Convivência Conjugal (1ª Parte)

Em dias em que o divórcio se tornou fator muito comum nas sociedades ocidentais do Mundo, precisamos buscar na Bíblia a orientação divina sobre um dos assuntos mais importantes da vida, para podermos andar de modo tal que possamos agradar a Deus e evidentemente termos uma existência digna do alto mister que nos foi legado.

(A) Minha Posição Sobre o Divórcio

Eu quero deixar, porém, bem claro, desde a saída destes dois artigos (hoje e um na próxima semana), que sou a favor do divórcio quando ele ocorre por qualquer um destes quatro pontos que indicarei à seguir e igualmente sou a favor do novo casamento. E mais ainda, não considero que a pessoa que assim está, seja servo do diabo, filho do Satanás e nem deva sofrer qualquer sanção por parte de quem quer que seja, a não ser Deus, único que poderá tratar da questão com o indivíduo nos termos de Romanos 14:12.

Na verdade, quem quer que se intrometa na vida pessoal (sexual, particular emocional) de outra pessoa, deve ser imediatamente rechaçado e enfrentado severamente, em outras palavras: que vá se lascar!

Defendo-o e considero-o plenamente válido em todos os graus o direito pessoal, moral, particular e social de que qualquer pessoa que não suporta mais um casamento baseado em mentiras, em traição, em desrespeito e em abuso, se divorcie imediatamente, e depois de encontrar uma pessoa que seja capaz de lhe servir como companhia em todos os aspectos, componha a sua vida pelo viés de um novo casamento.

Sou rigorosamente contrário à prostituição e por isto, entendo que o casamento deve ser a regra para as pessoas que se divorciaram e devem reconstruir as suas vidas! Ponto.

Por questões de espaço neste artigo, não farei aqui uma ampla exposição de meus motivos pessoais e teologais ao defender o que acabo de afirmar, mas, aponto como uma opção de pesquisa para quem quiser aprofundar-se nesta demanda: (VEJA AQUI UM TRABALHO MEU A ESTE RESPEITO).

Este material indicado está em permanente reavaliação (anual) e à ele eu acrescentaria hoje o raciocínio da legitimidade do divórcio e novo casamento por determinação divina, partindo do fato de que Deus não muda, como está escrito:

Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. (Malaquias 3:6).

E, sendo fato que Ele não pode ser tentado pelo mal:

Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. (Tiago 1:13)

Ele tem que seguir um padrão ético, no trato com os seres humanos, que sirva de referência segura e não de confusão, por todo o tempo histórico e preservando uma linha moral que seja coerente e reveladora de Seu modo para conosco. Isto nos parece claro quando lemos:

Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto. (Salmo 89:14).

A tua justiça é uma justiça eterna, e a tua lei é a verdade. (Salmos 119:142).

Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos. (1ª Coríntios 14:33).

Ora, se Deus determina através de Moisés em Deuteronômio 24:1-4 a Lei do Divórcio e do Novo Casamento, quem somos nós para declarar que é injusto tal demanda? Então, temos uma parte da Torah (a Lei de Deus) que é ímpia em seus fundamentos? Então, Deus cometeu um erro ao liberar tal direito?

Sim, não podemos nos esquecer que para o Profeta Daniel, não há diferenças entre a Lei de Deus e a Lei de Moisés no cenário intrínseco de Israel:

Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele. (Daniel 9:11).

Como está escrito na lei de Moisés, todo este mal nos sobreveio; apesar disso, não suplicamos à face do Senhor nosso Deus, para nos convertermos das nossas iniquidades, e para nos aplicarmos à tua verdade. (Daniel 9:13).

Para mim, está claro que a ética divina é da “concessão”, a favor da melhor possibilidade de permitir à vida humana uma margem de possibilidades que se enquadram em uma situação própria na conexão com Ele. No assunto “casamento, divórcio e novo casamento”, ainda que não seja o desejo primário de Deus (Gênesis 1 deixa isto claro!), ainda que seja uma condição que aborrece severamente a Deus (Malaquias 2:16 – diz que Deus odeia o divórcio), a Sua maneira de tratar a espécie humana é bem diferente da que a ortodoxia míope de inúmeros religiosos gostariam que fosse, para a felicidade e possibilidade de perdão e misericórdia à favor de milhões de pessoas.

(B) Razões Para o Divórcio.

