Do Caso da Venda de Igrejas.

Estudo: 033/T[1]

Do Caso de Vendas de Igrejas e da Apostasia Pastoral no Brasil.

  1. Do Absurdo Caso da Venda de Uma Igreja Por Um “Pastor”.

Tema devidamente publicado na mídia nacional, os envolvidos denunciados como estelionatários da religião, praticaram uma aberração, sob a perspectiva espiritual que, tramitando sob os olhares auspiciosos do Ministério Público, serve como referência para uma geração religiosa louca e perdida em si.

Vamos ao caso!

Publicado em diversos fronts[2] de mídias sociais o incidente causou profunda consternação em quem tem dignidade pastoral e faz parte de uma Causa legítima da fé cristã-evangélica. Entre outras implicações o cerne do problema foi o seguinte:

A Polícia Civil indiciou dois pastores por estelionato na venda ilegal de uma igreja evangélica, em Goiânia. Segundo o delegado, Isaías Pinheiro, responsável pelo caso, eles fraudaram uma assembleia para autorizar a comercialização do imóvel com todo o mobiliário alegando, no entanto, que haveria somente uma união entre os dois templos. Os fiéis afirmam que ajudaram na compra de vários itens, como aparelhos de som e bancos. Os envolvidos negam o crime.

A investigação começou em março deste ano após denúncia dos próprios fiéis. De acordo com o delegado, em 2013, o pastor Valtuir Martins Ferreira vendeu a Igreja Batista da Vila União para o bispo Gilmar Martins, que representava a Igreja Luz Para os Povos, no mesmo setor. No entanto, eles não trataram o negócio como uma venda.

“Houve o golpe, o estelionato. O pastor vendeu a igreja de ‘porteira fechada’, inclusive com os fiéis. Ele fez uma reunião e os induziu ao erro, dizendo que não estava vendendo a igreja alegando que haveria apenas uma união entre os dois templos”, explica.

O delegado, que considera o caso “inusitado”, acredita que os religiosos agiram em conluio, pois o imóvel, com tudo que havia dentro, é avaliado em cerca de R$ 400 mil, mas a venda foi concretizada por somente R$ 80 mil.

Fiel procurou a polícia

Desde que a negociação foi concretizada, a igreja está fechada e não recebe mais celebrações. Neste ano, a aposentada Maria de Jesus Dias de Araújo, de 70 anos, decidiu denunciar o caso à polícia para poder voltar a frequentar a igreja.

“Eu me batizei nesta igreja em 1978, era uma igreja tradicional. Aí veio esse pastor e acabou com tudo. Ele disse que era uma união e todos assinaram o documento na assembleia, mas era a venda para outro pastor”, disse ao G1.[2]

Não há dúvidas de que uma séria complicação há neste incidente, porque quatro coisas são fato: (1) não há mais cultos na referida Igreja que não tem pastor que evadiu-se; (2) a Congregação afirma que houve indução ao erro porque se fora uma união de Ministérios eles estariam sob a justa proteção e guia do ‘novo pastor’; (3) há uma denúncia de R$80 mil reais que o pastor ‘vendilhão’ embolsou e foi embora levando o dinheiro; (4) as autoridades acolheram a denúncia em face de provas e evidências que, para fins de solução conclusiva, se resolverá na Justiça Secular – para vergonha dos que se dizem povo de Deus.

Ora, este tipo de problema não é novidade; não é inusitado de forma alguma! Há outras situações[3] em que se verifica que os sujeitos que atendem como pastores, manipulam comunidades, normalmente de incautos e figuras simples da comunidade para praticarem diversas absurdidades.

É claro que estes supostos “ministérios pastorais”, não são ministérios de coisa alguma e não passam de charlatanismo descarado e que deve ser severamente denunciado por organizações que têm uma função histórica em defesa da união do Ministério Evangélico Brasileiro, como a OMEBE[4] – Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil – da qual faço parte com grande satisfação!

