Diálogo Entre Professor Jean e Um Internauta – Sobre a Importância da Fé.

8 de Janeiro de 2018

Debate é um modelo de contestação baseado na argumentação onde duas, ou mais, ideias conflitantes são defendidas ou criticadas com base em argumentos.

Este diálogo foi postado em atenção a um vídeo provocativo e propositivo no Youtube.

Por razões obviamente de respeito à outra parte, que não será identificada e mantida em total privacidade aqui nesta nossa publicação, usarei como “nome” apenas: Analista.

A Pauta é a Importância da Fé.

Como foi em forma de diálogo e ocupou-me cerca de 90 minutos da vida, eu resolvi que deveria registrar o que entendo haver sido uma boa oportunidade de exercitar a lógica e ao mesmo tempo defender o que acredito sobre a importância da fé, bem como testemunhar de um dos raros momentos em que duas pessoas conseguem ter um diálogo na Internet sem serem estupidamente agressivas uma com a outra – o que, lamentavelmente, é muito usual e comum na Internet.

Professor Jean (1)

(Em um texto longo que respondeu ao vídeo de cerca de 20 minutos em que se defende a suposta inutilidade da fé)

Permitam-me uma contribuição!

Sou teólogo, pedagogo, administrador, naturopata – faço o curso de História (EAD).

Me identifico assim inicialmente, para justificar minha ambiência intelectual. São 26 anos de convivência com educação superior e obviamente, a acessibilidade dos lugares comuns destes canais.

Há 14 anos estudo o assunto “Deus”. Apresentarei uma contribuição.

Só existe uma maneira de se procurar resolver o problema dos homens com relação à existência de Deus e tal meio se chama “fé”.

Segundo o pensamento bíblico, esta é a única maneira de resolver a questão da crença de que o mundo foi criado por Deus; pois diz o escritor sacro:

“Pela fé entendemos que o mundo foi criado pela Palavra de Deus, de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê.” (Hebreus 11:1).

A palavra “fé” vem de uma palavra grega, “pistis”, e significa: “conhecimento, convicção, certeza e confiança”.

Visto serem estes os significados de “fé”, claro está que trata-se de algo totalmente racional e não sentimental, pois quê, estas expressões denotam atitudes, experiências, atos e pensamentos práticos reais em nossas vidas.

Uma pessoa não “sente” conhecimento, ela “possui”. É assim com as demais palavras que caracterizam a “fé”. Elas são palavras que identificam uma experiência. E experiência não é o que você passou, mas o que você faz diante do que veio a passar. As palavras dão-nos um vislumbre do que se pretende dizer.

Temos que caracterizar algumas palavras que fundamentarão nosso raciocínio, e nos permitirão compreender o que queremos dizer e o que conhecemos. Muitas vezes, nossos discursos se tornam tão subjacentes dentro do quadro mental que possuímos, que acabamos por torná-lo tão complexo que os outros nos consideram “malucos”. Ficamos irritados e atacamos as pessoas, por acharmos que elas desdenham de nosso quadro mental, mas na verdade, elas nem chegaram perto de ver isto (o quadro mental).

Mas, adiante ….

“Provar” é diferente de “evidenciar”, ou seja, quando eu posso mostrar uma experiência prática e material, eu “provo” cientificamente algo.

No caso da evidência, eu não provo nada, mas incito o ser intelectual que faz parte da pessoa, a conhecer empiricamente, ou seja, abstratamente ou em espírito.

Eu uso a palavra “empirismo” com o significado exato que temo-la no dicionário, a saber:

“na filosofia – doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo”.

Por exemplo: um homem abraça uma criança e sorri. Posso imaginar que ele a ama ou é um sequestrador disfarçado. Todavia, se a criança lhe diz: ‘papai’ – eu imagino que ele é o pai e a ama. No entanto, há pais que não amam seus filhos. A “evidência” e a “prova” são dois conceitos importantes e fundamentalmente diferentes. Eles fazem parte do escopo didático que cada um de nós impõe a si próprio.

As outras duas palavras que nos importam considerar aqui são: “certeza” e “dúvida”. A certeza é algo que eu sei que é “real”, já a dúvida é algo que eu “não sei se é real”. O que é “real” é verdadeiro enquanto “realidade” que, novamente no dicionário significa: “o que realmente existe; fato real; verdade”.

Por outro lado, “Duvidoso” é algo que não tenho “certeza” (dicionário: “incerteza entre confirmar ou negar um julgamento ou a realidade de um fato.”) – porque, uma vez que meu raciocínio e minha capacidade de percepção do Universo é limitada à minha condição humana, de ser limitado e imperfeito, não estou “seguro” de uma certa afirmativa.

Assim, eu preciso “verificar” mediante as “evidências ou provas”, se algo que eu analiso é “certo” ou “duvidoso”, “incerto” ou “correto”, “bom” ou “mal”. Então, em relação à pergunta: “Deus existe mesmo?” – consideramos que não podemos provar que Ele é real e que este conhecimento é verdadeiro.

Por que não podemos “provar que Deus existe”?

Porque para provar que Deus é eterno, teríamos que demonstrar tal fato e, a eternidade só é demonstrável por seres eternos, coisa esta que nenhum de nós é. Não nos esqueçamos que provar, conforme já afirmamos, significa mostrar materialmente.

Mas, podemos apresentar evidências que nos dão segurança plena da existência de Deus.

Quando dizemos que não podemos provar a outra pessoa a existência de Deus não incorremos em contradição, pois entendemos que não são somos capazes de demonstrar num laboratório o assunto acerca de Deus; afinal, este é um assunto filosófico, não científico!

Não é da esfera da demonstração físico-químico-biológica à princípio, porque não posso, dentro de minha limitação “finita” abraçar o “infinito” e Deus, em sua concepção absoluta – novamente uso o dicionário: “(rel teol): ente infinito, eterno, sobrenatural e existente por si só; causa necessária e fim último de tudo que existe”.

Mas, temos como claro que não somos, como pretende a moda panteísta, deuses ou a essência de alguma divindade; mas somos criaturas finitas que têm mortalidade natural e condicionada às leis naturais. Se não vivermos dentro das leis naturais, então perdemos a vida precocemente.

Todo o debate encerra-se diante da morte (pelo menos eu não vejo meu avô falecido por aí debatendo nada!)

Esta questão evidentemente impõe uma relação entre filosofia e ciência; ou seja, ao passo que as leis naturais são demonstráveis pela prova científica, o que está antes do nascimento e além da morte não pode sê-lo, pois não é assunto de laboratório, mas do campo metafísico e, se me permitem, ao campo metapsíquico, é da esfera da noética e da maiêutica – daí a classificação racionalista de pretender imiscuir-se no cenário sobre a infinitude valendo-se de suas limitações materialistas é, em minha apreciação, uma falha de método.

Não vai dar certo! É como se eu pretendesse entender o funcionamento de um navio estudando aviões. Estaria no lugar errado e com o instrumental errado! Entretanto, podemos verificar que, se a humanidade está perdida em si mesma pela desobediência continuada a todas as leis naturais e morais, que são leis de Deus, o esforço para ser harmonioso no viver com tais leis deverá ser compensada com a “graça” divina que, conhece nesta atitude interior expressa na vida pública, um grande desejo de ligação com Deus e com suas Leis.

Nossa imagem e semelhança com Deus não é uma franquia para vivermos uma vida de impiedade distante do Criador, mas para ligar-mo-nos à Sua vida, pela harmonia com suas Leis.

Isto é imperativo em minha compreensão do que chamo de Filosofia Biológica Criacionista.

Ora, mas eu disse que é impossível provar que Deus existe e continuo firme nesta afirmação! Se não posso provar que Deus existe, então como ter certeza de que Ele realmente existe?

A fé não é e nunca será uma experiência coletiva, ela é sempre um acontecimento pessoal. Cada pessoa ou crê ou não crê que Deus existe.

Mas esta escolha se resolve dentro de nossa mente, a partir de um raciocínio lógico e organizado. Depende da construção do quadro mental individual e pretender invadir, forçar ou submeter este poder interior individual é, para mim, o crime dos crimes, o maior tipo de violência possível – uma aberração!

