1ª Coríntios 3:11) e “decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” (1ª Coríntios 2:2) – que se impõe, de modo tácito como a base da religião que se estrutura à partir da Doutrina da Substituição (2ª Coríntios 5:18-21).
    4. Nota 4: E há um ponto fundamental na compreensão desta certeza que todo cristão genuíno deve guardar com o máximo de apreço. Esta logística divina, esta sentença de perdão e este plano de salvação, estava decidido “antes da fundação do Mundo” (Hebreus 9:26; Apocalipse 13:8) – isto tem uma enorme importância na compreensão de tudo que vier depois, porque os anjos (1ª Pedro 1:12; 1ª Timóteo 3:16; Colossenses 1:26-27) desejam compreender este assunto, quiçá nós, parte objetiva de tão memorável salvação (João 3:16). O destino (1ª Coríntios 2:6-7; Hebreus 9:26; Colossenses 1:15-20) de Jesus Cristo já estava acertado entre Ele e o Pai (João 17:24, Hebreus 10:12-13), antes mesmo que Ele viesse à este mundo (Efésios 1:3-4). Por isto os profetas e patriarcas aguardavam (Mateus 25:34) com esperança “a promessa” que foi feita no Jardim do Éden (Gênesis 3:15; Hebreus 13:20), de que haveria um Salvador, que já estava pronto (1ª Pedro 1:19-20). E, com toda certeza, esta revelação causou “um enorme espanto” (Apocalipse 17:8) em Satanás, o inimigo.
  • Depois de ingresso no Reino de Deus mediante a Justiça Imputada (Romanos 5:1 e 8:1), eu passo a receber diariamente a Justiça Comunicada(1ª Tessalonicenses 5:23) que é a dotação da presença do próprio Pai em minha vida mediante a ação de Sua Pessoa em forma Espiritual (2ª Coríntios 5:5; João 4:20-24). O próprio Pai vem habitar em mim (João 14:21,23; 17:11,21) e Ele mesmo passa a dominar minha mente, meus pensamentos, minhas emoções e luta comigo (Romanos 14:1-3), dentro de meu espírito, para que eu permaneça na fé que me preserva na Justiça Imputada. Esta Justiça Comunicada assim diariamente é relativa (2ª Coríntios 5:1-10) e não absoluta como o é a Justiça Imputada, porque como ensina Romanos 7 para recebê-la eu tenho muitas limitações, dentre as quais as tendências hereditárias, as dificuldades de percepção mental que é inerente à minha finitude e óbvia capacidade corporal, além de outras dificuldades que impedem que eu receba 100% desta Justiça Imputada, tais como as circunstâncias da cultura social, do trabalho, da educação – e, exatamente por isto que o apóstolo Paulo declara: E disse-me: ‘a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. (2ª Coríntios 12:9), porque no Juízo divino, não podemos nos valer de forma alguma, por qualquer ato bom ou positivo que tenhamos para nossa defesa, mas tudo provém de Deus (2ª Coríntios 5:1-10, 18-21).

As pessoas que discutem a salvação – em minha avaliação – confundem estas duas Justiças (Imputada e Comunicada) e, por extensão, caem em dificuldades com a questão da Salvação e da Santificação, que são sinônimas nesta analogia direta.

Na primeira, que é a Justiça Imputada, não há nada que eu possa fazer e por esta razão, não me salvo a mim mesmo, mas Cristo me salva. Esta Justiça é incômoda ao orgulho humano e temos muita dificuldade de vivenciá-la, porque ela depende apenas de dizermos que aqui e agora somos crentes nAquele que fez a promessa do perdão e que agradecemos a garantia do mesmo (Romanos 10:9-10).

Por outro lado, na outra Justiça que é Comunicada, temos maior facilidade de compreender e aceitar, porque ela interage com nossas capacidades em diversos níveis e, de certa forma achamos que temos controle sobre as coisas que são próprias delas. Há cristãos que entendem que lhes compete (1) guardar os mandamentos de Deus, (2) outros entendem que não precisam guardar coisa alguma – e nestes dois pontos, a chave da questão é: como devo viver minha vida diante de Deus?