  1. Da Legislação Imposta a Todas as Igrejas Brasileiras.

Por força do ofício ex cathedra que tenho desde que assumi em minha vida a função de trabalhar pelo Reino de Deus há 23 anos, entendi que a função pastoral não está dissociada de uma quádrupla atribuição que emana e demanda-se a partir do Único exemplo que pode servir de parâmetro pastoral, e podemos depreender nas passagens a seguir, acerca de Quem e como se trata este desiderato:

“Todo aquele que diz que está nEle, deve andar como Ele andou” (1ª João 2:6).

“E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 4:23; 9:35).

“Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do Diabo, porque Deus era com Ele.” (Atos 10:38).

Ora, é notório que não existe de forma alguma, espaço para qualquer tipo de confusão acerca de quais são as atribuições de um legítimo pastor que trabalha para o Reino de Deus, a sua vida se concentra em ensinar, pregar, curar e fazer o bem. Ponto.

Qualquer coisa fora deste jaez é, definitivamente, estelionato espiritual, vileza, maldição e soberba!

As atribuições de um pastor estão focadas nas regras já claramente definidas nas Cartas do Apóstolo Paulo, proeminentemente em 1ª e 2ª Timóteo, com confirmações em todo o Novo Testamento, de sorte que podemos assegurar a qualquer um que leia este nosso artigo que os pilares são os seguintes:

“Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.” (2ª Timóteo 4:1-5).

Não existe trabalho pastoral legítimo sem um firme compromisso com: (a) submissão a Deus e a Jesus Cristo; (b) pregação da Palavra Bíblica; (c) perseverança em tempo e fora de tempo; (d) estabelecimento de barreiras contra as fábulas e falsas doutrinas; (e) sobriedade com óbvia honestidade em tudo; (f) evangelismo e (g) firmeza na Causa do Ministério.

Daí, um sujeito qualquer (porque assim se posiciona depreciativamente por suas ações), se atreve a “vender a Igreja com os fiéis dentro”? Ora, e estas pessoas são escravas que podem ser vendidas?

Como esta comunidade do incidente de nosso exemplo possui um prédio e uma congregação devidamente constituída, o que implica em realização de “atas” de gestão interna e devidamente registradas em “cartório”, uma dimensão jurídica se impõe entender aqui.

A igreja, enquanto entidade religiosa, para existir no ‘mundo jurídico’ precisa se materializar por intermédio de procedimentos definidos pela legislação pertinente, a qual exige básica e fundamentalmente o seguinte:

  1. O Registro de sua Fundação e Constituição perante o Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas; e,
  2. O Credenciamento de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) perante a Receita Federal.

No que toca ao registro, a Lei dos Registros Públicos, Lei nº 6.015/73 é quem rege a matéria, especialmente, do registro dos atos das organizações religiosas, inclusive, a sua fundação e alterações posteriores.

Assim, na melhor prática, respeitando a transparência das relações sociais e religiosas, moralidade, sobretudo, a transcorrência adequada de lisura do processo de criação da igreja, sugere-se que, primeiro seja realizado a comunicação dos frequentadores das reuniões e cultos, sejam de forma verbal nas ditas reuniões e mediante edital de convocação, a ser inserido no local de avisos, indicando o convite específico e claro para a finalidade de constituição e fundação formal da respectiva igreja, ou ainda, registrando o convite em lista simples, com nome completo dos frequentadores.

Este Edital deve ter conteúdo e as dignas formalidades bem respeitadas na forma estabelecida pelos Estatutos Sociais que foram registrados por ocasião de sua criação e, nisto, observar-se que o Edital deve comunicar obrigatoriamente, o assunto e a finalidade da respectiva reunião ou assembleia, qual seja, “constituição e fundação da entidade religiosa”, com a indicação do horário e data.

Feito isto. A assembleia ou reunião que promoverá a fundação e constituição da igreja que deve se debruçar sobre:

  1. Definição e aprovação da diretoria e nomeação de seu presidente ou diretor
  2. Definição do nome da igreja;
  3. Definição e aprovação dos Estatutos Sociais da Igreja.

Superado as resoluções atinentes aos assuntos mencionados, sendo definidas em assembleia única, promove-se as ditas deliberações que devem ser resumidas a termo, através de um secretário ad hoc, mediante ata de constituição e fundação da igreja, a qual deve ser assinada pela diretoria eleita, inclusive pelo presidente-diretor e pelo secretário ad hoc, com firma reconhecida do presidente ou diretor, no cartório competente.