Por isto mesmo, creio que devemos ser cuidadosos e ponderados, porque o assunto “Deus” não se resolve com pouca reflexão. Basta analisar que todos os filósofos e matemáticos – sem exceção – sempre trataram o assunto com zelo e muita ponderação.

Não devemos decidir irrefletidamente sobre o assunto! A fé não é algo irracional! E lembro que fé é “conhecimento, convicção, certeza e confiança” – portanto, racional primeiro, emocional depois.

Ora, por que nos metemos com uma pauta como esta?

Porque somos humanos e sempre estamos prontos para exercer a capacidade de pensar o todo, com um vigor feroz de quem enfrenta um problema pessoal – porque estamos necessitados de um padrão ético que nos garanta paz interior e uma vida com a máxima qualidade. Ninguém escapa disto – é um fato imperativo absoluto, se não fosse este vídeo aí acima nem teria sido produzido e ninguém entraria aqui para assisti-lo e comentar.

Ora, se uma pessoa crê em qualquer coisa, logo adotará uma atitude “experiencial” em relação a isto. E se a sua crença for uma coisa verdadeira poderá notar a evidência, haverá em sua vida pessoal, transformada em si mesma, no seu estilo de vida, especialmente, uma nova ética, demonstrando que algo de novo aconteceu e que dignificou a sua vida em relação à conduta anterior. Se antes espancava a esposa, vivia com ódio, rebelde e com um padrão destrutivo e queria matar-se e matar outros juntos – agora, pela compreensão sobre Deus (não de religiões e denominações, por favor, estamos além desta condição que chega a ser xenofóbica em alguns casos!) – digo, pela compreensão de Deus, resolve viver em comunhão com as leis naturais e morais de Deus e objetiva avançar neste entendimento.

Por outro lado, se o sujeito não crê em Deus, então, viverá na indiferença até mesmo quanto a este assunto. Afinal, por que gastar tempo útil, em uma pauta que jamais conseguirá destruir no mundo?

É ser um completo idiota em si mesmo, pretender destruir a investigação das pessoas sobre Deus e, haverá quem odeie Ele e quem o ame – mas que a pauta estará sempre presente, isto é incontestável!

Portanto, que cada um tenha seu quadro mental interior e respeite o dos outros, porque assim como ser queimado numa fogueira é um crime abjeto demais para ser justificado (e sabemos que canalhas o praticaram em nome de suas arbitrariedades) – nenhum de nós quer criar uma fogueira contra os que fariam isto conosco, porque somos superiores à eles em nosso quadro mental interior. Eu por exemplo sei que o que sou aqui dentro é eu e que dane o mundo exterior que jamais poderá atingir-me aqui dentro sem meu consentimento.

Quando Deus é percebido por uma pessoa, ela nunca mais consegue ser a mesma! Eu sei, porque fui atingindo por Ele. Entretanto, se uma pessoa me disser que viu Deus, não a julgo, apenas considero que teve uma experiência pessoal que tem a ver com a sua própria percepção existencial e sua possibilidade quadro mental individual.

“A fé que tens, guarda-a contigo mesmo diante de Deus. Feliz aquele que não se condena a si mesmo naquilo que reprova. Mas aquele que tem dúvidas, … está condenado, porque o que faz não provém da fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.” (Romanos 14:22-23).

Acrescentemos ainda esta citação interessantíssima:

“O Senhor nunca pede que creiamos em alguma coisa sem nos dar suficientes provas sobre as quais possamos fundamentar a fé. Sua existência, Seu caráter e a veracidade de Sua Palavra se baseiam em testemunhos que falam à nossa razão. E são muitos esses testemunhos. Deus, entretanto, não afasta a possibilidade da dúvida. Nossa fé deve repousar em evidências e não em demonstrações. Os que quiserem duvidar encontrarão oportunidade, mas os que desejam realmente conhecer a verdade, poderão achar grande quantidade de provas onde poderão apoiar sua fé.” (WHITE, Ellen Gould. “Caminho a Cristo”. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997. Página 105).

Creio que é útil lembrar-nos deste conselho inspirado:

“Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e alonga de ti a malignidade dos lábios. … Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos. Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.” (Provérbios 4:23-27)

ANALISTA (2)

Se definirmos fé com a etimologia apresentada por você, concluo que ninguém possui fé, pois não há certeza sobre a existência de Deus ou de algum mito criacionista. Se definirmos fé unicamente como convicção faz mais sentido, contudo, nesse caso fé não serve para nada, pois ter convicção em algo é irrelevante para avaliar se tal coisa é verdade ou não.

O uso da palavra fé hoje em dia é distante da etimologia da palavra.

Fé é acreditar em algo sem evidencias, sem bons motivos, ou seja, uma crença irracional.

Fé é inútil para o conhecimento. Na verdade não é inútil não, ela atrapalha, ou seja, é pior que inútil.

Professor Jean (3)

Caro Analista, podemos alinhar isto de modo mais específico.

A fé foi usada em todo tempo na construção da geladeira. Não há como negar isto. Porque a palavra fé, usada como ferramenta “religiosa” não cabe. Eu a usei no cenário do concreto. É questão etimológica.

Ela significa exatamente “conhecer, convicção, certeza e confiança”. Não é uma suposição. É fruto de uma experiência.

Portanto, é particular, individual e nunca é a fé do outro ou a não-fé (dúvida?) do outro.

E não é fácil usar a fé – se fosse, não exigiria daquele que opera nela e com ela uma imensa carga de estudos para poder conhecer, buscar a convicção, para se ter certeza e por último confiar.

A fé (pistis, fide) está na geladeira no exato momento em que (1) uma teoria se formou na cabeça do inventou que usou “conhecimento, convicções e certezas” (parte teórica da fé) e (2) em seguida, possibilitou que ele executasse (parte prática da fé).

Eu me refiro a este tipo de “fé” que pode ser substituída por estas 4 palavras sinônimas e que cabem melhor no vernáculo a que nos acostumamos em terras lusitanas.

ANALISTA (4)

Se fé é forma válida de conhecimento, por que não a usa para construir uma geladeira? Convença-se que não será atropelado ao atravessar uma rodovia com vendas nos olhos. A questão é que qualquer pessoa adepta a fé como forma válida de se conhecer algo a usa apenas na conveniência.

Quando se propõe algo falseável se encontra uma desculpa para não se usar a fé. É muito fácil usar a fé quando se constrói conceitos abstratos e os blinda de qualquer teste.

Professor Jean (5)

A “fé” não funciona como “a única forma de conhecimento”, ela é “um processo” que ninguém jamais poderá escapar, porque à menos que os dicionários estejam equivocados, ela é exatamente a mesma coisa que saber algo, crer nele, ter convicções naquilo e confiar em tal juízo.

A fé não tem que ver com praticar coisas estúpidas como por exemplo atravessar a rodovia de olhos fechados – aliás, nem há qualquer razão sensata para usar deste expediente. Seria uma “suposta fé infantil” ou melhor, uma falta de respeito com a própria integridade pessoal.

Mas, considere que a pauta em tela envolveu por cerca de (no mínimo) 4 mil anos de inúmeros pensadores. Eu usaria de maior cautela para bater o martelo e dizer: “é do jeito que eu quero e pronto”!

Por isto estou estudando há mais de uma década a pauta “Deus” e há aspectos que devem ser analisados ainda – porém, não significa que minhas observações devam servir de plataforma para “o outro”, porque eu mantenho o argumento primevo de que, sob hipótese alguma, a minha experiência é a sua, a nossa ou a vossa experiência, mas é sempre singular e todo o debate sobre este assunto, sempre será sobre o método teórico adotado (conhecimento, certeza, convicção), porque a confiança é da esfera da autoindução ética – é pessoal demais e muito única e íntima.

ANALISTA (6)

Sorte que não estou batendo o martelo, estou buscando te refutar ao invés de pseudo-lições de humildade, aliás, recurso argumentativo de baixo escalão, eficiente contra massas e pessoas sentimentais.

Professor Jean (7)

Reitero minha apreciação por sua elegância e seu canal se torna por isto objeto de minha sincera indicação a pelo menos mais 4 amigos meus. Reconheço um estilo que busca ser elevado na explanação.