Além das que são delineadas em Deuteronômio 24:1-4 e que são princípio definido na Torah, portanto, Lei Eterna (Salmo 119:142, 152) – eu tenho estudado e desenvolvido uma pesquisa cuidadosa sobre outras possibilidades:

(1º) Quando há claríssima ação de infidelidade (quer seja física ou emocional). É um direito pétreo do ser humano, não se submeter a nenhum tipo de humilhação, por outro ser humano, em qualquer que seja o caso de abuso físico ou emocional e, especialmente, acima de tudo, quando há desrespeito e traição. Eu seria um doente mental se me sujeitasse a viver no jugo de alguém que não gosta de mim, sob pretexto de que tal indivíduo merece o sacrifício de minha vida no altar da dor e do desprezo. Isto é estupidez e tolice em qualquer grau de pseudo espiritualidade ou inteligência primária. Quem defender o contrário do que acabo de afirmar é alguém que apoia a “teoria do abuso físico ou emocional no casamento, sob pretexto de que isto seria uma determinação divina” – o que, em si, já é uma aberração.

(2º) Quando a autoridade constituída de um País que pode fazer casamentos determina quais as regras acerca de quais as regras para o divórcio. Este princípio se baseia no fato de que a autoridade de uma Nação é, por imperativo natural, a autoridade delegada por Deus para determinada Nação e, se ela, através de suas mais elevadas autoridades, estabelece o que pode ser e como deve ser o casamento, bem como o divórcio – diante de Deus, naquela Nação, a Justiça se dá daquele modo. Logo, é o critério de Deus para aquele povo! Caso semelhante temos, por exemplo, na permissão divina para a escravidão em muitos cenários e contextos claramente delineados na História Sagrada. Ela é permitida e regulamentada até mesmo por normas previstas na Torah (Lei de Moisés) e, nem por isto a autoridade nacional, em determinado contexto e ambiência história se torna menor do que a nossa que, atualidade abomina e expurga tal prática como uma aberração. Isto é exatamente o que defendo: o direito divino em relação às condições humanas são relativos nas questões da ética que constitui a vida das pessoas em suas sociedades que, por diferentes que são, se avaliam por critérios (a) religiosos, (b) filosóficos, (c) tradicionais e (d) políticos e, pelo que depreendemos da realidade histórica: Deus assim permite que seja e, nisto a autoridade divina se impõe.

(3º) Quando o ideal divino não está presente. O divórcio é perfeitamente justo quando “aquilo que Deus não juntou” as pessoas querem manter colado e não se consegue. É claríssima a impossibilidade deste expediente. Não é possível manter duas pessoas que, ao longo da convivência se descobrem como “não-amantes” e tomadas de um espírito de “aborrecimento, traição, abuso e desrespeito” chegam à claríssima compreensão que é impossível viver juntos e não se tornarem plenamente amargurados. Isto demanda desde as condições de “cheiro” (o cheiro de um causa nojo no outro), até a definição de uma posição abjeta de uma ideologia rigorosamente contrária à que o outro deseja seguir, como se dá no caso em que uma mulher é defensora de uma linha “comunista” de viver e o marido é um “liberal capitalista convicto” – isto simplesmente torna o tecido interior da vida, profundamente mal e perverso para ambos que, obviamente, não conseguirão nem fazer sexo porque há um aborrecimento profundo entre ambos.

(4º) Quando a “igreja” e sua “interpretação” das Escrituras extrapola as suas funções. E é simples entender isto! A Igreja Evangélica é contrária à Igreja Católica Romana porque esta possui uma notória prática de ensinar seus fiéis a ajoelharem-se diante de imagens de esculturas e tal prática é considerada pagã, diabólica, inócua e anti-espiritual em sua essência, na concepção Cristã determinada em João 4:20-24. Não pretendo entrar neste mérito aqui, mas é claro que o “altar romanista” é considerado pelo “evangélico” como sendo ímpio, diabólico, anticristão e deve ser combatido – e é, pelo viés ideológico da chamada ‘evangelização’. Naturalmente a Igreja Católica Romana se posiciona de modo contrário e o conflito sazona neste limiar de interesses religiosos, financeiros, logísticos e tradicionais, com maior ou menor intensidade na agressão, conforme a cultura social e o espírito da comunidade. Isto é fato! – Pois, bem, mas e como fica a questão do casamento e do divórcio? É simples: um casal foi casado na Igreja Católica Romana, cujo altar é desprezado pelos Evangélicos e por óbvio, o sacerdote católico não teria, por hipótese, autoridade diante de Deus (espiritual) para o dito ofício. Assim, é razoável dizer-se que o casamento nestas condições foi celebrado no altar do Diabo? Façamos diferente. Mudemos a perspectiva. O casamento celebrado no altar de um pastor protestante ou evangélico, que declara que a Igreja e sua idolatria é pagã, vale alguma coisa? Ou a Igreja de Roma é a santa e única válida e por esta razão, o casamento celebrado na esfera evangélica é que foi celebrado no altar do diabo? – Assim, reputo a Igreja, seja ela qual for – por sua incompetência institucional de se firmar como “a” verdade (embora admita que ela possa ser “uma parte” no ambiente da verdade) – não detém a última palavra em questões de casamento, porque ela não pode ser definida em termos literais senão como uma expressão de certo coletivo humano que, aliando-se e afiançando-se em torno de certas tradições elege, por cultura ou por discursos próprios da referida cultura, aponta o que é ou não válido em certos assuntos, mas, quando não lhe é conveniente em outros que são flagrantemente injustos, os defende e procura ajuizar, amaldiçoando uns e abençoando outros, conforme suas indignas e às vezes dignas conveniências.