Para mim, não resta qualquer sombra de dúvida que “o mesmo Deus de paz vos santifica em vosso espírito, alma e corpo” (1ª Tessalonicenses 5:23) de sorte que “servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor” (Salmo 2:11); operando a nossa “salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12). E, há um justo motivo para termos todo estes respeito e reverência quando tratamos deste assunto. É que “vós sois Santuário do Espírito de Deus que habita em vós” (1ª Coríntios 3:16-17) e, efetivamente “Senhor, concedes-nos a paz, porque todas as nossas obras Tu as fazes por nós” (Isaías 26:12).

As igrejas vivem muito em função desta Justiça Comunicada que sempre será relativa, circunstancial e dependente de diversos fatores para a justa percepção do ser humano. Os julgamentos e discussões na Igreja são sempre em torno de questões comunicantes e nunca imputadas da fé. A Igreja está num mundo carnal e material e, neste plano existencial, a realidade é óbvia e objetiva: guerra entre as forças do bem e do mal (Efésios 6:10-18).

A experiência da Igreja deveria ser a de procurar ajudar aos seus participantes a avançarem no máximo possível em direção à melhor Justiça Comunicada que puderem, sem perder jamais a preciosa e essencialíssima Justiça Imputada que deve estar na memória todo o tempo.

Mas quando o assunto é a Justiça Imputada, a Igreja deve apenas agradecer a Deus, porque ela não é do controle humano e nem da Igreja, mas somente de Deus.

Por isto Cristo dirá no juízo final: “a minha graça te basta!” – Porque ela é absolutamente suficiente para nos garantir a vida eterna literal. Por esta razão a salvação não é pelas obras.

Mas, surge, neste exato momento de nossa compreensão, a participação humana na salvação.

E, é preciso definir as palavras em seu sentido exato, porque o ser humano busca a salvação que tem dentro de seu bojo, entendimentos sobre justificação, sobre santificação e sobre glorificação.

O ser humano não pode operar absolutamente nada em relação à sua justificação, santificação e glorificação. Mas pode escolher estar nesta experiência ou não!

Com efeito a ordem é bem simples de se entender:

  • “Vinde a Mim todos vós cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28) – este “Vinde a Mim” é condição primária, está antes de tudo que possa vir à seguir, porque Ele é quem vai operar “o querer e o efetuar segundo Sua boa vontade” e não nós (Filipenses 2:13).
  • Inclusive, a própria ida do ser humano até o Senhor, não é um mérito próprio da escolha, como se pudéssemos nos exaltar em dizer: “vejam como eu sou bom e escolhi o certo!” – na verdade, nem ir até Cristo nós temos condições de fazer de nós mesmos, porque é Ele que nos atrai e não nós que vamos à Ele (Jeremias 31:3; 2ª Coríntios 5:14).
  • Então, que é esta escolha? É simplesmente a aceitação psíquica da intenção da alma interior que diz à si mesma: “eu me rendo diante de Deus pelo poder de Cristo e me entrego em Sua guia, aconteça o que acontecer e nesta confiança viverei”.
  • Jó entendia isto de tal maneira que dizia diante do Universo todo: Aindaque ele me mate, nele esperarei” (Jó 13:15). E o salmista sacralizou: “Ensina-me a fazer a Tua vontade, pois és o meu Deus. O Teu Espírito é bom; guie-me por terra plana. (Salmo 143:10).

Diante de toda esta exposição, firmo minha plena convicção, emanada das Escrituras, de que a salvação é ato divino, que Deus é Quem leva à efeito todas as suas etapas e que apenas e tão somente uma única coisa é requerida de cada pessoa:

  • “Que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. (Atos 16:30-31)

Com esta convicção na mente firmo com respeito à tudo que acabo de escrever:

  • Jeremias 9:23-24: “Assim diz o Senhor:Nãose glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.”
  • Isaías 55:5-7: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor.”

Paz e bem!

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