ANALISTA (8)

“As outras duas palavras que nos importam considerar aqui são: “certeza” e “dúvida”. A certeza é algo que eu sei que é “real”, já a dúvida é algo que eu “não sei se é real”. O que é “real” é verdadeiro enquanto “realidade” que, novamente no dicionário significa: “o que realmente existe; fato real; verdade”. Por outro lado, “Duvidoso” é algo que não tenho “certeza” (dicionário: “incerteza entre confirmar ou negar um julgamento ou a realidade de um fato.”) – porque, uma vez que meu raciocínio e minha capacidade de percepção do Universo é limitada à minha condição humana, de ser limitado e imperfeito, não estou “seguro” de uma certa afirmativa.”

Esse trecho tem coisas legais, concordo com essas definições, é por isso que sou adepto de uma ciência falsificacionista e não de alguma religião ou do empirismo clássico.

Eu lido com duvida, certeza é coisa de religião, ter certeza de algo e achar que por conta de sua certeza algo torna-se real chama esquizofrenia, é uma doença de difícil tratamento, muitos não conseguem ao menos viver em sociedade.

Quando alguém diz ter certeza que viu o homem aranha chamamos de louco e o colocamos em um hospício, quando afirma categoricamente que viu um anjo: – Ai que lindo, Deus é bondade …………………… Grande hipocrisia em?

Tudo bem ter alucinações desde que seja com invensões da religião dominante no local. Ter certeza que existe deus ou o raio que o parta é irrelevante, certeza de algo não é método válido para conhecimento.

Professor Jean (9)

“Provar” é diferente de “evidenciar”, ou seja, quando eu posso mostrar uma experiência prática e material, eu “provo” cientificamente algo.

No caso da evidência, eu não provo nada, mas incito o ser intelectual que faz parte da pessoa, a conhecer empiricamente, ou seja, abstratamente ou em espírito.

Eu uso a palavra “empirismo” com o significado exato que temo-la no dicionário, a saber:

“Na filosofia – doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo”.

A problemática neste contexto aqui é exatamente a falta de respeito que a maioria das pessoas tem com a escolha do outro. Se alguém me disser que viu um anjo ou o homem aranha, eu adotarei sempre a postura de que isto é com o sujeito.

Eu sigo meu caminho independente dele.

Se quer crer que Deus existe ou que não existe – não me importa as razões, apenas observo. Por quê? Porque a questão não é a escolha que a pessoa resolveu adotar para ter em si mesma – isto é dela e não do coletivo.

Por isto uma Constituição Liberal como nossa é melhor do que uma cartilha bolchevique ou comunista – o direito de pensar sem ter que ser agredido é “ao menos em tese” garantido.

Mas, um ponto não ficou claro. Acho que talvez possa ter sido “um ato falho” na escrita. As vezes com pressa faço o mesmo.

“Ter certeza que existe Deus ou o raio que o parta é irrelevante, certeza de algo não é método válido para conhecimento”.

Na verdade, à menos que eu possa conhecer (e estou disposto) outra logística construtiva de pensamento, a ordem básica do processo é assim, não?

  • Primeiro, eu tomo CONHECIMENTO de uma determinada pauta (isto envolve livros, documentários, filmes, entrevistas, monografias, teses);
  • Em seguida, eu passo ao nível de problematização usando um MÉTODO (no meu caso prefiro sempre o pragmatismo, ainda que eu pudesse alinhar outro, mas ele me ajuda a ordenar as coisas em termos de o que? por quê? quem? quando? onde? como? quais? quanto? em quê?);
  • Em terceiro, eu faço COMPARAÇÕES e neste momento, a edição do EMPIRISMO EXISTENCIAL que eu possuo me permite ajuizar EM MIM MESMO uma definição que – a priori – será uma tese constituída das primeiras impressões. Isto significa que no último passo à seguir eu forçarei à mim mesmo na contradição da tese para avançar em direção a um quadro mais amplo; e,
  • Por último, eu CRITICO MINHA PRÓPRIA TESE e submeto tudo, novamente ao mesmo processo anteriormente feito, agregando novas visões e abordagens. Então, peço licença para discordar da frase: “Ter certeza que existe Deus ou o raio que o parta é irrelevante, certeza de algo não é método válido para conhecimento”.

Em minha avaliação:

  • Ter certeza que Deus existe ou o raio que o parta, não é irrelevante – é escolha pessoal – a sua é considerar isto irrelevante, a minha é diferente. Eu como fruto do processo que mencionei à pouco. A sua por processo idêntico de construção da sua concepção sobre as coisas.
  • “Certeza de algo” tem que ser sempre “método válido para conhecimento” sim – porque é com base no conhecimento + convicções + certezas = fé = que se chega a um nível mais elevado de entendimentos. Senão cairíamos no niilismo puro e simples e neste caso seríamos “rebeldes sem causa”.

ANALISTA (10)

Concordo com a definição de empirismo, mas somente com isso. Não há provas cientificas, somente evidencias, provar é chegar em conclusões através da lógica.

Por exemplo que a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, isso é provado, é demonstrado.

Ciência é feita com modelos e experimentos, os quais são capazes de refutar hipóteses, nada mais, não se prova nada por meio de experimentos. Não sou adepto do empirismo, como disse no vídeo.

Eu discordo que todo conhecimento válido e razoavelmente confiável venha de experimentos.

Contudo concordo que verdades reveladas e transcendentes do misticismo são descartadas, se há bons motivos para se crer em uma verdade revelada, ela será creditada pela logica e não pelo fato de ter sido revelada, portanto, o fato de ser revelada é insignificante.

ANALISTA (11)

(Prosseguindo ainda com relação ao argumento que apresentei em um segundo momento para tratar da questão reiterada do que considera inutilidade da fé)

Já está respondido, nessa definição de fé, não há fé em deus, não há fé em quase nada, existe apenas achismo e convicção.

Além do mais, experiencia pessoal é inútil, achar que algo é verdade por experiencia pessoal é ingenuidade, é excluir o viés de confirmação, é não lidar com o fato de que exite memoria falsa, de que nosso cérebro não é confiável, que apenas os sentidos não são ferramentas suficientes para o conhecimento.

A lógica por exemplo não depende dos sentidos.

Por não podermos confiar nos nossos sentidos é que se torna necessário que experimentos científicos sejam reproduzíveis, assim não precisamos acreditar na experiencia de outro. Essa é a diferença da ciência para a teologia, a ciência não te pede para crer, para aceitar e para ter a experiencia de outros como forma valida de conhecimento, apenas pede que entenda como os resultados foram obtidos

Professor Jean (12)

Sempre será uma via de mão dupla.

Ou seja, exatamente somos aquilo que cremos. Cremos naquilo que investigamos (conhecer, convicção, certeza, confiança) = fé.

Não é ingenuidade no sentido “infantil” dos ser, é um absoluto da vida. cada um tem uma limitação temporal (tempo+espaço+matéria+consciência). Aos 7 anos de idade eu não sabia o que faria se ficasse desempregado. Hoje aos 48 anos encontrei solução em menos de uma semana.

A vida é assim mesmo, seguimos agregando valores e conceitos. Outra coisa. é claro que podemos confiar em nossos sentidos! Não em todas as situações, mas existem inúmeras situações em que isto é fato.

Se os experimentos científicos fossem “a suma de tudo, o suprassumo” supremo – não estaríamos vendo os cientistas derrubando tudo e começando tudo do zero ou em outras direções diametralmente opostas.

A diferença que vejo entre ciência e teologia é diferente da que apresentas:

– Ciência: corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente.

– Teologia: ciência ou estudo que se ocupa de Deus, de sua natureza e seus atributos e de suas relações com o homem e com o universo. A teologia estuda as religiões num contexto histórico, pesquisando e interpretando os fenômenos e as tradições religiosas, os textos sagrados, a doutrina, o dogma e a moral e sua influência nas diversas áreas do conhecimento, especialmente nas ciências humanas, como na Antropologia e na Sociologia.

Portanto, me parece – como já disse, campos de plataformas diferentes. Na teologia haverá a necessidade do exercício contínuo do pensar metapsíquico e metafísico. Na ciência, enquanto fenômeno meramente racional e materialista, não se usa isto.

Logo, pretender uma dialógica sobre Deus é uma impossibilidade, porque o instrumental apropriado não está sendo usado.

Mas, claro, não significa que “não se possa discutir” como se fosse uma “proibição”, não – não se trata de cerceamento da liberdade, mas da constatação de que eu, por exemplo, por não possuir nenhuma habilidade em nenhum grau de percepção sobre matemática, com você estaria sentado na sala sendo instruído, porque o campo da matemática e das ciências exatas não foi objeto de minha dedicação por anos.

Não disponho de instrumental adequado.

E sim, no campo da teologia, entendemos que é preciso “crer para ver” e não “ver para crer” e é por isto que ela faz parte de outra cena investigativa humana.

ANALISTA (13)

“Não nos esqueçamos que provar, conforme já afirmamos, significa mostrar materialmente. Mas, podemos apresentar evidências que nos dão segurança plena da existência de Deus. Quando dizemos que não podemos provar a outra pessoa a existência de Deus não incorremos em contradição, pois entendemos que não são somos capazes de demonstrar num laboratório o assunto acerca de Deus; afinal, este é um assunto filosófico, não científico! Não é da esfera da demonstração físico-químico-biológica à princípio, porque não posso, dentro de minha limitação “finita” abraçar o “infinito” e Deus, em sua concepção absoluta – novamente uso o dicionário: “(rel teol): ente infinito, eterno, sobrenatural e existente por si só; causa necessária e fim último de tudo que existe”.”

Eu disse no vídeo que não acha deus um objeto de estudo cientifico, o que eu disse é que a-partir do momento que a sua cosmovisão implica em um deus interferindo de forma material na realidade, podemos testa-lo, nesse caso estão descartados todos os deuses com capacidade de interferir na realidade de maneira a alterar a matéria em escala perceptível.

Restam deuses que não interferem ou interferem em escalas de medida tão pequena que surtem efeito macroscopicos, esses dois tipos de deuses são inúteis, eles existindo ou não tanto faz.

Não é possível se testar um deus genérico no laboratório, você tem toda razão, eu achei que tinha ficado claro no vídeo, mas isso me fez pensar e talvez fosse legal um dia fazer um vídeo dizendo exatamente isso.

Não é possível testar um ser criador do universo em um laboratório, não por limitação finita querendo abraçar o infinito e nenhuma carteação desse gênero.

Não é possível pelo simples fato de que não há um experimento que possa testar isso, porque esse conceito genérico de Deus como criador não possibilita nenhuma conclusão testável, pois é um conceito puramente metafísico e não físico.

Nesse caso, é só com a lógica que podemos estudar essa ideia. O que eu proponho é sobre interferência na realidade, não sobre Deus enquanto criador. Esse meu ponto só faz sentido contra um Deus que faz milagres (por exemplo), não usaria ele com um deísta que não crê em um Deus revelado.

ANALISTA (14)

“Esta questão evidentemente impõe uma relação entre filosofia e ciência; ou seja, ao passo que as leis naturais são demonstráveis pela prova científica, o que está antes do nascimento e além da morte não pode sê-lo, pois não é assunto de laboratório, mas do campo metafísico e, se me permitem, ao campo metapsíquico, é da esfera da noética e da maiêutica – daí a classificação racionalista de pretender imiscuir-se no cenário sobre a infinitude valendo-se de suas limitações materialistas é, em minha apreciação, uma falha de método. Não vai dar certo! É como se eu pretendesse entender o funcionamento de um navio estudando aviões. Estaria no lugar errado e com o instrumental errado!”

Primeiro, aviões são meios de transporte que funcionam pela pressão exercida por um fluido na parte inferior, navios são meios de transporte que funcionam pela pressão exercida por um fluido na parte inferior.

Estudando mecânica de fluidos se estuda os dois meios de transporte simultaneamente. Evidente que na parte estrutural (materiais, eletrônica, refrigeração e etc.) haverá diferenças evidentes, contudo, fisicamente são exemplos que a mesma mecânica explica.

Não acredito em leis naturais, no sentido estrito de “leis”.

Pode observar que a ciência do século 20 para frente dificilmente chama algo de lei.

Não é porque não se descobre nada de fundamental na mecânica da matéria, mas sim por uma mudança de paradigma, a ciência já percebeu que ficar chamando postulados e princípios de lei é uma mania ruim, é autoritária, pretensiosa e pouco honesta, pois no início do século passado ficou claro que teorias científicas têm faixas de valores as quais descrevem bem os fenômenos, não são absolutas.

Leis de Newton, Lei de Lenz, Lei de Huble, Leis da Termodinâmica …. Se reduzem em 2, aquelas que são princípios que postulamos para ver a que conclusões levam (Leis de Newton, postulados da relatividade…) e aquelas que são dedutíveis através de princípios mais elementares (leis da termodinâmica).

Enfim, o nome Lei é horrível.

Ocorre que se estudarmos a filosofia da ciência do século 17 e 18, vemos que se tinha como foco o princípio de haver uma ordem natural no universo, assim sendo deve haver leis que regulam essa ordem.

Essa noção já caiu por água abaixo, o universo é cheio de caos e existem casos onde muda a mecânica a ser utilizada. É impossível entender condução elétrica com mecânica clássica. É impossível entender buracos negros sem relatividade e quântica. É impossível entender o átomo somente com relatividade.

Ciência se trata de modelos, que descrevem uma certa gama determinada de fenômenos, esses modelos devem poder ser falseados, assim sendo, devem prever algo que possa ser testado.

Nada mais, a ciência não é crivo absoluto para nada. Na verdade, me parece que você coloca a ciência em um patamar de verdade acima do que eu coloco. Eu pareço ser mais cético a ciência que você.

Percebo que em geral teólogos se preocupam, arbitrariamente, com a ciência do século 18, esquecem de entender o que se pensa hoje sobre ciência. Bater em Galileu, Bacon e etc. é fácil. Acusar os ateus de seguirem uma postura materialista do século 18/19 baseado com positivismo comtiano e mostrando que esse materialismo só é compatível se houver uma causa para toda a matéria.

Todavia, ao meu ver, essa visão é igualmente religiosa, os filósofos da ciência que conhecem ciência não pensam com esses postulados do século 18/19, não temos essa fé em uma ordem natural e na capacidade da experiência em revelar leis elementares do universo.

ANALISTA (15)

“A fé não é e nunca será uma experiência coletiva, ela é sempre um acontecimento pessoal. Cada pessoa ou crê ou não crê que Deus existe. Mas esta escolha se resolve dentro de nossa mente, a partir de um raciocínio lógico e organizado. Depende da construção do quadro mental individual e pretender invadir, forçar ou submeter este poder interior individual é, para mim, o crime dos crimes, o maior tipo de violência possível – uma aberração!”

A fé é uma experiencia coletiva sim, dado uma sociedade com uma certa crença dominante, temos mais probabilidade de encontrar um adepto dessa crença que com qualquer outra.

Não tem como não ser coletivo, não existem religiões de uma pessoa só.

No máximo, o que pode ser dito é que pessoas tem convicções, no sentido que um conceito abstrato de coletivo não tem uma mente própria capaz de ter convicção em algo, isso eu concordo, mas essa convicção está vinculada a pensamentos dominantes que são inevitavelmente coletivos, por definição.

Professor Jean (16)

A fé não é uma experiência coletiva. A hipnose pode ser coletiva. As convenções sociais podem ser.

Mas, é fato incontestável que você faz parte de uma sociedade e não caminha sob a batuta dela. Está construindo uma abordagem absolutamente individual e individualista.

Outro aspecto é a necessidade de uma mínima investigação dos dados estatísticos.

O Brasil possui hoje segundo o IBGE um universo de 125 milhões de católicos, 45 milhões de evangélicos, 15 milhões que se dizem sem qualquer crença, 5 milhões de espíritas e uns 10 milhões de diversas estruturas religiosas que vão desde budismo ao hinduísmo, do candomblé até a xintoísta.