Mas, quero deixar bem claro que uma coisa é a possibilidade do divórcio, e a outra é o ideal de Deus! Eu não sou estúpido e idiota ao ponto de ignorar que o ideal divino não é divórcio, não é inimizade e rancor, com mágoas infindas!

Por isto, eu presto aqui uma contribuição a um debate que é sempre recorrente na comunidade, sobretudo, em face dos elevados números que constituem o ambiente do divórcio e novo casamento no Brasil (Veja Aqui).

São “as minhas razões” e não quero, não posso, não sou e nem pretenderia ser, em qualquer grau de validação, rival da Igreja, seja ela qual for, porque isto seria coisa de um sujeito idiota e, não o sou! A Igreja existia antes de mim e vai continuar depois de mim. Ela só pode ser desfeita, e o será, por Cristo, ao tempo de Sua augusta segunda vinda à este mundo nojento e diabólico (1ª João 5:19).

Todavia, até lá, as nossas vidas seguem seu curso e temos que nos abençoar com o melhor que pudermos, de tal modo que um bem querer e uma vida pacífica e calma possa ser a tônica de nosso existir – porque não é possível seguir adiante com ódio, raiva, mágoa e rancor.

Falamos aqui da delicada questão da convivência conjugal!

(C) Aspectos Fundamentais Sobre o Relacionamento Conjugal.

Antes da entrada do pecado no Mundo, a Bíblia nos revela em Gênesis 1 e 2 (tanto quanto no Livro de Jasar), que recebemos do Pai Celestial algumas estruturas previamente definidas; ao lado das instituições do trabalho, da guarda do sábado, da dietética naturista e da adoração verdadeira ao Criador, a sagrada instituição do casamento com todas as características obrigatórias definidas para o bem de nossa espécie.

Este não é, portanto, um assunto de pequena importância; pelo contrário, devido ao fato de que a instituição do casamento é a que estabelece a possibilidade única da edificação das famílias; precisamos entender bem claramente os fatores que constroem a infraestrutura do relacionamento conjugal, ao ponto dos envolvidos poderem determinar a base de suas famílias.

Fora disto, o sujeito que pretende adentrar no debate, nem deve iniciar argumento algum, porque será desprovido daquela noção primária essencial ao entendimento do que é que estamos trazendo à pauta.

1. Quem fundou o casamento e estabeleceu suas prerrogativas estruturais?

Gênesis 2:24 – “por isto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.

Hebreus 1:34 – “digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula”.

Em todas as culturas do mundo o casamento é sempre governado por leis que o regem socialmente, de sorte que um padrão comunitário é sempre seguido. Mas, a sua provisão normativa vem de um ato divino inicial que é “ideal e perfeito”.

O casamento jamais é uma questão de opção sexual, mas uma questão divina!

Em Romanos 7:24 está escrito que em Israel “a mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele viver”. Evidentemente que o marido estaria ligado à ela nas mesmas bases, pois em 1ª Timóteo 3:1-2 declara-se dos líderes da Igreja que “se alguém deseja ao ministério, excelente obra deseja, é necessário pois, que o ministro seja irrepreensível, marido de uma só mulher. Falando a Tito (Tito 1:5-6), o apóstolo repete esta base de modo absolutamente claro.