Por amor a técnica burocrática, aconselha-se que os membros eleitos da diretoria e seu presidente ou diretor máximo juntem à respectiva ata de constituição e fundação a cópia autenticada de seus documentos pessoais (cédula de identidade e CPF).

Neste particular, o art. 46, inciso II da Lei nº 10.406/02 deve ser observado, por isso, a imprescindibilidade da confecção de lista geral dos presentes à reunião ou assembleia de fundação e constituição da respectiva igreja.

Na lista mencionada deve constar a qualificação completa dos presentes, a saber: nome completo sem abreviações, nacionalidade, estado civil, profissão, endereço residencial, número da cédula de identidade e CPF, bem como os presentes devem assina-la, sem a necessidade do reconhecimento de firma.

Enfim, com a ata de fundação e constituição, lista geral dos presentes e estatuto da igreja leva-se ao registro perante o Cartório de Pessoa Jurídica da Jurisdição do local onde funcionará a igreja, geralmente pelo presidente ou diretor eleito.

Após análise minuciosa pelo oficial de cartório, se não houver equívocos (incoerências de ordem lógica, vícios e erros grosseiros de português, correta nominação das qualificações das documentações pessoais, entre outros apontamentos que podem ocorrer) nos respectivos documentos, ocorrerá normalmente o registro da igreja.

A partir daí a igreja está formalmente criada, todavia, ainda, para concluir o estabelecimento de sua existência jurídica, na esfera de suas múltiplas e inevitáveis relações, inclusive, facilitando sua identificação perante órgãos públicos (Município, Estados, União, Autarquias, entre outros) e privados (pessoas, instituições bancárias, entre outros) necessariamente deverá providenciar o credenciamento de seu cadastro perante a Receita Federal, o qual emitirá o número do CNPJ.

A expedição do número do CNPJ é procedimento interno da Receita Federal do Brasil, operacionalizado em qualquer agência da entidade fiscal, com prazo médio de 30 (trinta) dias para a emissão definitiva.

A par disso, a organização religiosa deverá habilitar inscrição no Cadastro de Contribuinte Municipal (CCM) a ser promovido perante a Prefeitura do Município do local onde se pretende funcionar a igreja ou onde já se realiza os cultos e reuniões religiosas.

A liberação do respectivo Cadastro perante a Prefeitura Municipal obedece a regras próprias e distintas de cada cidade, inclusive, há municípios criam condicionantes específicos, por exemplo: aprovação do alvará do Corpo de Bombeiros do local (imóvel) onde se realizará os cultos. Ou seja, sem a aprovação da liberação do uso do local pela entidade competente pelo órgão fiscalizador da segurança do ambiente não se libera o CCM, consequentemente, sem o referido documento e se ainda assim se estabelecer, funcionalizar a igreja, está irregular, sujeita as sanções administrativas e fiscais (multa), nos termos da lei.

Casos como os que analisamos neste artigo são fruto direto de uma total falta de respeito às estas questões que em absolutamente nada interferem na doutrina, na missão, na liberdade religiosa e na boa ética defendida em Romanos 13:1-8 pelo anunciado apostólico pétreo que garante total submissão da Igreja às autoridades constituídas.

Nenhuma pessoa deveria se unir a um movimento religioso dentro do Brasil que não obedece a estes dispositivos legais que aqui indicamos, porque se torna um acinte à boa prática religiosa de quem realmente busca viver o bem. Pior ainda, em nome de maluquices e bizarrices dogmáticas que surgem de figuras sem qualificação devida, com amplo espectro de analfabetismo funcional descarado, sem falar de bandidos travestidos de religiosos, em nome de uma “liberdade religiosa” que age como cortina de fumaça para atos criminosos multiplicam-se inúmeras igrejas irregulares, em estado de contrariedade e em plena inobservância de normas legais.

Mas, quem sabe disto? O povo que foi vítima do Socioconstrutivismo claudicante de nossos dias? Os que vivem de “bolsas misérias” oferecidas pelo Governo Federal? Aqueles que nem sabem ler e escrever seu próprio nome? Os que passaram a vida devotando-se a ídolos de todo tipo?

As pessoas não vem a uma Igreja para saber de questiúnculas legais e normas administrativas, elas querem ouvir as “palavras de vida” (João 6:63,68; Atos 5:20; Provérbios 4:10) – então, é claro que compete a entidades como a OMEBE um certo “monitoramento” mediante denúncia justificável; solicitando que se encaminhe ao Ministério Público Federal ou Estadual, conforme cada caso, uma verificação justa, para a defesa dos fiéis de Cristo que, podem, em certas circunstâncias, estarem sob dominação de vigaristas e estelionatários da religião cristã – trazendo sobre a bandeira de Cristo um vitupério que não é digno para aqueles que fazem seu trabalho na justa medida com que se impõe nas passagens que indicamos neste artigo sobre o “andar como Ele andou” (1ª João 2:6).

  1. Da Necessária Visão Católica Romana Para Ajuizarmos o Cenário Religioso Brasileiro Corretamente.

Qualquer sujeito que, vivendo no Brasil, considere a posição da Igreja Católica Romana menor, em nome de qualquer dogmática que lhe pareça justa é um verdadeiro tolo e bufão! A presença católica não se dá apenas porque o IBGE assevera com dados oficiais[5] que 64% da população brasileira e de católicos romanos, que 22% são evangélicos e 14% são de todas as outras possibilidades religiosas incluindo-se o ateísmo.

Em artigo celebrado por muitos analistas da ala conservadora do catolicismo romano, o Pe. Paulo Ricardo[6], que possui relevância nas grandes mídias e nas redes sociais como defensor deste postulado, e especialmente por ser muito chegado ao filósofo católico Olavo de Carvalho[7], que faz coro na defesa de um forte conservadorismo das tradições e doutrina católica, apresentou (o Padre) um artigo[8] em que pontua alguns itens que explicam o que está acontecendo em nosso tempo, especialmente no cenário de sua Igreja:

(1º) A Igreja Precisa Mudar – O primeiro repto é referente a uma mudança espiritual.

“O Santo Padre se perguntava: ‘Porventura não deverá a Igreja mudar? Não deverá ela, nos seus serviços e nas suas estruturas, adaptar-se ao tempo presente, para chegar às pessoas de hoje que vivem em estado de busca e na dúvida?’”

Sim, respondia, a Igreja deveria mudar, mas essa mudança deveria partir do próprio eu. ‘Uma vez alguém instou a beata Madre Teresa a dizer qual seria, segundo ela, a primeira coisa a mudar na Igreja. A sua resposta foi: eu e tu!, ensinou.’”5

(2º) A Igreja Deve Abdicar do Mundanismo – O segundo repto é referente à mundanização da sociedade católica e que também atende pelo nome de secularização[9], ou seja, o fenômeno em que a Igreja absorve tantas demandas pagãs do presente século que acaba por se tornar uma estrutura profundamente desviada da sua missão.

“Bento XVI pedia no discurso uma reforma da Igreja que se baseasse na ‘desmundanização’, corroborando o que explicou em outra ocasião a um jornalista, durante viagem ao Reino Unido, sobre como a Igreja deveria fazer para agradar ao homem moderno:

‘Diria que uma Igreja que procura, sobretudo, ser atraente, já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder. A Igreja está a serviço de um Outro: não serve a si mesma, para ser um corpo forte, mas serve para tornar acessível o anúncio de Jesus Cristo, as grandes verdades e as grandes forças de amor, de reconciliação que apareceu nesta figura e que provém sempre da presença de Jesus Cristo. Neste sentido a Igreja não procura tornar-se atraente, mas deve ser transparente para Jesus Cristo e, na medida em que não é para si mesma, como corpo forte, poderosa no Mundo, que pretende ter poder, mas faz-se simplesmente voz de um Outro, torna-se realmente transparência para a grande figura de Cristo e para as grandes verdades que ele trouxe à Humanidade’.” 5

(3º) A Igreja Deve Focar na Sua Missão – O terceiro grande ponto a ser analisado cuidadosamente por todos os “profissionais da religião”[10] a quem este texto possa favorecer, ele (Pe. Paulo Ricardo), conclui que a Igreja está envolvida com “modernismo”:

“Esses textos ajudam-nos a entender os recentes fatos e a interpretar os pedidos de reforma da Igreja feitos por Bento XVI, nos seus discursos pós-renúncia. De maneira alguma esses pedidos fazem referência a uma abertura da Igreja para exigências ideológicas do mundo moderno, como quiseram sugerir alguns jornalistas. Ao contrário, o Papa fala de uma purificação da ação pastoral da Igreja diante do homem moderno, de forma que ela se livre dos ranços apregoados pelo modernismo. Trata-se de conservar a fiel doutrina de Cristo e apresentá-la de modo transparente e sem descontos. A Igreja enquanto tal é santa e imaculada. Mas seus membros carecem de uma constante conversão e é neste sentido que a reforma deve seguir. A Igreja precisa estar segura de sua própria identidade, a qual está inserida na sua longa tradição de dois mil anos. Caso contrário, toda reforma não passará de uma reforma inútil.” 5

A minha análise deste painel (restrito ao ambiente católico a que se destina) se estrutura em quatro pontos que servirão de apontamento para uma perspectiva diretamente relacionada com as Igrejas Evangélicas Brasileiras, vítimas de certas “aberrações” próprias de quem está marcado pelo que prevê o texto Apostólico encontrado nas Escrituras Bíblias e dizem:

“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2ª Pedro 2:1-3).

Os quatro pontos são:

  • O catolicismo romano se queixa de uma mudança que não é institucional a princípio, mas deve ocorrer na vida dos fiéis, porém, obviamente, a liderança da Igreja deve comandar esta diretiva no sentido de estimular os fiéis para a tal mudança – preferem a palavra “mudança” ao invés de “reforma”;
  • O catolicismo romano se queixa do imenso poder do mundanismo, ao ponto do mesmo Pe. Paulo Ricardo haver produzido num outro artigo (“A Resposta Cristã ao Secularismo”)[11] uma ampla denúncia sobre os perigos do secularismo paganista de nosso tempo que somado ao secularismo marxista se fundem para destruir a fé individual e coletiva da Igreja Católica em um grave ataque aos seus princípios dogmáticos e noéticos;
  • O catolicismo romano se queixa de um desvio de sua missão e de uma aproximação indesejável – ao menos pela ala conservadora – de política e politicagem, quando esta Instituição deveria estar concentrada em cumprir a mensagem do evangelho.
  • Por fim, eu entendo que o catolicismo romano chegou a esta situação porque se tornou, ao longo de século de sincretismo religioso uma entidade impossível de se dissociar do encontro entre o secularismo + politicagem. A sua própria essência está marcada por esta diretiva inegável à luz de todos os livros de História. Basta lembramos que a maior autoridade da História Brasileira em termos de solução da maior desgraça humanitária vivida por este País, à escravidão, foi exemplar católica romana, digna de todas as honrarias que lhe conferem o epíteto de “libertadora de escravos” – manteve seu Governo restrito à submissão à Igreja Católica; refiro-me à Princesa Izabel[12]. Acerca desta realidade, pouco ou nada têm sido anunciado nas redes sociais e na mídia e, todo ano, no dia 13 de Maio, ao se referirem à abolição dos escravos no Brasil, o foco é sempre em tolices e bizarrices[13] e não em comemoração a uma atitude acertada do encontro entre a religião e a política justa![14].

Mas, este perfil de abordagem me permite visualizar a realidade da Igreja Evangélica Brasileira como estando presa em circuitos de manipulação mercadológica[15] e bem distante da simplicidade do evangelho de Cristo, obrigação suprema da sua missão desde que a Reforma Protestante se impôs diante da Igreja Católica no século XVI.