No primeiro momento, as plataformas civilizacionais nos dominam – isto é pétreo. O sujeito é educado numa família, num cenário imposto pela força da sua existências nos anos primevos; porém, num outro momento, ele vai se deparar (ou não!) com perguntas que exigem respostas – não farei aqui uma abordagem psicanalítica do fenômeno do pensar e da construção da personalidade, mas, é inevitável, até por foça biológica que, conforme os anos avançam, o sujeito vai arrostando responsabilidade e novas dimensões se impõem.

O que concluo disto?

Uma fé absolutamente individual, pessoal e que distoa do todo, ainda que não em 100% de tudo se forma.

Mesmo dentro das Igrejas temos pessoas que não acreditam absolutamente nada da dogmática, mas encontram ali um ambiente de amigos e de respeito que lhe confere um lenitivo para o peso das aflições do existir.

Isto merece – creio como profissional de saúde – nosso respeito. Sobretudo, no meu caso (e aqui entra a questão da fé enquanto quádruplo exercício da autodescoberta), que eu sei de perto o que é ter pessoas morrendo e o sofrimento em diversas dimensões reais e concretas.

Esta experiência de fé é sempre única e personalíssima, não é religião é espiritualidade – um plano que está na quarta dimensão da existência e, com certeza, para quem apenas navega na fase materialista (corpo-físico-matéria) fica difícil entender, porque as suas condições são noéticas e não racionalistas.

ANALISTA (17)

“Por isto mesmo, creio que devemos ser cuidadosos e ponderados, porque o assunto “Deus” não se resolve com pouca reflexão. Basta analisar que todos os filósofos e matemáticos – sem exceção – sempre trataram o assunto com zelo e muita ponderação. Não devemos decidir irrefletidamente sobre o assunto! A fé não é algo irracional! E lembro que fé é “conhecimento, convicção, certeza e confiança” – portanto, racional primeiro, emocional depois.”

Como já disse, se você definir fé usando certeza e conhecimento como condição, ninguém tem fé, todos tem apenas achismo. Isso é só questão de arbitrar uma definição única. Fé ao meu ver é crer sem bons motivos. Se crê com bons motivos é razão e não fé. No caso de definir fé como eu defini, fé é irracional necessariamente. Se for definir como você, então ninguém tem fé, é apenas carteação e achismo.

Professor Jean (18)

Não. De forma alguma. É um imperativo etimológico e conceitual. Fé não é uma opção.

Não me refiro à fé religiosa – porque parece que colocaram nesta palavra um símbolo de “registrada” para tratar-se de assuntos religiosos.

Não aceito o epíteto de “achista”, não me atreveria a chamar alguém que dedicou anos da vida ao estudo, em busca de entender a si mesmo, com respeito por si próprio de achista. É simplista demais entender que a discordância com uma postura pessoal seja “menor” porque, por hipótese, a pessoa não tem “a visão, ou a compreensão” que você tem.

Ôoopa! Um instante.

Há uma compreensão sua sobre alguma coisa aqui?

Uma definição de qualquer ponto de vista?

Como foi que constituiu isto?

Acaso não foi exatamente à partir de uma investigação pessoal, no plano do conhecer, depois não avançou para uma plataforma de convicção que lhe deu certeza das coisas?

Como se chama isto? Fé.

É etimologia pura simples.

Não significa “fé em Deus” – mas é “a sua fé”. A sua confiança. E toda a sua vida passa a se alinhar com base neste desenrolar de certezas. Portanto, fé é condição sine qua non para tudo.

A própria “ponderação dos matemáticos” foi recheada de muitas divergências porque um “acreditava de um modo e outro doutra”.

Por último, você tem bons motivos para discordar de mim. Ok.

Isto me serve de evidência acerca da minha conclusão, ou seja, há bons motivos em você para discordar de mim, porque logicamente a sua fé está calçada em uma razão e uma lógica que lhe faz entender em si mesmo que está com a “razão” na sua maneira de se posicionar.

Portanto, logo, fica claro que não existe espaço para uma pseudo-fé nunca. O sujeito pode ter dúvidas, mas no nível em que pretendes atuar e atuas de fato, vejo uma pessoa com muita fé. Fé tão imensa nas coisas que acredita que se dispõe a gastar considerável tempo existencial aqui no Youtube para expressar ao mundo sua racionalidade.

ANALISTA (19)

“Ora, se uma pessoa crê em qualquer coisa, logo adotará uma atitude “experiencial” em relação a isto. E se a sua crença for uma coisa verdadeira poderá notar a evidência, haverá em sua vida pessoal, transformada em si mesma, no seu estilo de vida, especialmente, uma nova ética, demonstrando que algo de novo aconteceu e que dignificou a sua vida em relação à conduta anterior. Se antes espancava a esposa, vivia com ódio, rebelde e com um padrão destrutivo e queria matar-se e matar outros juntos – agora, pela compreensão sobre Deus (não de religiões e denominações, por favor, estamos além desta condição que chega a ser xenofóbica em alguns casos!) – digo, pela compreensão de Deus, resolve viver em comunhão com as leis naturais e morais de Deus e objetiva avançar neste entendimento.”

Você realmente acha que o fato de uma crença alterar detalhes em seu comportamento é possível concluir que essa crença é valida na realidade?

Esquizofrenia novamente.

Conheço um monte de gente que bate na mulher, assassinos, cheios de ódio e etc, a maioria crê em deus. Acho bom explicar, não to dizendo que fazem isso por crer em deus e nem que crer em deus é correlacionado com fazer merda.

É obvio que conheço apenas crentes (no sentido de crer) que fazem isso pois a maior parte da sociedade crê em deus, é apena suma questão estatística, é pouco provável me deparar com criminosos ateus pois é pouco provável me deparar com ateus (para inicio de conversa).

Mas fica evidente que crer em deus não é algo que ajuda a evitar sofrimento desnecessário, se fosse assim deveria haver um número de crimes cometidos por ateus percentualmente maior que a proporção de ateus na sociedade.

Não há, é praticamente o mesmo. Esse negocio “pela compreensão de Deus, resolve viver em comunhão com as leis naturais e morais de Deus e objetiva avançar neste entendimento” não existe, é uma bobagem que chega a ser risível.

Pode ser que tenha uma impressão de que entre seus amigos teologos e crentes existe uma moralidade superior por estarem vivendo em acordo com as regras de Deus, contudo, primeiramente tire as mascaras nas quais vivem e verá um monte de merda.

Em segundo lugar, a ética é um exercício necessariamente racional, é obvio que reflexão, educação e poder de analise racional podem ser usados para gerar empatia na pessoa, para faze-la evitar causar sofrimento desnecessário.

Professor Jean (20)

Não. Eu lido com doenças psíquicas há anos. Não é esquizofrenia. Na verdade eu sou Bordeline, é outra esfera. Mas, ao ponto argumentativo e não a pessoalismos.

Pessoas que agridem as outras e praticam maldades dizem da boca para fora que são crentes em Deus. É aqui onde a hipocrisia, as doenças psiquiátricas se revelam e entendemos que na verdade o mundo é uma casa com uma imensa ausência de Deus, na acepção correta de sua verificação metafísica e metapsiquica.

Na verdade, uma coisa que você não tem qualquer obrigação de saber porque não é da sua esfera comum de investigação é que o lugar onde vais conhecer ATEUS DE VERDADE, gente com altíssimo grau de ATEÍSMO puro, limpo, sem qualquer “mimimi” é indo a uma Igreja.

Escolha qualquer uma!

O grau de ateísmo é tão profundo que as pessoas realmente acreditam que, praticando ritualísmos e se encurvando a totens estão em conexão ou agradando alguma divindade. Elas não em creem em deus nenhum.

Estão ali por causa delas mesmas.

Os verdadeiros adoradores não são e nem estão num agrupamento estigmatizado e estimagmatizador destes e daqueles – são espíritos livres e estão num nível de vibração pessoal que a turba assanhada atrás de Valdomiros e Papas não consegue perceber.

Não saíram do plano da emoção ou dos desejos meramente carnais.

A natureza humana é quádrupla (físico, emoção, intelecto e espírito) e isto está fundido num ser unificado – não é coisa dividida como apreciaria num primeiro momento o ilustre Descartes.

Mas, no final, entendo que meu “não” aqui é corroborado novamente por uma assertiva sua.

A ética é um exercício necessariamente racional e, me parece que pelo uso definitivo das estatísticas – uma imensa maioria prefere uma vida (ainda que carregada de uma grande confusão mental), estar num cenário onde se reúnem crentes em Deus (ou que assim se dizem ser), do que estar com grupos que defendem a sublevação social pela destruição de toda religião e o estabelecimento de um … o que mesmo?

Sistema de racionalismo baseado na onisciência de quem está na mesma situação que os crentes como tu afirmas?

Ora, se todos estamos juntos na mesma linha de dificuldades, como afirmas, então assim como não há vantagem em ser crente em Deus, não há vantagem em não se-lo e, por isto mesmo, retornamos à questão que é minha principal arguição: cada um de nós faz sua caminhada dentro de uma fé pessoal e não coletiva – porque assim como há ilustres benfeitores da Humanidade que são ateus (Bill Gates), há outros que o são no mundo dos crentes (Madre Teresa de Calcutá).

Mas, quem tem o pêndulo do julgamento?

Mas, fica aqui um desafio:

– Eu apresento dez pessoas que eram traficantes de drogas e hoje são seres humanos que, por causa da fé em Deus, deixaram de ser bichos loucos e passaram a atuar com humildade e respeito à vida das pessoas.

– Você me apresentará outros dez em idênticas condições e que estão igualmente bem, porque aderiram à uma plataforma ateístas e como ateus passaram a ser generosos com a vida das pessoas.

Seria um bom experimento, não?

ANALISTA (21)

“Por outro lado, se o sujeito não crê em Deus, então, viverá na indiferença até mesmo quanto a este assunto. Afinal, por que gastar tempo útil, em uma pauta que jamais conseguirá destruir no mundo? É ser um completo idiota em si mesmo, pretender destruir a investigação das pessoas sobre Deus e, haverá quem odeie Ele e quem o ame – mas que a pauta estará sempre presente, isto é incontestável! Portanto, que cada um tenha seu quadro mental interior e respeite o dos outros, porque assim como ser queimado numa fogueira é um crime abjeto demais para ser justificado (e sabemos que canalhas o praticaram em nome de suas arbitrariedades) – nenhum de nós quer criar uma fogueira contra os que fariam isto conosco, porque somos superiores à eles em nosso quadro mental interior. Eu por exemplo sei que o que sou aqui dentro é eu e que dane o mundo exterior que jamais poderá atingir-me aqui dentro sem meu consentimento.”

Não quero criar fogueira contra ninguém, digo tanto metaforicamente quanto literalmente. Por que não crer em deus implica viver na indiferença?

Que carteação pesada, não tem nada haver, você inventa duas bobagens qualquer e acha que estão correlacionadas, não faz sentido nenhum isso.

Não quero destruir a investigação de ninguém, ao contrario, acredito que essa investigação não sendo parcial para uma unica religião levará pessoas ao ateísmo.

Professor Jean (22)

Duas coisas:

  • A reflexão não pode e nem deve ser exatamente com relação à sua pessoa. No meu texto eu falo sempre como o observador e me coloco em alguns momentos – mas, de forma alguma eu faria algo do tipo: atacar a sua independência intelectual. Contraria meus argumentos em que defendo a “individualização da fé como resposta do indivíduo acerca de suas próprias questões” – não fiz um juízo de valor acerca de sua pessoa. Discuto ideias, não o conheço na vida privada e ainda que conhecesse, que poderia eu afirmar sobre suas reais intenções consigo mesmo? Se pareceu diferente, me perdoe.
  • A segunda questão é de uma lógica existencial que está na base da obviedade, não? – Se por hipótese eu não creio em Deus e considero isto uma ilusão irracional e uma absurda contradição, se é um fenômeno sociológico fruto de sabe-se-lá que fatores complicadores e que mantém as pessoas em uma crença maluca sobre anjos, demônios, salvação, igrejas, etc. – que faria eu em gastar meu tempo em pretender desconstruir isto?

– Mas reafirmo minha frase principal: “Portanto, que cada um tenha seu quadro mental interior e respeite o dos outros” – o que vale para ambos os lados.

Um ateu deve ser respeitado enquanto indivíduo porque como você disse, ele tem fé.

Oopa, onde dissestes que há uma fé ateística?

Na última frase em que (eu destacarei) afirmas:

“Não quero destruir a investigação de ninguém, ao contrario, ACREDITO que essa investigação não sendo parcial para uma unica religião LEVARÁ AS PESSOAS AO ATEÍSMO.”

Minha tese se justifica, pois, desde o início de minhas considerações que, há fé. Ela é a base de qualquer plataforma de justificativas e, como é um processo individualizado e profundamente particular – nunca poderá ser transferida e nem pode ser coletiva.

ANALISTA (23)

“Na última frase em que (eu destacarei) afirmas: “Não quero destruir a investigação de ninguém, ao contrario, ACREDITO que essa investigação não sendo parcial para uma unica religião LEVARÁ AS PESSOAS AO ATEÍSMO.” Minha tese se justifica, pois, desde o início de minhas considerações que, há fé. Ela é a base de qualquer plataforma de justificativas e, como é um processo individualizado e profundamente particular – nunca poderá ser transferida e nem pode ser coletiva. “

Acho que você entende que ao dizer “acredito” não estou dizendo literalmente que tenho fé, convicção, certeza disso. Na realidade, é algo que tenho pouco grau de certeza, nunca vi os dados que precisaria para achar isso um modelo razoavelmente valido, achei que isso estava implícito e claro, me desculpe pela imprecisão.

O fato é que presenciei situações onde ao se deparar com inúmeras quantidades de crenças uma pessoa pela primeira vez cogitou estar errada, o que já é um grande avanço se tratando de pessoas doutrinadas a crer em algo, não é o seu caso, você estudou o assunto, contudo a maior parte dos cristãos crê, por uma certa inercia social (assim como muçulmanos, judeus….).

A pessoa crê pois nunca teve sua crença confrontada, nunca teve capacidade intelectual de cogitar estar errado, nunca teve contato com outras ideias.

Conversei com vários idosos e questionei algo simples, qual a primeira religião que surgiu, todos responderam a própria religião (há um enorme desconhecimento histórico também), quando eu explico que não se sabe a primeira religião que surgiu, talvez nem seja possível saber, a reação da pessoa é negação, não aceita que sua religião não tenha sido a primeira, não consegue nem imaginar a possibilidade de outras religiões.

Outra pergunta fácil é: Porque crê na sua religião? Como sabe que ela está certa em detrimento às outras? Ninguém responde isso satisfatoriamente, as pessoas costumam dizem que todas estão certas ou algo idiota como “porque sim”.

Enfim, reflexão e apresentação a outras formas de crença estarem correlacionadas com abandonar crenças é uma hipótese, nada mais. Se a palavra crença lhe incomoda, troque-a por hipótese.

ANALISTA (24)

“Quando Deus é percebido por uma pessoa, ela nunca mais consegue ser a mesma! Eu sei, porque fui atingindo por Ele. Entretanto, se uma pessoa me disser que viu Deus, não a julgo, apenas considero que teve uma experiência pessoal que tem a ver com a sua própria percepção existencial e sua possibilidade quadro mental individual.”

Como sabe que o que sentiu é deus e não diarreia?

Pode me garantir que não é esquizofrênico?

Que não ocorreu nenhum distúrbio hormonal ou sináptico quando sentiu isso? Como sabe que é deus e não qualquer outra coisa?

Um monte de gente diz ser atingida por Deus, continuam com o mesmo padrão sináptico no cérebro, não alteram sua personalidade nem seu comportamento. A não ser que sejam vitimas que alguma psicose, essas podem alterar comportamento e personalidade.

Experiência pessoal não prova nada, a maior parte das pessoas possuem viés de confirmação, acreditam que a experiencia tem haver com deus pois já estão condicionadas a crer nisso.

É auto-convencimento, a pessoa se convence que sentiu deus, na verdade pode ter sentido um monte de coisa, ela exclui tudo para aceitar uma explicação sobrenatural, isso se deve a uma tendencia contra-investigatória.

Somos descendentes daqueles que corriam do perigo achando ser algo sobrenatural, não daqueles que investigaram o perigo.

Professor Jean (25)

 Concluindo a minha abordagem, responderei por consideração à nossa profícua e amistosa prolação os pontos em que voltamos à questão da pessoalidade. Reconheço que no texto eu abri esta manifestação, é justo que eu seja perguntado.

  • A experiência que tive com Deus não é fruto de um evento isolado, como se fosse uma situação mística em que uma visão mágica tivesse acontecido. Obviamente, por ser da área de medicina sei a diferença entre uma diarreia e qualquer outro fenômeno que não o mesmo. Também sei o que é esquizofrenia e, reforço que estou no grupo bordeline e admito isto em minhas manifestações públicas e em sala de aula. Distúrbio hormonal ou sináptico não pode ser porque são aspectos que não cabem à apreciação da pauta em lume.
  • Eu tive experiências que sendo absolutamente minhas, depois de mais de uma década do exercício do processo de fé (entenda-se por favor):

2.1- Conhecimento sistematizado – de estudos em livros, experiências com a oração, jejum, audições com diversos professores, pastores, testemunhos de muitas pessoas, análises comparativas, anotações, filmes, pesquisas sobre apontamentos de outras pessoas (monografias e teses), cheguei à uma conclusão.

2.2- Esta conclusão foi gerenciada no único lugar onde ela poderia ter sido. Dentro da minha estrutura emocional, intelectual e espiritual. O fruto desta perspectiva foi convicção e certeza. Mas, INSISTO, meu conhecimento, minha convicção e minha certeza. Não a sua, a vossa ou a nossa. E foi por isto que defendi aqui a compreensão que externei. Com a óbvia limitação que entendo ter para me fazer compreender.

2.3- Considerarei a expressão “psicose” como a manifestação da intenção de indicar “algum tipo de distúrbio psicológico grave” e não uma definição técnica. Na verdade “Psicose” é o nome dado a um estado mental patológico caracterizado pela perda de contato do indivíduo com a realidade, que passa a apresentar comportamento antissocial.

Esta é a definição exata e, no caso dos que se tornam crentes em Deus ou o são de verdade e de fato, há uma imediata tendência em participar de encontros sociais onde o cultivo das boas virtudes cristãs, exaradas na doutrina cristã é defendida.

Naturalmente que, a dificuldade individual pode constranger um e outro – mas o alvo e a meta é ser respeitoso, bondoso, temperante, manso, cordato, edificador da própria vida e família e as demais graças da vida cristã como se expõem na clara tradição eclesiástica.

Obviamente que, por minha fala mais crítica, eu considero estas oportunidades como o acesso à uma escola em que eu, indivíduo, estou ali para edificar-me e não para julgar os outros porque enquanto tentar tirar a trava dos olhos de alguém, certamente deixarei de ver o espinho que está no meu próprio olho.

Seu último parágrafo, porém, não muito feliz. Por quê?

Porque minha experiência pessoal é tudo que eu tenho em mim mesmo e obviamente que minha vida não pode ser a sua, a nossa e a vossa.

Eu estou preso no quadrado de tempo + espaço + matéria + consciência e somente dentro deste invólucro posso ser “atomizado”.

Onde está o que chamei de erro do seu último parágrafo?

O ponto em que – sob qualquer tipo de hipótese – minha experiência possa pretender uma tentativa de “convencê-lo de qualquer coisa”.

– De modo algum!

A interatividade aqui realizada, creio, serve de empoderamento no campo da convicção. Ou seja, você é um expoente interessado na pauta que pudemos tratar.

Na maioria das vezes, aqui na Internet, a maioria das pessoas que se metem a debater qualquer coisa tem a trágica tendência de falar dos órgãos sexuais, mandar os outros irem para toda sorte de lugares infames e não conseguem escrever nada. Xingam, amaldiçoam e valem-se de imprecações. Ou seja, são inúteis!

– Agradeço a sua disposição em ter (1) feito o vídeo provocativo e inteligente. (2) ter me permitido o diálogo por pelo menos uns 90 minutos de minha vida, me sinto honrado de ter podido dialogar com um intelectual que de fato se portou como tal e isto me faz ter simplesmente respeito por você. (3) o argumento do empoderamento, ainda para finalizar, direi que, nosso diálogo reaqueceu minha necessidade de observar alguns pontos apresentados por você, além de que acredito que, depois de algumas décadas verdadeiramente focado na busca por mim mesmo (só sei que nada sei … conhece-te a ti mesmo = maiêutica socrática), estou no time dos que investigam o perigo e com certeza, à semelhança do nobre colega, não dos que fogem do perigo pensando que são algo sobrenatural – não, já convivi tempo demais com as áreas de minha conduta profissional, para saber que são parte das leis naturais e morais e que se revelam dia-a-dia como um todo holístico reunido na plataforma maior do soma+psique+nous.

Novamente, agradeço por sua bondade em haver respondido e interagido nesta pauta. Saúde!

ANALISTA (26)

É evidente que a experiência que temos é singular, por isso ela não presta para nada. O que você faz é estabelecer um vocabulário razoavelmente rigoroso de forma sofística para tentar convencer a mim (e provavelmente a si mesmo) que experiencia pessoal vale de algo.

Não é necessário convicção não, faço todos meus estudos em ciência e matemática baseado na falta de fé, verificando 200 vezes se preciso que o resultado apresentado faz o mínimo sentido.

Depois das 200 vezes eu canso de tentar, mas isso não me da convicção. Essa é nossa diferente, eu me baseio na duvida e você na certeza daquilo que acha que sabe.

Professor Jean (27)

Mas, veja bem, eu não preciso e nem quero – e nem devo – pretender convertê-lo, ou vice-versa. Porque continua sendo sempre a mesma base.

Não sofismo, mas o fato absoluto de que a sua posição é uma escolha tanto quanto a minha. Nisto retornamos ao meu texto.

Fé e Dúvida e ainda Prova e Evidência. Mas, não nos negue o fato de que há muito tempo estás longe da dúvida. Faz bastante tempo que não colocastes “a fé em Deus” como centro a ser contestado.

Não me parece, em seus escritos e falas nos vídeos que publicas que exista um “homem de dúvidas” e sim “um homem de fé” – ainda que seja uma fé diametralmente oposta à minha, mas com certeza, convicção e certezas, vens à público e externas a confiança argumentativa consolidada por fruto do que até aqui já adquiriste de expertise.

Nisto está a razão pela qual por 200 vezes fases verificações, é teu método para se apropriar da fé que professas.

ANALISTA (28)

 Você diz que fé é uma convicção que vem da experiência singular do individuo? Ele poderia ter uma experiencia que interpretasse como um sinal de que pode atravessas a rodovia vendado, adiantou de algo a tal experiencia?

É útil? Aplicável? Confiável? Reproduzível? Não.

É o que? Esquizofrenia, certeza da própria experiencia. Ter experiencias e ser convicto nelas é inútil e irrelevante. Não é forma de conhecimento válido. No máximo é uma maldição de cérebros desprevenidos.

Professor Jean (29)

Não, eu sistematizo rigorosamente como um racionalista faria.

A fé é um fenômeno que tem que seguir rigorosamente um sentido diretivo de investigação. A teoria primeiro = conhecer, convicção e certeza.

Isto exigirá aqueles 200 momentos que falastes.

Naturalmente que não seria apenas e tão-somente no plano físico, mas metafísico e metapsíquico.

A prática depois – confiança.

Mas, depois, tudo é posto à prova e a dialética interior se estabelece e se instaura e o sujeito pode avançar e navegar em níveis diferentes.

Mas, é preciso estar disposto para renunciar pontuações e apontamentos, como um cientista faria ao descobrir que uma linha de desenvolvimento é melhor do que a outra.

Por fim, direi que esquizofrenia está classificada no CID-10 e é exatamente um fenômeno onde “se designa um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada, como delírios persecutórios, alucinações”.

A certeza da própria experiência é empirismo britânico.