E, antes que alguns críticos apressados se manifestem de modo depreciativo às minhas 4 razões para defender que o divórcio e inclusive o novo casamento são válidos para minha dialógica, tenhamos a calma de quem primeiro ouve um argumento, com a serenidade de alguém que oportunamente apreciaria que as suas manifestações fossem tratadas da mesma forma pelo contraditor.

2. Diante desta realidade, qual deve ser a nossa postura em relação ao casamento?

Efésios 5:25-29 – “Vós maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água , pela palavra, para apresenta-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja”

Notamos que o casamento, na visão apostólica possui um centro de controle determinado por Deus. Este centro de controle está sediado no marido e não na mulher. Compete ao homem, macho e comparado aqui à pessoa de Cristo na relação, uma iniciativa firme e séria, honrada e definida na relação que seja edificada sobre os seguintes princípios:

  • Amar a sua própria mulher como Cristo amou a Igreja – este mandamento determina que o marido se entregue pela mulher. Como pode ser este tipo de amor? (1ª João 3:16).
  • A finalidade deste amor é santificá-la, purificá-la, apresenta-la gloriosa, sem mácula, nem coisas semelhantes ao que não seja santo e irrepreensível.
  • A ordem é claríssima: “assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos”.
  • Por último, é ordenado que o marido faça duas coisas: nutrir e prezar a esposa.

3. Ora, se assim é, que possibilidade existe de um homem deixar a sua esposa e ter outras mulheres com a aprovação de Deus? Qual a chance que existe de um homem poder ter mais de uma mulher e possuir a aprovação de Deus?

1ª Coríntios 6:15-18 – “Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei pois os membros de Cristo, e os farei membros de uma prostituta? De modo nenhum! Ou não sabeis que o que se une à prostituta, faz-se um corpo com ela? Porque como foi dito, ‘os dois são uma só carne’. Mas o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo”.

Provérbios 23:27 – “Porque cova profunda é a prostituta; e poço estreito é a aventureira”

Provérbios 22:14 – “Cova profunda é a boca da prostituta; aquele contra quem o Senhor está irado cairá nela”.

Provérbios 18:20 – “Quem encontra uma esposa acha uma coisa boa; e alcança o favor do Senhor”. (Veja-se provérbios 19:14; 31:10 e 28).

É óbvio que a mulher não poderá incorrer no mesmo erro que aqui é proibido ao homem, porque ela se tornaria a prostituta.

4. Quão grave é o ato da prostituição diante de Deus?

1ª Tessalonicenses 4:3-7 – “Porque esta é a vontade de Deus, a saber: a santificação e que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra, não na paixão da concupiscência, como os gentios que não conhecem a Deus; ninguém iluda ou defraude nisso a seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos. Porque Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a Deus, que vos dá o Seu Espírito Santo”

Se uma pessoa dentro da Igreja cometeu este pecado o que deve fazer imediatamente?

“O meu Deus me humilhe perante vós, e chore eu sobre muitos daqueles que dantes pecaram, e ainda não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram” (2ª Coríntios 12:21).

Atos 15:19-20 – “Por isso, julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue”.

Gálatas 5:19 – “ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia (…) e coisas semelhantes contra as quais vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus”.

5. O relacionamento conjugal envolve duas bases de sustentação elementares quais são?

Inicialmente a questão sexual é um dos pilares claramente definidos, embora não possa ser “o único e nem o mais importante” como apreciam muitos pregadores. A vida de casado não se resume e nem é essencialmente sexual, pelo contrário, ela chega a ter a suficiência sexual bem apequenada com o passar dos anos (veja aqui), como indicam diversas pesquisas (veja aqui) e sabemos na vida real que assim o é.

1ª Coríntios 7:1-2 – “Ora, quanto às coisas de que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; mas, por causa da prostituição, tenha cada homem sua própria mulher e cada mulher seu próprio marido”.

1ª Coríntios 7:5 – “não vos priveis um ao outro, senão por mútuo consentimento, a fim de vos aplicardes à oração e depois vos ajuntardes outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência”.

1ª Coríntios 7:32-33 – “pois quero que estejais livres de cuidados. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; mas quem é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar a sua mulher, e está dividido”. (Mas, devemos ler também os versos 34-36, onde se declara que quem casa não peca). Inclusive a ordem para todos os casados é muito clara: “Estás ligado a mulher? Não procures separação. Estás livre de mulher? Não procures casamento. Mas, se te casares, não pecaste; e, se a virgem se casar, não pecou. Todavia, estes padecerão tribulação na carne e eu quisera poupar-vos.” (1ª Coríntios 7:27-28).