A função da Igreja Evangélica, por força de seu apego aos princípios históricos tais como defendidos na Confissão de Westminster não pode sair da esfera do ensinar, pregar, curar e fazer o bem – e, no momento em que se permite, sob qualquer pretexto, uma indevida e erradica mistura com mundanismo, politicagem, esquemas de dinheiro e endeusamento da personalidade – toda a legitimidade fica jogada numa lata de lixo moral que apenas neófitos e bandidos podem achar que tem algum valor. Excelentes estudos mostram esta lógica que defendemos aqui.[16]

A Igreja Evangélica Brasileira, por força da liberdade de expressão, por força da sua forte conexão com a mentalidade capitalista e liberal econômica anglo-saxã, bem como com suas tradições de liberdade de exame das Escrituras pela consciência individual, valores que não são negociáveis no mais rigoroso pragmatismo utilitarista que formou suas bases em direção oposta ao Catolicismo Romano, que sempre se posicionou como maniqueísta, assistencialista, centralizador dominado pela Tradição Petrina e, politiqueiro ao extremo – esta Igreja Evangélica Histórica – não pode deixar de apreciar cuidadosamente, em atenção aso inegociáveis princípios emanados de 1ª João 2:6 em associação com Mateus 4:23; 9:35 e Atos 10:38 que, sua tarefa é a de ser fiel a Jesus Cristo e que deve “andar como Ele andou”, sem desviar-se para a direita ou para a esquerda quer seja política ou religiosa. A Igreja Evangélica deve estar presa, fechada, dominada e administrada pelas ordens determinadas em 2ª Coríntios 5:17-21 que definem sua natureza neste Mundo amaldiçoado e que só pode encontrar lenitivo num bom serviço realizado pelo Corpo de Cristo:

Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;

Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.

De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.

Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus. (2ª Coríntios 5:17-21).

Que Deus nos ajude a tomarmos juízo e agirmos pelo caminho da retidão!

___________________

[1] Os Estudos publicados pelo Prof. Dr. Jean Alves Cabral, são catalogados em série e objetivam atender às demandas de orientação referentes à sua banca de educação, sobretudo, na área de saúde, teologia, história, sociologia, política, administração, psicologia e pedagogia. Os direitos são reservados. A cópia é franqueada livremente desde que seja preservada a fonte e a íntegra deste material. O código de identificação aponta para o seguinte: (a) o número é referente a cronologia do documento, (b) a letra seguinte indica de que área se refere; (c) existem 8 letras: T = Teologia; N = Naturologia; A = Administração; P = Política; E = Educação; C = Coaching; D = Diversidades; e, J = se refere a uma pauta de ordem particular.

[2] No Globo aqui: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2018/08/30/apos-denuncia-de-fieis-policia-indicia-pastores-por-venda-ilegal-de-igreja-em-goiania.ghtml

No Facebook aqui: https://www.facebook.com/watch/?v=903011423393451

Em mídia evangélica: https://noticias.gospelmais.com.br/estelionato-policia-pastores-fieis-venda-igreja-102067.html

[3] Há outros exemplos deste tipo de estelionato espiritual e patifaria com a fé alheia:

[4] https://www.omebe.org.br/

[5] Citamos aqui três fontes de segura afirmativa, baseadas em dados reais:

[6] https://padrepauloricardo.org/

[7] http://www.olavodecarvalho.org/

[8] https://padrepauloricardo.org/blog/a-profecia-de-joseph-ratzinger

[9] Em interessante artigo, Bento XVI admoestou padres acerca da dificuldade com o secularismo: https://pt.zenit.org/articles/bento-xvi-secularismo-ocidental-talvez-mais-insidioso-que-o-marxista/

[10] Permitam-me aqui pontuar os profissionais da religião pela legislação brasileira que na CBO – Classificação Brasileira de Ocupações – ou Portaria Ministerial do MT nº 397 de 09/10/2002 identifica as ocupações no mercado de trabalho, para fins classificatórios e domiciliares, define neste contexto: Códigos 2631/05, 2631/10 e 2631/15 onde figuram “padres, pastores, teólogos” e mais duas dezenas de identificações pertinentes a todos os trabalhadores da religião em todas as suas possibilidades.

[11] https://padrepauloricardo.org/blog/a-resposta-crista-ao-secularismo

[12] https://dominumvobiscum.wordpress.com/2012/06/28/entre-o-trono-e-o-altar-catolica-fiel-as-orientacoes-do-papa-a-princesa-isabel-abraca-uma-causa-alcanca-uma-graca-e-se-torna-a-redentora-dos-escravos-no-brasil/

[13] As tolices e bizarrices que consigo vislumbrar neste ponto é que entendem alguns problemáticos que a definição da abolição da escravidão não foi um ato administrativo da autoridade suprema da Nação naquele momento específico da nossa História, antes, uma imensidão de doentes psicológicos defendem qualquer coisa entre a ideia de que eu, negro, não estou livre porque existem capitalistas no Mundo brasileiro e que deveria me contrapor às comemorações do 13 de Maio porque a solução do nosso país estaria numa “ditadura do proletariado” à moda bolchevique e/ou bolivariana que levou a Venezuela nos anos 2018-2019 a perder 10% de sua população e promoveu uma fome jamais vista num país sentado sobre trilhões de dólares em petróleo. Os chamados “movimentos negros brasileiros” não me representam em absolutamente nada e prefiro a Igreja.

[14] Citamos como fonte precisa e devida: “No Brasil, a princesa abraçou com Fervor religioso ainda maior a causa da abolição. Acolheu e alimentou escravos fugitivos em seu palácio. Fomentou campanhas e criou livros de outo para a subscrição de doações, com o objetivo de angariar fundos para a compra de alforrias. Sua motivação cresceu a partir de 1887, quando o episcopado brasileiro, afinado com as orientações papais, promoveu intensa campanha abolicionista. Por meio de cartas pastorais, os bispos convocaram os católicos do país a promover a libertação de escravos em honra ao jubileu sacerdotal do papa. Como católica fiel às orientações papais, a regente atendeu às suas súplicas. Assim, após uma queda de braço que envolveu a demissão do Gabinete Cotegipe, a Lei Áurea foi assinada em 1888. Dias depois, ainda como princesa regente, ajudou a organizar uma gigantesca missa campal em agradecimento pelo fim da escravidão. Sem o apoio dos fazendeiros escravistas, a monarquia parecia ameaçada. Isabel confessou mais tarde saber dos riscos que corria. “Fui alertada de que o ato não era político. Mas (…) a agitação entre os escravos era crescente. Leão XIII me pressionava e como poderia eu, batizada e livre, suportar que meus irmãos em Jesus Cristo continuassem escravos, enquanto podiam contar apenas comigo para libertá-los?”(…) A liberdade deveria ser uma doação e uma bênção. Como “redentora dos cativos”, a princesa via-se agora cumprindo o papel de governante católica com o qual se identificava desde a infância. Meses depois da Lei Áurea, em setembro de 1888, a princesa recebeu a Rosa de Ouro, uma condecoração oferecida apenas a chefes de Estado em reconhecimento por sua fidelidade à Santa Sé. Por carta, o papa Leão XIII não só lhe agradecia como interpretava a assinatura da lei como sinal de sua “Filha muito amada” às orientações da Sé Apostólica.” (extraído da Revista de História da Biblioteca Nacional – Maio de 2012, ano 7, Número 80, página 24 – Artigo de Robert Daibert Júnior denominado: “Entre o Trono e o Altar”.)

[15] Em 2012 houve um grande manifesto por uma tomada de consciência a este respeito como podemos verificar neste documento público: https://noticias.gospelmais.com.br/igreja-negocio-evangelico-organiza-protestos-33378.html – em 2018, em plena Campanha Presidencial, um grupo de evangélicos com juízo e boa-fé, apresentaram um repto para que as Instituições Evangélicas não se posicionassem politicamente e que deixassem a Congregação Livre, gerando um debate difícil, porque sem a influência moral da Igreja a sociedade fica à mercê do Comunismo, do Fascismo, do Secularismo e da Politicagem corrupta e corruptora, mas eis o artigo que assevera tal realidade dialógica: https://veja.abril.com.br/politica/os-pastores-evangelicos-que-rejeitam-a-mistura-de-religiao-e-palanque/

[16] Um dos bons estudos sobre esta pauta acerca do secularismo na Igreja Evangélica está aqui: http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/vida-crista/secularismo-religiosidade-sem-deus-e-morte-espiritual/ e outro também bem composto é este: http://agencia.fapesp.br/secularismo-brasileiro-passa-por-reconfiguracao-/28948/

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