John Locke (1632-1704), um dos mais importantes filósofos ingleses modernos, escreveu um livro chamado “Ensaio Acerca do Entendimento Humano” (1690), que inaugurou a escola chamada Empirismo Britânico. Na época, Locke foi muito influenciado pela ciência moderna, baseada em observações. Disse ele nesta obra: “Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel em branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer ideias; como ela é suprida? De onde lhe provém este vasto estoque, que a ativa e que a ilimitada fantasia do homem pintou nela com uma variedade quase infinita? De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento.”

Basicamente é isso que o empirismo sustenta: contrapondo-se ao racionalismo, que privilegia a razão como fonte segura do conhecimento, esta escola enfatiza o papel da experiência. Junto com Locke, fazem parte do empirismo britânico os filósofos George Berkeley (1685-1753), David Hume (1711-1776) e John Stuart Mill (1806-1873).

Mas isso não quer dizer que, para Locke, a razão não tem nenhuma função no processo cognitivo e que apenas aprendemos por meio das sensações. Seria um absurdo dizer isso, porque equivaleria a dizer que um matemático, para saber que um triângulo possui três lados, teria que encontrar um triângulo andando de metrô ou vagando pelo bosque.

O que Locke diz é que somente a experiência nos fornece as ideias que habitam nossos pensamentos. Em outras palavras, que o conhecimento tem um início externo, fora do homem.

Como eu estou na fase da Noética e da Maiêutica, já passei deste nível.

Mas, é valida a sugestão de esquizofenia, porque ela existe tanto de um lado (crentes) e do outro (descrentes). Saúde.

ANALISTA (30)

“- Mas reafirmo minha frase principal: “Portanto, que cada um tenha seu quadro mental interior e respeite o dos outros” – o que vale para ambos os lados. Um ateu deve ser respeitado enquanto indivíduo porque como você disse, ele tem fé. Oopa, onde dissestes que há uma fé ateística?”

Existe fé ateísta, já conheci alguns, poucos mas conheci. Contudo, não é meu caso, como expliquei no vídeo, meu ateísmo é baseado na dúvida e não na certeza.

Eu duvido de deus, longe de ter certeza que não existe nenhum deus.

E eu discordo, não acho que tenho que respeitar a ideia de ninguém, o que não posso é obrigar alguém por meio de torturas psicológicas nem agressões físicas a concordar comigo, mas se a pessoa se dispõe a argumentar, acredito estar provido do direito de tentar convence-la do contrario.

ANALISTA (31)

“Se por hipótese eu não creio em Deus e considero isto uma ilusão irracional e uma absurda contradição, se é um fenômeno sociológico fruto de sabe-se-lá que fatores complicadores e que mantém as pessoas em uma crença maluca sobre anjos, demônios, salvação, igrejas, etc. – que faria eu em gastar meu tempo em pretender desconstruir isto?”

Não posso responder por todos, mas no meu caso tenho 3 razões:

  • Honestidade intelectual, sei que estou errado e acredito que o debate dialético é um bom meio de enxergar alguma contradição que possa haver no meu pensamento.
  • Por fim, a consciência de que a forma com que eu penso é fruto de inúmeras interações materiais que determinam biologicamente meu ser, fatores sociais, ambientais e etc.

Não acho que as pessoas vão concordar comigo por osmose ou por auto-conhecimento/revelação, creio ser necessário debater e apresentar ideias contrarias, na esperança que a reflexão faça pessoas repensarem a própria postura.

A não existência de Deus não é uma obviedade, é necessário argumenta-la a exaustão.

Professor Jean (32)

Então creio que chegamos a um bom final de nosso diálogo! Eu me convenci de que você tem uma fé pessoal, notoriamente única, ainda que claudique em admiti-la como um sistema (talvez porque não seja mesmo!), mas notoriamente é.

Tanto em Teologia como em Administração existem alguns postulados curiosos de paralelismo. A síntese do que quero dizer aqui é que as Igrejas são administradas e nelas há:

  • Uma doutrina (se boa ou ruim, não importa, há um ensino lá!)
  • Uma missão (que é propagar a referida doutrina e torná-la fonte de unificação congregacional)
  • Uma gestão de uma equipe, mas tudo normalmente começa com uma pessoa em busca de liderar o processo.

O nobre colega está nesta direção sem perceber.

  • Possui uma doutrina e é profundamente marcado por ela, como dissestes nesta última fala: “é necessário argumentá-la a exaustão” – o que denota a tal fé que mencionei todo o tempo e que não é possível deixar de ter, ainda que seja diferente de todos os demais (e normalmente é mesmo, porque é sempre individual e não coletiva, defendo).
  • Está numa missão que, sinceramente, não creio que seja a de celebrar uma campanha anti-deus, porque em algum momento dizes: “Eu duvido de deus, longe de ter certeza que não existe nenhum deus.” – a missão, que eu vejo é a da confirmação, quem sabe, depois de 200 vezes testado – de que a hipótese de Deus, na forma escolástica proposta por um (por exemplo) São Tomás de Aquino ou Agostinho de Hipona é sem sentido lógico. Mas, está em processo uma missão com certeza! E creio pelas suas postagens que envolve outros cenários e não estás preso nesta pauta e isto retira-te do grupo dos fanáticos que, no campo religioso … valei-me Deus … tá cheio!
  • Há uma estratégia em andamento. Youtube, quem sabe um site vem por aí. Meu nobre, seja como for, não importa nossas discordâncias e distonias: grave, provoque, publique, escreva, enuncie, porque o que tiver que ser será e quando o espírito humano se revolve em torno de uma busca na esfera do saber, com certeza, adoece o sujeito que nega o chamado existencial que lhe está proposto. Não direi “fica com Deus” porque seria inócuo, mas que tenhas saúde é uma boa despedida. Sucesso!

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO ANALISTA (33)

Talvez aqui cheguemos onde eu quero.

Ser relevante ou não é obvio que recai na pergunta, relevante ou não para que? Ou para quem?

Eu disse considerar irrelevante pois não me interesso em formas de produzir conhecimento a-partir de fé, logo não terá relevância para mim, isso é sim uma questão pessoal, ser relevante ou não.

Então não precisamos discutir esse ponto novamente.

Sobre ter certeza de algo, se ainda acha que isso é método válido para conhecimento, arriscaria sua vida por uma certeza interna que tem? Se sim tem algum problema ai, se não então porque isso é válido em outras ocasiões? Ter certeza de algo não é conhecimento valido, se tentar testar há grande chance de falhar (obvio que digo testar certezas sem evidencias e sem bons motivos lógicos).

Ter certeza de que não será atropelado te faz não ser atropelado? Não.

Certeza de que não irá se afogar ajuda a não se afogar? Não. Certeza que conseguirá um emprego lhe garantirá um emprego? Não.

Certeza em x garante que x ocorrerá? Não.

Logo, certeza em algo não é conhecimento útil pragmaticamente.

Você mencionou o niilismo, deve ter percebido, o niilismo é parte fundamental do meu pensamento, Nietzsche está entre os autores que mais me influenciam.

Ao meu ver não há conhecimento absoluto, a ciência é o melhor método (a ciência na concepção falsificacionista, não na concepção do empirismo clássico) mas não prova nada.

Autoconhecimento é um monte de certeza inútil , pessoas providas de certeza são ingênuas, são pessoas que acreditam que suas convicções representam algo prático.

Isso não é ser rebelde sem causa, é ser rebelde de certa forma, mas a causa é clara, honestidade intelectual, ego também, seres humanos são providos de ego, esse influencia o comportamento.

Contudo não sou niilista, sou influenciado pelo, o que é diferente de ser adepto fiel, pois isso também seria fé, certeza na ausência de certeza. Eu não tenho certeza que não tenho certeza.

Gostei muito de conversar com você, desculpa meu estilo agressivo e provocador, é minha maneira de argumentar, não acho eficiente para convencimento, mas gera um pouco de raiva no outro, por sua vez, raiva pode ser útil para gerar reflexão, pessoa com raiva fica pensando sobre o que a deixou com raiva.

Por isso de eu ser um provocador. Comente sempre que quiser. Sou chato ao extremo, vou responder virgula por virgula de tudo que eu considerar ter resposta, nem que me leve tempo.

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