Em segundo lugar, temos a questão da companhia existencial.

1ª Pedro 3:7 – “Igualmente vós, maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher como vaso mais frágil, e como sendo elas herdeiras convosco da graça da vida, para que não sejam impedidas as vossas orações”.

Colossenses 3:18-19 – “Vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos, como convém ao Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não as trateis asperamente.”

Nota: Cabe aqui uma explicação oportuna sobre a questão da submissão no casamento. Diz a Bíblia em diversos lugares que “assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos” (Efésios 5:24).

Muitos imaginam que este texto determina que as mulheres devam ser escravas, sem direito de expressão, sem capacidade de decidir nada, que devem ser dominadas por todo tipo de tara sexual do homem ou ainda que não possuem vontade própria que deva ser respeitada. Nada há na Palavra de Deus que apóie tal ideologia maluca! Embora a palavra usada no verso aqui descrito seja “submissas em tudonão podemos deixar de lembrar jamais que a ordem dada ao homem é a de que ele deve apresentar sua esposa diante de Deus como uma pessoa gloriosa, porque a finalidade do amor conjugal do marido é santificá-la, purificá-la, apresentá-la sem mácula, nem coisas semelhantes ao que não seja santo e irrepreensível. O nível do homem se demonstra pela qualidade do trato que dispensa a sua mulher.

Leia-se cuidadosamente 1º Coríntios 11:11-12, a expressão “no Senhor” é crucial!

Outrossim, a questão da submissão pode ser bem resolvida quanto a esta dificuldade aqui identificada se lermos ao lado do texto aqui apontado estes outros:

Efésios 5:21 – “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo”.

Filipenses 2:2-4 – “completai a minha alegria, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa; nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo; não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros”.

Gálatas 3:27-28 – “porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo. Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Jesus Cristo”.

A ética (as regras de comportamento) que são determinadas na Bíblia para os relacionamentos humanos, especialmente no casamento, não são unilaterais de forma alguma. O homem é evidentemente menos frágil que a mulher em muitos aspectos, porém, um homem enfermo e tuberculoso que tenha uma esposa cheia de saúde e vigor, certamente é bem mais frágil que ela.

O mundo é uma casa de pestosos e “jaz no maligno” (1ª João 5:19), o que a Bíblia nos dá são fundamentos e referências que devemos perseguir com grande zelo e esforço. Isto não excluirá muitas situações que são complicadas e que envolvem questões que nos fogem nesta hora da capacidade de expor.

Para não vivermos confusos e sem saber o que fazer, aqui apontamos os fundamentos elementares da relação conjugal básica e que todos os que se declaram pastores, mestres do evangelho, bispos, educadores, missionários, capelães e profetas são obrigados a cumprir.

Porém, diante destas concepções, como podemos seguir vivendo entremeio a tantos desencontros e complicações, quando a proposta pastoral maior determina pelo que está escrito?

“Mas, se procurando ser justificados em Cristo, fomos nós mesmos também achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De modo nenhum!” (Gálatas 2:17).

6. Da Condição Pessoal Específica.

Me parece claro que cada pessoa “dará conta de si mesmo diante de Deus” (Romanos 14:12) e que, para efeito de decisão individual, “por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?” (1ª Coríntios 10:29).

Cada caso é um caso e. a tentativa de se colocar todas as pessoas num plano fixo, inflexível, intocável e inegociável, é uma coisa infantil sob todos os aspectos, porque a vida humana não é conduzida por textos da Bíblia e nem por vontade de pastores, padres, igrejas e seja lá de quem quer que for.

É um mundo em pecado e carecemos de capacidade de lidar com todas as complexidades que estão inseridas no processo de autoafirmação.

Eu pergunto:

  • Uma pessoa casou-se, depois divorciou-se e casou-se novamente. O que fazemos com esta pessoa? Amaldiçoamos a sua vida todos os dias porque ela está fora do padrão “sagrado” que a interpretação e textos da Bíblia sugerem como o ideal que não está ali constituído?
  • Tomamos uma pessoa divorciada e que casou-se novamente e cuspimos em sua cara e negamos-lhe qualquer direito de se aproximar de Cristo?
  • Consideramos a pessoa divorciada e que se casou novamente como filhote do demônio e a condenamos a não ter espaço na vida da comunidade? É assim que deve ser?

(Esta nossa pauta continuará no próximo artigo)

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *